na medida em que avançam as ofertas de VOD (video on demand) e as pessoas ficam menos presas às grades de programação, assistindo o que querem na hora que desejam, a televisão ironicamente caminha de volta às origens: para ser majoritariamente ao vivo. e isso as nossas grandes redes já sabem fazer como ninguém, resta apenas fazer em 2013, não 1960. talvez esteja aí a esperança. em vez da notícia em tempo real significar o furo, ela pode ser responsável por levar o telespectador até o fato. como é estar no meio da avenida paulista durante as manifestações? qual o clima em brasília diante das denúncias da NSA? e por aí vai. a jovem que escolheu jornalismo dentro de mim acredita em uma nova era de ouro da televisão. e também acha que são os novos jovens, entrando hoje nas faculdades e nas redações, que vão saber unir o melhor de dois mundos - tecnologia e jornalismo - para chegar lá.
domingo, 21 de julho de 2013
o jornalismo, a TV e eu
na medida em que avançam as ofertas de VOD (video on demand) e as pessoas ficam menos presas às grades de programação, assistindo o que querem na hora que desejam, a televisão ironicamente caminha de volta às origens: para ser majoritariamente ao vivo. e isso as nossas grandes redes já sabem fazer como ninguém, resta apenas fazer em 2013, não 1960. talvez esteja aí a esperança. em vez da notícia em tempo real significar o furo, ela pode ser responsável por levar o telespectador até o fato. como é estar no meio da avenida paulista durante as manifestações? qual o clima em brasília diante das denúncias da NSA? e por aí vai. a jovem que escolheu jornalismo dentro de mim acredita em uma nova era de ouro da televisão. e também acha que são os novos jovens, entrando hoje nas faculdades e nas redações, que vão saber unir o melhor de dois mundos - tecnologia e jornalismo - para chegar lá.
domingo, 7 de julho de 2013
saudades das locadoras
terça-feira, 2 de abril de 2013
ganhando perspectiva
terça-feira, 26 de março de 2013
marcos e marcas
cheers to that.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
questão de vida ou morte
sou super fã do Steve Jobs e, me chame de clichê, também adoro aquele discurso dele em Standford - How to live before you die. mas esses dias, dois episódios me fizeram repensar a parte que ele fala sobre a importância da morte nas nossas vidas:
because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life’s change agent.
será mesmo ter a certeza a todo tempo que vamos morrer um dia, nos ajuda a valorizar o que temos ou traz de fato uma ansiedade sem precedentes? na terça-feira, me peguei admirando a foto de algum lugar incrível nas Maldivas em um blog chamado Places to see before you die. as listas são infinitas. esqueça a tríade escrever um livro + plantar uma árvore + ter um filho. hoje você tem dever de casa. filmes para ver antes de morrer, músicas para ouvir, lugares para conhecer, status profissional para alcançar, apartamento para comprar, família para criar, sem esquecer, claro, de manter uma bela previdência privada para quando a idade chegar. a sensação é que estamos constantemente perdendo tempo. que tempo?
ontem, ao acabar de jantar, vi que no meu celular tinha uma ligação, caixa postal, whatsapp, SMS E e-mail, todos de uma mesma colega de trabalho, às 22h30. aparentemente ela precisava muito falar comigo. quanto tentei retornar, vinte minutos depois - veja bem, vinte - ela não respondeu. fiquei preocupada e descobri hoje que, na verdade, ela só estava na rua vendo um material nosso e queria falar comigo a respeito. zero urgência.
se saber que nós vamos morrer é o que nos traz essa constante agonia do que deveríamos estar fazendo, porque então os pacientes terminais e, ainda, os idosos, parecem ter uma tranquilidade muito maior em relação à vida e a seu próprio tempo? meu avô lê o jornal inteiro, todas as manhãs, isso quando não são três jornais diferentes. ele janta em 1 hora, não em 20 minutos. chega no aeroporto mais cedo, para ter calma. espera me encontrar para ter uma conversa mais séria. no entanto, seguindo a ordem natural das coisas, seria ele a ter muito mais motivo para ter pressa.
talvez Steve Jobs tenha mesmo razão, no final das contas. talvez a morte seja, de fato, a melhor invenção da vida. e só quando estamos realmente confrontados com ela, encontramos a tranquilidade necessária para apenas.... viver.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
participação especial
Groove on up
por Felipe Lobo
O cara nasceu em 1942, nos Estados Unidos, mas embalava o início da noite daquela quarta-feira em uma casa de Santa Tereza. Groove on up, Mayfield, you do so many things with a smiling face. So in Love. Se o som faz bem aos ouvidos, o pôster da Janis Joplin pregado à parede cura os olhos cheios de fumaça dos carros e ônibus que não pedem licença pela avenida Rio Branco. Superfly, Curtis, we don`t always mean the things we sometimes do. Move on up. Mas aquilo eu sentia e queria. O dia começou intenso, porque o anterior acabou ainda mais. Pés descalços, sapato, camisa social, labuta diária. Sol escaldante, pessoas andando, bonde por cima dos Arcos da Lapa. A boemia carioca já não é mais a mesma. Mas quando chega o carnaval, é chinelo de dedo, energia que pulsa e lá vem ela, de volta, como se não houvesse amanhã. I’m so proud, The Impressions.
O horário de verão iluminava as ladeiras tortuosas de Santa quando finalmente cheguei ao tradicional Bar do Gomes. Cerveja gelada e bloco na mão, se existe um sentido, passava por ali. Santo Mayfield, you don’t need no baggage, you just get on board. It’s all right. Garrafas pela parede, atmosfera saudosa e sorrisos nas ruas, combinação para lá de perfeita. Sim, era uma quarta-feira qualquer no Rio daquele mês de janeiro, em que a noite escura precisa mandar o azul descansar. A batalha é árdua, mas ganha.
Ela nasceu em São Paulo, em 1990, só que divide uma casa em Santa Tereza. Naquela quarta-feira, chegou antes da lua. Prestes a fazer 18 anos, começou a rodar o mundo. Groove on up, Prestes, choice of colours, verde e amarelo na parede, doce e salgado, arte no Globo. O volume de cd’s na sala não engana: a paulista mais carioca que eu conheci gosta de música. Vive com a música. Trabalha por ela e para ela. A companhia de um gato, a cadeira de praia, só alegria. I’m so proud, Mayfield, every time we kiss is such a pleasant taste.
Na vida, ela não foge da tempestade. Aprendeu a dançar na chuva. Seja a pé, no moto táxi, no carro, no trem, ou no ônibus. O estilo inunda seus ouvidos, e ela rema pelas ondas sem saber surfar. Parece que flutua. Mas os pés estão no chão. Fincados. Seguros. Ela sabe para onde vai, norte ou sul, leste ou oeste, ocidente ou oriente. África. Rio de Janeiro. Sem destino, parece que o tem nas pontas dos dedos. Life is crazy, believe me, it’s true. Ela sabe disso, Curtis, mais do que ninguém. Não perde o passo, mesmo se estiver fora de ritmo.
De espírito livre e lábios que dizem ainda mais quando cerrados, ela é linda. Lay me down, rest awhile, you’re moving my emotions. E ela as minhas, Mayfield. Move on up.
Prestes a encerrar aquela quarta-feira de janeiro, no Rio, lá estava ela, em Santa.
Foi este o dia em que a conheci.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
culpa, para quê te quero?
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Abril
abril não é um mês propriamente especial. não tem carnaval, nem natal. não tem dia das mães, dos pais, das crianças; não tem férias escolares, não tem superstição. a única coisa que abril tem (e às vezes) é páscoa. mas também, quem não gosta de chocolate?
abril é começo do outono, o que, aqui no brasil, significa que as temperaturas começam a ficar mais amenas, os dias mais azuis e as praias cada vez mais agradáveis. se você quiser viajar, não tem problema, abril também é bom no hemisfério norte. lá no topo do globo, as temperaturas vão subindo, dando uma trégua aos que suportam temperaturas abaixo de zero, e as flores aparecem - é primavera.
abril também te dá uma perspectiva do ano. de repente, o primeiro trimestre passou assim, puf!. mas com essa sensação, vem também a tranquilidade de saber que ainda temos o ano todo pela frente para cumprir as resoluções de ano novo.
era para eu ter nascido em abril, mas resolvi esperar até maio. talvez dr. freud tenha um explicação para a minha predileção que passe por aí. talvez não. o fato é que eu gostaria de dizer:
bem-vindo, abril!
sexta-feira, 19 de março de 2010
mais do Larsson
lá estava eu, em pleno santos dumont fechado, prevendo assertivamente a longa noite que teria pela frente. olho para meu colo e encontro a "estratégia de não-sei-bem-o-quê", uma leitura da pós-graduação. imediatamente me dou conta de que, para que eu e os funcionários da Gol sobrevivessemos àquela noite, seria preciso pegar pesado. eu precisava daquele livro capaz de te fazer mergulhar na história e por lá ficar ainda que um tsunami esteja passando do seu lado. não tive dúvidas: entrei na livraria do aeroporto, cujo dono, aliás, deve adorar um dia de caos aéreo, e arrematei meu exemplar de A rainha do castelo de ar, último volume da trilogia.
como ainda não cheguei à página 200, posso dizer apenas duas coisas:
a) para os interessados, este volume é uma continuação da história do anterior, ao contrário do primeiro para o segundo, que em comum só tem os personagens.
b) ele é tão bom que eu não ataquei nenhum funcionário da Gol ou da Infraero durante quase 8 horas de inferno.
vocês também tem um livro/autor salvação?
bom final de semana.
segunda-feira, 15 de março de 2010
a incompetência do serviço aéreo brasileiro

Quando os passageiros do nosso voo foram convocados ao portão, o funcionário responsável nos informou que seríamos levados ao Galeão, pois a aeronave não conseguiria pousar no Santos Dumont. Estranho, já que, da janela do aeroporto, víamos outros aviões aterrissando. Ao perceber que já eram 20h, não foi preciso muita matemática para concluir que iríamos parar em Guarulhos. Até que todos chegassem ao Galeão, embarcassem e decolássemos, certamente não chegaríamos antes das 23h em Congonhas – horário limite. Sendo assim, procurei o guichê da Gol para trocar minha passagem para segunda-feira de manhã e evitar toda a celeuma. As duas únicas vagas disponíveis eram no voo de 5h da manhã, no Galeão, ou às 9h40, no SDU. Ou seja, se resumia entre acordar às 3h ou chegar ao trabalho ao meio-dia. Não eram alternativas viáveis, então entrei no ônibus da Gol e encarei o Galeão. Não precisa nem dizer que, chegando lá, não havia um único funcionário para indicar nosso portão de embarque. A desinformação era tanta, que corria o risco de irmos parar em Manaus por acidente. Como resultado, eram 22h30 quando os últimos passageiros conseguiram achar – e entrar – no avião. À essa altura, a chuva já tinha voltado. Ficamos todos dentro do avião, esperando autorização para decolar por mais 40 minutos. Nesse ínterim, as comissárias de bordo não foram capazes de oferecer sequer uma água. (isso porque estávamos há cinco horas de atraso do nosso voo e a ANAC determina a obrigatoriedade de oferecer alimentação após 4h). Os passageiros, cansados e impacientes, reclamavam, pediam explicações, previsões, e nada. Depois de mais algum tempo, finalmente nos ofereceram um mini pacote de biscoitos e água com refrigerante. Inacreditável.
Às 23h10 fomos informados pelo comandante que estávamos partindo rumo à Guarulhos. À meia-noite, pousamos no maior aeroporto do Brasil, onde precisamos esperar por mais trinta minutos para conseguir sair do avião, já que o ônibus da Infraero não aparecia para nos buscar. No desembarque, a Gol deu a ótima notícia que não ofereceria táxi para voltarmos, e sim um ônibus que levaria os passageiros até Congonhas, aquele mesmo aeroporto que estava fechado. Isso significa que chegaríamos em Congonhas por volta de 1h30 da manhã (com sorte), para encontrar tudo fechado. A alternativa era pegar um táxi e pagar mais R$ 100,00 de meu próprio bolso.
Assim, encarei por 45 minutos a fila esperando pelo táxi no qual percorri as ruas de São Paulo a uma velocidade média de 130 km/h, torcendo para conseguir chegar com vida. Por volta de duas horas da manhã, abri a porta de casa, exausta e com a incômoda certeza de que essa não foi a primeira e não seria a última vez que passaria por isso. Hoje, segunda-feira, começo minha semana tendo dormido menos de quatro horas. Sabendo que comprei passagens para um voo às 18h10 da tarde e que, os passageiros da Gol que voariam mais tarde, não foram enxotados para o Galeão, voaram do Santos Dumont mesmo, e já estavam no milésimo sono quando eu atravessei minha portaria. Nenhuma outra Cia aérea mandou despachou seus clientes para o Galeão. A chuva de ontem foi suficiente para fechar qualquer aeroporto, mas a incompetência da Gol foi tamanha, que é como se estivesse chovendo até agora. No meio da Comunicação Empresarial, carrego comigo uma máxima que dá conta do seguinte: não é o problema que sua empresa enfrenta que lhe faz perder clientes, mas como você lida com o problema. Desesperador saber que estamos à mercê de uma empresa tão despreparada e que é hoje, senão a maior do Brasil, uma das.
Que venham a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
a experiência Kindle
Ele, o Kindle, chegou e foi atração à primeira vista. O design é bacana, a leveza impressiona. E mesmo para quem viu surgir internet, TV a cabo e MP3, é impactante acreditar que aquilo possa ser o novo livro. De imediato, parei o que eu estava lendo - A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson - no segundo capítulo e comprei a versão digital do Kindle. O que significa dizer que troquei um calhamaço de mais de 500 páginas por algo da espessura de uma revista. Agora eu conseguiria ler até enquanto fazia as unhas, já que não precisaria virar as páginas.
A segunda boa descoberta foram as letrinhas que imitam papel. Se a desvantagem é ter de usar um foco de luz como qualquer livro normal, a leitura é de fato muito semelhante a de um livro normal, dá quase para esquecer que não é. O Kindle vem com uma carta de boas vindas do Jeff Bezos na qual o CEO da Amazon diz que o objetivo do aparelho é ser absolutamente imperceptível – ou seja, que o conteúdo seja de tal forma envolvente que você é capaz de esquecer em que está lendo. Lembrei que dos livros tradicionais. Há aqueles que parecem incômodos, difíceis de segurar, você não sabe bem o que faz com a orelha, e esses raramente são os bons livros.
Curtindo meu Kindle, fiz tudo o que tinha direito. Comprei jornais e não vi muita graça. O site do New York Times é muito mais rico do que a versão para Kindle. Fiz a assinatura experimental das revistas, testei o recurso de voz, aumentei e diminui as letras, inclui comentários, marquei páginas. O dicionário venceu como um dos recursos mais fantásticos. Poder consultar a definição do Oxford em apenas um clique é muito útil, principalmente com certos autores, como Faulkner.
Você não encontra muitos dos livros que gostaria, principalmente em língua portuguesa. Esqueça Saramago, a biografia do Padre Cícero e esqueça até Rubem Fonseca – nada de O seminarista na Kindle Store. Certamente a quantidade de títulos disponíveis vai aumentar. Enquanto isso, dá para se divertir bastante com os americanos, ingleses, irlandeses e todos os outros de língua inglesa, a majoritária dentre os mais de 300.000 títulos. Mas, por enquanto, o Kindle é uma forma mais prática e moderna de carregar sempre um livro na bolsa e poder comprar outro quando eu bem entender – desde que seja em inglês, claro.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
consciente
- Amanhã é feriado.
- De novo.
- Por que mesmo?
- Zumbi.
- Zumbi, que Zumbi?
- Aquele Zumbi, o dos Palmares, que libertou os escravos.
- Entendi, é feriado dos escravos.
- Não, é Dia Nacional da Consciência Negra.
- Ah, então é feriado nacional?
- Não, só em oito estados.
- Mas não era nacional?
- É que nem todos os estados têm consciência.
- Consciência de quê?
- De que amanhã é feriado, oras.
- Amanhã é feriado! Vamos à praia?
** bom feriado a todos **
terça-feira, 6 de outubro de 2009
criticando
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
7 dias

sexta-feira, 25 de setembro de 2009
prima de quem?
Durante a semana toda, não falou-se de outra coisa no Twitter, Facebook e nos blogs, mais conhecidos como os atuais elevadores, corredores e pontos-de-ônibus, claro. Mas por que diabos esperamos tanto a chegada da Primavera? Flores desabrochantes em belas árvores não é coisa que se veja na cidade cinza em estação nenhuma. Também não faz o maior dos calores, tampouco para de chover - pelo contrário, normalmente até chove mais do que no Inverno. sexta-feira, 4 de setembro de 2009
são paulo é prosa, rio é poesia...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009
tempo...
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
Martha Medeiros - Jornalista e escritora

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