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domingo, 18 de abril de 2010

Nina DiSesa


não sou fã de livros sobre carreira, gestão ou qualquer coisa que o valha. acho sempre que este gênero acaba incorrendo no tom de autoajuda e, portanto, pulo fora. mas, por causa do trabalho, fui apresentada ao livro Seducing the Boys Club: uncensored tatics from a woman at the top. depois do briefing editorial e uma rápida pesquisa pela internet, descobri que a autora, Nina DiSesa, é uma das feras do mercado publicitário. foi diretora de criação da McCann Erickson, onde comandou a campanha da Mastercad "Não tem preço" - na minha opinião, uma das mais geniais de nossos tempos (veja aqui o meu favorito). foi aí que a curiosidade bateu e Nina passou a habitar meu Kindle. afinal, uma mulher dessas deve ter algo a dizer.

a boa notícia é que tem. já pelo título dá para perceber por onde o livro vai. Nina compartilha sua trajetória neste mercado tipicamente masculino e as principais dificuldades que encontrou (ainda hoje) por ser mulher. mais do que isso, mostra que exatamente aquelas características que nos fazem diferentes dos homens, são as que nos permitem, algumas vezes, muito mais. e ela fala com conhecimento de causa, pois tornou-se a primeira mulher a ser chairman da McCann. o livro é realmente delicioso. leve, bem-humorado e contemporâneo, capaz de fazer qualquer mulher que batalha nas trincheiras dos escritórios se identificar. e, para ficar ainda melhor, dá para conhecer um pouco mais dos bastidores dessa campanha sensacional da Mastercard: "existem coisas que o dinheiro não compra. para todas as outras, existe Mastercard."

no Brasil, sai em maio, pela Planeta (eu contei que tinha pitada do trabalho).



sexta-feira, 19 de março de 2010

mais do Larsson

sexta-feira é o dia do desapego. dia de se livrar de toda e qualquer culpa, respirar fundo, abrir um vinho ou tomar uma cerveja gelada para receber o final de semana. seja como for, sexta-feira é o dia relax. por isso, me sinto à vontade para fazer uma confissão: não aguentei e já estou lendo o terceiro volume da trilogia Millenium, do Stieg Larsson. a questão foi que, como emendei os dois primeiros, tinha resolvido esperar um tempo para ler o terceiro. esse plano foi por água abaixo (literalmente) durante a minha odisseia de domingo.

lá estava eu, em pleno santos dumont fechado, prevendo assertivamente a longa noite que teria pela frente. olho para meu colo e encontro a "estratégia de não-sei-bem-o-quê", uma leitura da pós-graduação. imediatamente me dou conta de que, para que eu e os funcionários da Gol sobrevivessemos àquela noite, seria preciso pegar pesado. eu precisava daquele livro capaz de te fazer mergulhar na história e por lá ficar ainda que um tsunami esteja passando do seu lado. não tive dúvidas: entrei na livraria do aeroporto, cujo dono, aliás, deve adorar um dia de caos aéreo, e arrematei meu exemplar de A rainha do castelo de ar, último volume da trilogia.

como ainda não cheguei à página 200, posso dizer apenas duas coisas:
a) para os interessados, este volume é uma continuação da história do anterior, ao contrário do primeiro para o segundo, que em comum só tem os personagens.

b) ele é tão bom que eu não ataquei nenhum funcionário da Gol ou da Infraero durante quase 8 horas de inferno.

vocês também tem um livro/autor salvação?

bom final de semana.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Espinosa em dose dupla

Fãs, a postos: ele voltou. Espinosa, o delegado mais querido do Brasil, protagoniza o novo romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, Céu de origamis.
Mas para quem é tão (ou mais ainda) fã do autor, duas oportunidades imperdíveis de ouví-lo falar e pegar autógrafos. Garcia-Roza, que há anos não faz lançamentos de seus livros, participa de dois eventos nas próximas semanas, um no Rio e outro em Sampa. Tem para todo mundo.
Anote:
Terça-feira, dia 1º, Prosa nas Livrarias
Livraria da Travessa, Shopping Leblon (RJ), a partir das 19h.
Quarta-feira, dia 2, Sempre um papo
SESC Vila Mariana (SP), às 20h.
Este é o oitavo livro de Espinosa - e provavelmente o melhor deles. Meus comentários sobre o livro em breve, aqui no blog.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

lançamento: fazer ou não fazer?

Ontem estive em um lançamento a trabalho - que por sinal, foi um sucesso - e não pude deixar de pensar sobre este tradicional evento do mercado editorial, que hoje me parece mais um grande dilema.
Para o autor, pode ser muito cansativo. São horas e horas autografando, cumprimentando centenas (com sorte!) de pessoas e tendo poucos minutos de atenção para cada uma delas, que afinal, estão ali por sua causa. Pode não ser o melhor dos programas para os convidados também. Frequentemente, não tem lugar para sentar, o serviço de coquetel não é dos mais caprichados e as filas são compridas. Já a editora corre o risco de montar todo o evento e não ter quórum, o que significa dinheiro desperdiçado e um autor frustrado. Combinação nada promissora.
Por outro lado, existem lançamentos como os de ontem. O autor recebe centenas de convidados que ficam alegremente na fila e depois conversando pela livraria, vende-se outras boas centenas de livros e tudo isso ainda gera bastante repercussão positiva para o livro. Editora, autor e livreiros ficam todos satisfeitos. Cenário ideal.
Mas qual a diferença entre um lançamento de sucesso e os casos perdidos? Será apenas a força da personalidade do autor? Seu mailing pessoal? Ou é um modelo falido? Porque se você parar para pensar no público, ir a um lançamento significa nada mais do que prestigiar o autor, dado que hoje é possível comprar qualquer livro do conforto de sua casa. Tampouco acredito que o que atraia tantas pessoas seja a vontade de ter um autógrafo. Ao fim e ao cabo, penso que a editora deve levar em consideração o prestígio daquele autor e sua capacidade de atrair gente - ele está em sua cidade natal, por exemplo? - enquanto o próprio autor precisa pesar as contrapartidas do esforço e cansaço, mas que, muitas vezes, podem ser revertidas em um grande sucesso de vendas. E quem não quer isso?
Bom final de semana.

sábado, 22 de agosto de 2009

economia e civilização

Na revista Veja desta semana está uma ampla matéria sobre o livro A ascensão do dinheiro, do escocês Niall Ferguson. Se a recente crise financeira nos serviu, enquanto sociedade, para alguma coisa, foi definitivamente para devolver à economia o status de ciência humana que lhe pertence. Como o repórter muito bem destaca, durante as últimas décadas, criamos a mítica de que o mercado financeiro é perfeitamente racional e, portanto, não está sujeito à falhas.

Os acontecimentos globais do último ano derrubaram esse argumento - como tantos outros o são no âmbito acadêmico. Hoje, o que se lê no universo mais próximo de microeconomia, que seria aquele habitado pelas áreas de finanças e negócios, são revistas e jornais especializados - Exame, Valor Econômico - estudo de cases e `dicas` no melhor estilo autoajuda de livros sobre a história do Google, as melhores estratégias de marketing, e até os O monge e o executivo da vida.

O que o sucesso deste livro - que já é um best-seller em mais de trinta países - seguido do espaço que discussões de nível mais teórico acerca das consquências que sofremos na prática querem dizer, nada mais é do que aquilo provado por Ferguson em seu livro: por trás dos modelos que hoje sustentam a economia global, estão séculos de história e personagens que marcaram as inovações financeiras, que datam seus primórdios na antiga Mesopotâmia.

Não, nós não inventamos a roda. Standing on the shoulders of giants.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

100 anos de Juan Carlos Onetti

Na próxima quarta-feira, dia 12, a Editora Planeta e o Instituto Cervantes, com o apoio do consulado do Uruguai, promovem o debate 100 anos de Juan Carlos Onetti – uma história de amor pela literatura, que contará, entre outros, com a presença especial de sua filha, Litty Onetti.


Acadêmicos, especialistas em literatura e o tradutor da obra, discutirão o legado deixado por Onetti, o maior escritor uruguaio do século XX e um dos maiores escritores de língua espanhola. Em 1º julho, comemorou-se 100 anos de nascimento deste grande autor.


Aos que estiverem em São Paulo, ótima chance de descobrir - ou redescobrir - o mundo de Onetti. Para aqueles que não puderem vir, a Planeta oferece o "consolo" de O poço/ Para uma tumba sem nome, livro inédito, e a reedição de outros três títulos - A vida breve, O estaleiro e Junta-cadáveres, todos já à venda nas livrarias.

100 anos de Juan Carlos Onetti
12 de agosto, às 19h30
Instituto Cervantes de São Paulo
Entrada gratuita

Mesa:
Isabel María "Litty" Onetti - filha do autor
Liliana Reales – professora da UFSC, especialista em Onetti
Ana Cecília Olmos – professora de letras da USP
Luis Reyes Gil – tradutor da obra de Juan Carlos Onetti
Paloma Vidal – escritora e professora da UFESP

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Papo no SESC

Paulistanos e paulistados: uma dica de programa para a noite desta quinta-feira.
Livia Garcia-Roza participa do Sempre um Papo, no SESC Vila Mariana, para falar sobre seu novo livro de contos, Era outra vez.


Livia estreou na literatura em 1995 com seu primeiro romance, Quarto de menina. De lá pra cá publicou mais sete romances pela editora Record, três livros de contos pela Companhia das Letras e um infantil, A casa que vendia elefante, também da Record.

No mais recente, Era outra vez, recria e atualiza histórias infantis consagradas. Entre as narrativas reinventadas estão clássicos do repertório do conto de fadas, como Branca de Neve e os sete anões, fábulas universais como A cigarra e a formiga, além de uma obra-prima da literatura universal, As mil e uma noites, e uma das mais conhecidas obras da literatura infanto-juvenil brasileira, Pluft, o fantasminha, de Maria Clara Machado.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A escola de Harry Potter

A editora norte-americana Simon & Schuster lançou hoje o 10º e último volume da série infanto-juvenil Pendragon Adventure. Os livros contam a história de Bobby Pendragon, um menino de 14 anos, popular na escola, que acaba de engatar um namoro com a menina mais incrível da escola, quando, ao atender a um pedido de ajuda do tio, embarca em uma aventura dessas para jogo de RPG nenhum botar defeito. A missão que os leva em uma viagem através do tempo e do espaço é proteger o povo de Halla de um vilão demoníaco (literalmente) que quer destruir a humanidade. Bobby se vê sem outra opção que não embarcar nessa batalha, quando na verdade, preferia mesmo estar em casa jogando basquete.

Impressionante é que a imaginação do autor, D.J. MacHale - também diretor e produtor executivo de várias séries de TV - parece mesmo vingar. Afinal, são nada mais nada menos do que dez volumes completos que totalizam mais de 4 milhões de cópias.
Eu li apenas o primeiro capítulo, que é uma carta do menino a um amigo. Vejam um trecho:

I hope you´re reading this, Mark.

Heck, I hope anybody´s reading this because the only thing that´s keeping me from going totally off my nut right now is getting this all down on paper so that someday, when it´s all over, it´ll help prove that I´m not a total whack job. You see, two things happened yesterday that changed my life forever.

The first was that I finally kissed Courtney Chetwynde. Yes, the Courtney Chetwynde of the bites-her-lower-lip-when-she´s-thinking, stares-right-into-your-heart-with-her-deep-gray-eyes, looks-unbelievable-in-her-volleyball-uniform, and always-smells-a-little-like-roses-fame. Yeah, I kissed her. It was a long time coming and it finally happened. Woo-hoo!

The second thing was that I was launched through a wormhole called a "flume" and got jacked across the universe to a medieval planet called "Denduron" that´s in the middle of a violent civil war.

But back to Courtney.

Parte das estratégias de marketing da série, o primeiro livro, The Merchant of Death, está disponível para download no site da Simon & Schuster até dia 24 de maio.
Bom para quem curte, já que a saga ainda não foi publicada no Brasil.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

jornalismo literário


Para aqueles cujos corações oscilam entre o jornalismo e a literatura, o novo livro de Gay Talese é imperdível.

Do norte-americano que é considerado precursor do New Journalism e um dos maiores jornalistas de todos os tempos, Vida de escritor fala sobre fracasso.

Talese parte de reportagens que falharam em se tornarem livros e traça um paralelo sobre suas desventuras no ofício da escrita. O drama das personagens eleitas - a jogadora de futebol chinesa que perdeu o pênalti decisivo na Copa do Mundo; a mulher que, em um surto de fúria, cortou o pênis do marido - traduz a frustração de Talese como autor, que não consegue concluir estas histórias com as quais obsecou. É uma auto-reflexão sobre seu trabalho que nos oferece um olhar interno deste gênero que fascina as últimas gerações.

Gay Talese é o assunto do momento, pois estará no Brasil em julho, como convidado da FLIP.

Fica a dica para o final de semana.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Delícias e deleites

Aproveitando as surpresas da literatura infantil, nesta semana li o novo livro da Heloisa Prieto, Divinas desventuras. Há doze anos, a autora publicou Divinas aventuras, igualmente delicioso, com oito histórias da mitologia grega e as aventuras dos deuses. Nesta sequência, Heloisa apresenta oito novos mitos, mas dessa vez os mais trágicos: Taurus, Ariadne, Ícaro, Dafne, Asclépio, Prometeu, Cassandra e Sísifo. Se no primeiro volume os protagonistas contavam suas próprias peripécias, Divinas desventuras é narrado - e sabiamente amarrado - por Cronos, o deus do tempo.

Devorei as 48 páginas (mais ilustrações, claro) em meia hora. Com uma escrita muito suave, a narrativa te leva de volta à infância e ao encantamento diante de belas histórias que conversam entre si, ao mesmo tempo em que são independentes.

Para crianças entre 9-12 anos aprenderem sobre a Grécia Antiga, a ótima pedida chega às livrarias ainda este mês.

Heloisa Prieto. Divinas Desventuras. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2009.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ontem conheci Bernardo Carvalho

O escritor e jornalista carioca, que é considerado um dos grandes autores brasileiros de sua geração, acaba de lançar seu novo romance O filho da mãe. O livro faz parte do projeto Amores Expressos, que envia autores por um mês para outra cidade para que depois escrevam uma história de amor. O bate-papo, que deveria ser sobre o novo romance, acabou se tornando um verdadeiro conto narrado sobre a história do assalto que Bernardo sofreu em São Petersburgo, onde teve que continuar pelo resto do mês em nome do projeto. Um pouco prolixo, mas com uma narrativa quase jornalística, o autor contou seus medos e a sensação de desamparo que sentiu em uma cidade que para muitos é tida como literária por excelência.

Talvez por isso o livro acabe sendo arraigado na sensação de desamparo, de desespero, que Bernardo encarna na figura das mães da guerra da Tchetchênia. Segundo ele, a escolha pela narrativa na terceira pessoa teve objetivo de permitir a visão onipresente do leitor, para que ele também sentisse como estrangeiro na jovem cidade – São Petersburgo está às vésperas do aniversário de 300 anos. O projeto gráfico da capa também ficou muito bacana, vejam só:


Fica a dica de leitura.


Bernardo Carvalho. O filho da mãe. São Paulo: Companhia das Letras, 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para brincar com ela


Não poderia haver melhor lançamento para este Carnaval: "Era Outra Vez" é o terceiro livro de contos da escritora Livia Garcia-Roza, que brinca e passeia pelo universo da literatura infanto-juvenil com uma intimidade própria desde sua estreia na literatura, em 1995. Desta vez, a autora recria histórias do repertório tradicional como Branca de Neve e os Sete Anões, As Mil e Uma Noites e Pluft, o fantasminha, adicionando uma pimentinha extra aos clássicos.



Dona de um humor incomparável e de uma prosa leve e maleável, Livia Garcia-Roza apresenta neste livro 13 contos para que adultos de todas idades permaneçam na folia o ano todo, como só ela sabe fazer.

Seu último romance, Milamor, foi muitíssimo bem recebido pelo público. Vejam que maravilha a crítica do colega Júlio Pimentel Pinto em seu blog.

Livia Garcia-Roza. Era outra vez - contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009