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quinta-feira, 29 de abril de 2010

livro digital, leitor real


sei que ando sumida. sabe como é, a gente se compromete com milhares de coisas das quais consegue fazer apenas 20% e vive a eterna frustração de não estar fazendo os outros 80%. nas palavras de Sinatra "Yes, there were times/ I´m sure you knew/ When I bit off more than I could chew", e era apenas o século XX. mas isso é assunto para outro post.

minha passada por aqui é para dizer que no dia 15 de maio acontece no Rio de Janeiro o seminário Readers 2.0. o assunto, claro, são os famosos leitores digitais, o futuro do livro, os modelos de negócios e afins. não há dúvidas de que é um dos mais relevantes temas do mercado editorial e tendências do momento. minha questão é se já estamos mesmo no ponto de realizar seminários. aqui em São Paulo houve, em março, o 1º congresso internacional do livro digital, um evento mais robusto, mas não tão mais esclarecedor. pelo que li - e ouvi - os participantes saíram de lá com menos respostas do que perguntas, e talvez não seja diferente agora no Rio. não há dúvidas de que kindles, nooks e agora o iPad estão sacudindo as estruturas do mercado. mas até que ponto? talvez ainda estejamos em uma fase de observação e não tanto de intervenção.

quem quiser conferir (e depois comentar no Melhores Palavras), o Readers 2.0 é aberto ao público e a entrada é franca. as inscrições devem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br e o evento acontece no campus da FACHA, m botafogo.

domingo, 7 de março de 2010

Kindle, Oscar e outras notícias do front

Se Steve Jobs achava que o concorrente Jeff Bezos ia sucumbir sem luta ao iPad, ele estava enganado. Na mesma semana em que a Apple finalmente marcou o lançamento do portátil para dia 3 de abril, nos EUA, recebo um e-mail da Amazon me convidando para participar de uma pesquisa de mercado sobre a experiência com o Kindle. Ao que tudo indica, a varejista está querendo ouvir os leitores para, quem sabe, fazer ajustes no e-reader. Há quem diga que ainda este ano, a equipe de Bezos anunciará uma nova versão do Kindle. A ver.

E como o papo é guerra, a noite mais esperada do cinema, a premiação do Oscar que acontece hoje, na Califórnia, está vestida para combate. As grandes apostas dos críticos (e até do público), Avatar e Guerra ao Terror, falam sobre batalhas. O primeiro, em um futuro distante, de uma sociedade imaginária contra o capitalismo humano; já o segundo, da tão mais contemporânea guerra do Iraque. Bastardos Inglórios, meu favorito, também não fica atrás, já que retrata o combate ao Nazismo.

Termino com uma dica. Avisei no Facebook, mas, para os que não acessam, o Grupo Pão de Açúcar está recolhendo livros para doar à instituições de ensino do Brasil. Você pode levar aqueles livros que já não têm mais espaço na estante a qualquer loja do grupo (Pão de Açúcar, Extra, Sendas, Compre Bem) até dia 14 desse mês.

Para todas as mulheres, parabéns pelo dia de amanhã. E que venham os vencedores do Oscar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

pout-pourri

como falta tempo para escrever o quanto eu gostaria, vou passar por alguns dos pontos que ganharam estrelas no meu Google Reader essa semana.

1) O portal NYTimes anunciou que vai lançar o site The Local East Village em parceria com a New York University. Prevista para entrar no ar no outono deles, a página terá o conteúdo desenvolvido por alunos da universidade, dando continuidade ao projeto de notícias locais que já inclui o The Local Brooklyn . A ideia do jornal é ampliar a rede de colaboradores e, para isso, investem em disseminadores de opinião, ou seja: quem melhor para falar de uma região do que aqueles que lá vivem?

Para alguns, esse é o futuro do jornalismo - colaborativo e regionalizado. Será?

2) Em maio do ano passado, quando ninguém ainda falava em iPad, contei para vocês que a Amazon tinha acabado de lançar o Kindle DX, uma nova versão do leitor digital cujo principal objetivo era atender às demandas de estudantes universitários. Agora, começam a surgir os primeiros resultados dos projetos piloto com as faculdades de Princeton, Case Western Reserve University e Darden School of Business. No geral, os professores acharam que os alunos ainda não consideram a ferramenta para anotações satisfatória e a dificuldade de visualizar várias páginas ao mesmo tempo (lembre da cena: aluno na biblioteca com cinco livros abertos) também pesou. Alguns se adaptaram com mais facilidade e reconheceram a importância do aparelho para o meio ambiente, em contrapartida ao uso excessivo de papel. Mas a maioria aproveitou mais o Kindle para leituras de lazer.

Uma surpresa para os que previam que os e-readers seriam adotados, em primeiro lugar, para educação. Eu inclusive.

3) Esta deu no Publishnews. A Veja criou um aplicativo, o Veja Meus Livros, que já pode ser usado via Orkut e estará disponível, em breve, também para o Facebook. É uma ferramenta que permite aos internautas compartilhar com outros usuários que livros que estão lendo, organizar suas leituras, fazer comentários sobre os livros e ainda ler as resenhas da Veja. Segundo o portal, em apenas 15 dias a novidade conquistou 17 mil adeptos. A iniciativa tem apoio da Livraria Cultura, que permite também a compra dos livros escolhidos, para quem quiser.

A favor, eles têm o fato de não quererem "competir" com outras redes sociais, como já fez o Skoob e O Livreiro, ambos sem muito sucesso. Ao contrário, a Veja está se unindo aos gigantes Orkut e Fb para atrair o público. Acho que o caminho é mesmo esse.

E, para finalizar, já que isto é um pout-pourri agradeço profundamente a paciência e colaboração da Carla Vorsatz, minha revisora, professora e consultora para assuntos diversos, aka, "Mom".

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ônibus high-tech

deu no NY Times. no Arizona, EUA, o governo encontrou um jeito de acalmar as feras. quem já esteve em um ônibus escolar, sabe a verdadeira baderna que costuma acontecer. mas, neste ônibus, os alunos agora vivem quietinhos. é que foi instalado um sistema de wi-fi gratuito. assim, os adolescentes e seus hormônios alucinados, aproveitam a viagem para a escola em seus laptops, devidamente conectados ao mundo.

é o famoso se não pode vencê-los, junte-se a eles.

aqui no Brasil sei que a Azul, companhia aérea, oferece este serviço nos ônibus que transportam os passageiros até o aeroporto de Campinas, Sp, de onde saem seus voos. foi uma forma que a empresa encontrou de incentivar os novos clientes a enfrentarem o trânsito por uma passagem mais barata.

se vamos começar a ler mais em laptops, e-reader e iPads, iniciativas deste tipo serão importantes para os leitores digitais. isso porque, à exceção do Kindle, todos os outros aparelhos precisam de uma conexão com a internet para baixar e-books.

Eu apoio.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a batalha começou

semana passada, o todo-poderoso Steve Jobs anunciou o tão esperado tablet da Apple. batizado de iPad, o aparelho é, claro, lindo de morrer. segundo Jobs, vem para complementar a lacuna deixada pelos netbooks e seria um terceiro aparelho para quem já tem laptop e smartphone, mas quer um objeto prático, leve e que reúna internet, e-mail, etc.

capa da The Economist

tal como na ocasião de lançamento do iPod e depois do iPhone, Jobs foi aplaudido, criticado, elogiado, repreendido em jornais, sites, twitters, televisões e mesas de bar do mundo todo. o que em um primeiro momento passou quase despercebido, começa agora a vir à tona. muito mais do que um lançamento do mercado eletrônico, o iPad veio para abalar as estruturas do já remexido mercado editorial.


sim, além de andar, falar e abanar o rabo, o novo brinquedinho da Apple também é leitor de e-books. E que leitor. A iBookstore já começa com títulos de cinco grandes editoras - Penguin, Harper Collins, Macmillan, Hachette Book Group e Simon & Schuster - e um grande diferencial. Ao contrário do Kindle (para quem ainda não tinha percebido, trata-se de um ataque direto ao atual líder de mercado dos e-readers), os livros digitais ali comprados funcionam em outros aparelhos, como por exemplo o Sony Reader, ou o Nook, da Barnes & Noble. Em outras palavras: a Apple acaba de fazer pelos livros o que fez pela música com o iTunes.




como a Apple conseguiu, de cara, atrair estas grandes editoras? simples. prometendo 70% do faturamento sob a venda dos livros - e a precificação de acordo com as editoras. Assim, a Penguin, por exemplo, poderá determinar o valor de seu e-book e embolsará a maior fatia destas vendas. A consequencia pode agradar os editores, mas certamente não os clientes. Enquanto os lançamentos para Kindle custam U$ 9,99, na iBookstore o preço médio será entre U$12,99 e 14,99.

a briga é de cachorro grande. Em resposta à adesão da Macmillan, a Amazon suspendeu a venda de livros desta editora em seu site, tanto os impressos, quanto e-books. A atitude ganhou as páginas de jornais e divide especialistas. Uns acham que as condições da Apple beneficiam as editoras e, portanto, estimulam a concorrência e possibilitam a manutenção da qualidade. Outros acham que a Amazon está(va) usando e abusando de seu poder de barganha para impor suas próprias regras e que preços tão baixos poderiam "matar" o livro impresso.

esta é a apenas a primeira batalha de uma longa guerra. Espera-se que ainda este ano o Google também anuncie sua loja de e-books e a disputa só deve acirrar. Se, por um lado, vai ser difícil para a Apple bater o completíssimo acervo da Amazon, por outro, o iPad promete muito mais do que o Kindle. Ele é colorido; ele tem todas as funções de um computador; ele tem os aplicativos de iPhone; ele é touchscreen; ele tem e-mail; e, sim, ele custa mais caro (U$ 499). Mas ele é um Mac.


em dois meses, as primeiras versões começam a ser vendidas. Vocês vão ter que esperar um pouquinho até que eu tenha a oportunidade de testá-lo. Enquanto isso, o que acham? A Apple vencerá essa guerra com a mesma facilidade que venceu a eterna Mac vs PC?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

amazon


Se o Google é o rei da internet, a Amazon certamente é sua rainha. A maior varejista virtual dos Estados Unidos começou em 1997 com a venda de livros, mas de lá para cá, diversificou seus produtos que hoje incluem CDs, DVDs, video games, eletrônicos, brinquedos e até móveis.


Mas, para muitos, Amazon é sinônimo de livros. No meu caso, por exemplo, é uma excelente ferramenta de consulta. Qualquer pesquisa que eu faça sobre literatura estrangeira começa pelo site da Amazon. Além de conseguir dimensionar o tamanho da obra de um autor ou a percepção crítica de tal livro, o mais importante é que ela me dá uma noção da relevância daquele título. Afinal, não existir na Amazon, é como não existir por completo.


Pode ser que hoje eles vendam de tudo, mas a Amazon não nega sua origem. Maior prova disso foi o lançamento do Kindle, em 2007, que já ganhou a segunda versão, depois a DX e, finalmente, a internacional, no ano passado. Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, declarou mais de uma vez que o objetivo do Kindle é ser para o mercado editorial o que o iPod foi para a indústria fonográfica. O sonho parece muito mais palpável. No último Natal, pela primeira vez, a Amazon vendeu mais livros eletrônicos do que livros físicos.


O sucesso não deve parar por aí. Nos últimos dias, o Kindle DX (com tela maior e outras funções) também ganhou uma versão internacional e passará a ser comercializado para outros países. Este na verdade foi um dos poucos passos em falso que a Amazon deu na relação com clientes. Famosa por investir em satisfação do consumidor, frustrou a muitos com esta manobra fajuta de tentar forçar os donos de Kindle a trocá-lo por um modelo superior. Mas nada grave para os fãs da 'livraria' virtual.


E podem apostar. Este será o ano dos e-books.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

a experiência Kindle

Recentemente, fui convidada por um editor do Brasil Econômico a passar algumas semanas lendo apenas no Kindle e depois escrever sobre a minha experiência. Aceitei - e adorei - a proposta. O resultado sai na edição de amanhã do jornal, no caderno Outlook.
Para os leitores do blog, o texto, em primeira mão.
Bom fim de semana!
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Quando a Amazon apresentou ao mundo seu Kindle, o e-reader que supostamente mudaria a forma como nós lemos, quis ter o meu. Alguns dias depois da Amazon anunciar a versão internacional que funcionaria no Brasil, viabilizei a compra de modo que um amigo trouxesse dos Estados Unidos, uma vez que mandar entregar aqui significaria pagar mais que o dobro do valor do produto.

Ele, o Kindle, chegou e foi atração à primeira vista. O design é bacana, a leveza impressiona. E mesmo para quem viu surgir internet, TV a cabo e MP3, é impactante acreditar que aquilo possa ser o novo livro. De imediato, parei o que eu estava lendo - A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson - no segundo capítulo e comprei a versão digital do Kindle. O que significa dizer que troquei um calhamaço de mais de 500 páginas por algo da espessura de uma revista. Agora eu conseguiria ler até enquanto fazia as unhas, já que não precisaria virar as páginas.

A segunda boa descoberta foram as letrinhas que imitam papel. Se a desvantagem é ter de usar um foco de luz como qualquer livro normal, a leitura é de fato muito semelhante a de um livro normal, dá quase para esquecer que não é. O Kindle vem com uma carta de boas vindas do Jeff Bezos na qual o CEO da Amazon diz que o objetivo do aparelho é ser absolutamente imperceptível – ou seja, que o conteúdo seja de tal forma envolvente que você é capaz de esquecer em que está lendo. Lembrei que dos livros tradicionais. Há aqueles que parecem incômodos, difíceis de segurar, você não sabe bem o que faz com a orelha, e esses raramente são os bons livros.

Curtindo meu Kindle, fiz tudo o que tinha direito. Comprei jornais e não vi muita graça. O site do New York Times é muito mais rico do que a versão para Kindle. Fiz a assinatura experimental das revistas, testei o recurso de voz, aumentei e diminui as letras, inclui comentários, marquei páginas. O dicionário venceu como um dos recursos mais fantásticos. Poder consultar a definição do Oxford em apenas um clique é muito útil, principalmente com certos autores, como Faulkner.
A primeira frustração veio por causa de um velho hábito. Tenho essa mania de interromper a leitura apenas ao final de um capítulo, o que significa dizer que quando os olhos começam a fechar de sono, costumo folhear as páginas para ver o quanto falta para terminar e decidir se vou adiante. Isso até é possível no Kindle, existem as marcações de capítulo, mas os números de páginas seguem uma ordem peculiar e não dá para segurar com seu próprio dedo enquanto conta. Não é a mesma coisa. Depois veio a hora de escolher meu segundo livro digital. Tive a ideia de olhar a enorme pilha da mesa de cabeceira e procurar os livros que ali estavam na versão para Kindle. Primeira tentativa, Indigination, do Philip Roth, e nada. Aliás, nada do Roth. Sério? Insisti nos americanos. Eles têm alguns títulos do Paul Auster, outros do Gay Talese. Optei por John Updike, The Widows of Eastwick.

Você não encontra muitos dos livros que gostaria, principalmente em língua portuguesa. Esqueça Saramago, a biografia do Padre Cícero e esqueça até Rubem Fonseca – nada de O seminarista na Kindle Store. Certamente a quantidade de títulos disponíveis vai aumentar. Enquanto isso, dá para se divertir bastante com os americanos, ingleses, irlandeses e todos os outros de língua inglesa, a majoritária dentre os mais de 300.000 títulos. Mas, por enquanto, o Kindle é uma forma mais prática e moderna de carregar sempre um livro na bolsa e poder comprar outro quando eu bem entender – desde que seja em inglês, claro.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ele chegou!

Depois de meses de expectativa e algumas semanas de ansiedade, ele, o Kindle, meu Kindle, chegou. Inaugurei a leitura digital com The Girl Who Played With Fire, do Larsson, e um exemplar da The Economist.
Já com o Larsson os benefícios ficaram evidentes. Estava na metade da leitura do exemplar físico da edição brasileira, que tem algo em torno de 600 páginas, e agora tenho o conteúdo todo no levíssimo Kindle, em qualquer lugar. Ponto para mobilidade.
A compra do livro é tão simples quanto a Amazon diz ser. Depois de você cadastrar no site seu método de pagamento padrão - ou seja, o número do cartão de crédito -, basta acessar a Kindle Store do próprio aparelho e comprar ali mesmo, onde estiver, o livro, a revista ou jornal que quiser. Venda efetuada: em menos de um minuto todo o conteúdo está disponível. Ponto para praticidade.
A remessa do Kindle é tão simples quanto o próprio e-reader. O pacote contém o dito cujo, um carregador que é também cabo USB e um miniguia rápido. E só. O manual está todo dentro do Kindle, podendo ser consultado a qualquer momento. Ponto para modernidade.
A leitura é realmente confortável. A tela não emite luz, o que significa que, como com um livro, você precisa de iluminação para ler. Mas também significa que não cansa a vista. Li por mais de uma hora seguida e, de fato, no harm done. Ponto para conforto.
O dicionário que já vem no Kindle permite que, a qualquer momento da leitura, você pesquise o significado de uma palavra com apenas um clique. É possível também grifar passagens, fazer anotações e marcar a página - mas nem perca seu tempo, o Kindle sempre memoriza a página em que você parou. Ah, sim: e ele fala! O recurso text-to-speech é um verdadeiro narrador eletrônico. Bom para os leitores carentes, não? Ponto para experiência.
Ele te conquista. Seu Kindle já vem com uma carta em nome do Bezos, dando às boas-vindas. As maiores revistas do mundo estão disponíveis e com um período de duas semanas grátis, para experimentar. E para quem comprou o Kindle logo no início, antes da queda de U$ 20 no preço, a Amazon simplesmente reembolsou o valor sem que eu pedisse, no questions asked. Ponto para fidelização.
Last, but not least, ele é lindo, lindo, LINDO. Fininho, moderno, e a "tela de descanso" alterna belas imagens de grandes autores ou capas de livro. Ponto para design.
Se você ainda tinha dúvidas, sim, o Kindle é incrível.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

de vento em popa

O assunto do dia de hoje foram os resultados extraordinários da Amazon. A pontocom que vende de tudo, mas é famosa por seus livros, cresceu nada menos que 28% no trimestre que terminou em setembro, superando todas as expectativas do mercado. A perspectiva para o Natal também é excelente, tanto que suas ações subiram 13% hoje. Os bons resultados parecem mesmo ter sidos impulsionados pelo Kindle. Sem números oficiais, Jeff Bezos disse que o e-reader "se tornou o item mais vendido de todas as categorias da Amazon, tanto em unidades quanto em valor. É também o mais presenteado e mais 'wished'."
Também nesta semana, uma matéria do NYTimes aponta os adeptos de livros digitais como leitores mais vorazes. "A Amazon diz que as pessoas que usam o leitor digital Kindle compram 3,1 vezes mais livros do que antes de terem o dispositivo. Este número era de 2,7 em dezembro de 2008." indica a colega Claudia Montenegro, sempre atenta ao mercado editorial. Some-se a isso o recente anúncio da Barnes & Noble do Nook, considerado o mais forte concorrente do Kindle, cujo lançamento está previsto para novembro, e podemos dizer que esta foi, definitivamente, a semana dos e-books.
E ainda tem gente achando que eles representam o fim do mercado editorial...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

high-tech

Na semana passada, dois eventos simultâneos me fizeram pensar sobre o que lemos e quanto leremos.
A Feira de Frankfurt alimentou as esperanças até dos mais descrentes. Além da China, país cuja literatura não tem nenhuma tradição internacional, ter sido o país homenageado, roubaram a cena aqueles que representam o futuro do mercado editorial. De um lado, o Google e sua batalha pela criação de uma biblioteca eletrônica universal através da digitalização de títulos. Do outro, Amazon, Sony e, mais recentemente, Barnes & Noble, apostam suas fichas na vedete do momento, os e-readers.
Já o I Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing da The George Washington University, realizado nos dias 16 e 17 em São Paulo, era sobre O efeito obama. Não no sentido político, mas em referência às transformações que a campanha do atual presidente americano fez no campo da comunicação ao elevar o valor das redes sociais, internet e novas mídias. O crescimento de ferramentas como blogs, Twitter e Facebook há muito é reconhecido, mas foi a partir do "efeito obama" que passou a ser levado à sério e incorporado às estratégias empresariais e políticas ao redor do mundo.
Impossibilitada por um Oceano Atlântico de estar no primeiro, fui ao segundo por cortesia do Instituto Empreender Endeavor, um dos parceiros do evento. Mas, afinal, resta a questão. Estamos nos encaminhando para uma sociedade de mensagens rápidas, difusas, personalizadas e, consequente menos leitura? Todo texto que tenha mais de três linhas será grande demais para ser comunicado, na mesma medida em que um debate político pode ser duradouro demais para ser assistido? Ou é exatamente o oposto, e as tecnologias funcionarão como suporte para a democratização da leitura (Google) e facilitação do ato de ler (e-readers)?
Talvez as duas coisas. Provável que uma saída para a enorme quantidade de informação a que somos expostos diariamente seja a condensação das mesmas. Assim, só paro para dedicar uma hora de leitura ao que realmente me interessa, enquanto posso ficar a par de todo o resto com uma passada de olhos no Twitter, em cinco minutos. Na edição deste sábado, a Veja entrevistou o criador do Twitter, e ele disse que uma das grandes vantagens do microblog é o fato deste ser unilateral. Ou seja: ao contrário do e-mail, do telefonema e até do Facebook, ninguém espera de você uma resposta. Podemos ser twittadores passivos, ufa, um respiro. Já William Bonner confessou no mesmo final de semana à Marília Gabriela que gosta do Twitter porque lá ele pode não ser sério. Outro alívio.
Serão as novas mídias um escape para a avalanche cotidiana ao mesmo tempo em que são um refúgio para quem ainda quer, no meio de um aeroporto lotado, parar e ler um livro que cabe no bolso?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

dia das crianças antecipado

Na véspera do anúncio mais esperado da literatura, uma boa notícia aos leitores do mundo inteiro. É que amanhã a organização do Prêmio Nobel divulga o vencedor da categoria Literatura de 2009. Entre os mais cotados estão o israelense Amós Oz, a argelina Assia Djebar e os americanos Joyce Carol Oates e Philip Roth.


Mas quem fez o grande anúncio hoje foi Jeff Bezos, diretor executivo da Amazon. A pontocom mais famosa do planeta lançou a tão esperada versão internacional do Kindle. O leitor eletrônico, até então vendido apenas nos Estados Unidos, passa a estar disponível para mais de 100 países, incluindo o Brasil.


Se antes podia-se comprar o aparelho lá fora, sua função mais bacana não funcionaria aqui - o download de conteúdo (livros, revistas e jornais) através de uma rede sem fio. Agora isso será possível também para nós. A Kindle Store, loja do conteúdo digital, já tem mais de 290 mil títulos em inglês. E quem não perdeu tempo foi O Globo, pois o jornal saiu na frente e será um dos veículos internacionais disponíveis para leitura no Kindle.


A aposta em outros países faz todo sentido. Segundo Bezos, atualmente o Amazon vende 48 títulos digitais para cada 100 livros físicos. Nada mal para quem não botava fé nos e-books.


Esta versão do Kindle já está à venda por U$ 279 plus taxes, claro. Pronto. Escolhi meu presente de Dia das Crianças.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Made in China

A Amazon que se cuide, porque a China parece também querer uma fatia do mercado dos leitores de e-book.

Em uma feira de Digital Publishing, em Tokio, a empresa Peking University Founder revelou um protótipo do que será seu novo aparelho, comercializado a partir do final do ano.

Qualquer semelhança é mera coincidência, garantem os porta-vozes da Peking, que dizem não haver relação entre o Kindle 2, da Amazon, e seu e-reader. Se o lançamento vai abalar as vendas do maior site de varejo do mundo, é cedo para dizer. O fato é que o e-reader chinês promete trazer também conexão de celular, através de um SIM card, coisa que o todo-poderoso Kindle ainda não faz. E é também verdade que a Amazon resolveu baixar o preço de seu e-reader para U$ 299, bem quando o modelo chinês foi anunciado com a promessa de custar algo em torno de U$ 210...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Kindle DX

Parece que a Amazon está mesmo disposta a fazer com a leitura o que o iPod fez com a música: desconstruir o formato como a concebemos.

Os investimentos em seu e-reader, leitor digital, não param - e olha que ele continua só disponível nos EUA. Menos de três meses depois de lançar o Kindle 2, versão melhorada do aparelho, a Amazon anunciou hoje um terceiro modelo. O principal diferencial do Kindle DX é o suporte a livros didáticos e a documentos (inclui leitor de PDF). A tela também ganhou um upgrade de tamanho: de 15 para 24 cm, 250% a mais, tudo para tornar a leitura mais confortável.

Com o lançamento a Amazon espera incentivar estudantes a usarem o Kindle. Para isso, já conseguiu parceria com três grandes editoras de livros didáticos - Cengage, Pearson, John Wiley - que se comprometeram a disponbilizar seu conteúdo em versão eletrônica. Universidades como Arizona State, Princeton, Reed College e University of Virginia estão desenvolvendo programas experimentais que inclui a distribuição dos aparelhos para alguns alunos do próximo período letivo.

O Kindle DX começa a ser vendido em junho pela bagatela de U$ 489. Se cuida, Jeff Bezos - com esse preço vai ficar difícil popularizar o leitor digital...

sábado, 18 de abril de 2009

Kindle 2, test-reading

Finalmente consegui um Kindle 2 - aquele leitor de livros digitais da Amazon - para brincar. Quer dizer, testar...

Ele é lindinho e, assim, à primeira vista, é capaz de conquistar a atenção de qualquer e-lover. É também absolutamente supreendente, mas ainda tem alguns pontos a melhorar.
Por partes.


A favor:

O Kindle 2 tem um design super bacaninha. É branco na frente e prata fosco atrás, quase como um dos primeiros iPods videos. Além disso é consideravelmente leve (290g) e muito, muito fino, tanto quanto revistas;

A leitura na tela é muito agradável. O fundo cinza em cima do qual as letras são aplicadas (em vez do branco como no computador convencional) facilita a visualização, aproximando mais a qualidade a de um papel impresso. A tela também não emite luz, por isso não cansa a vista em leituras longas. A semelhança com uma página de livro é impressionante - chegamos a ver as ranhuras da fonte;

O feature de dicionário é muito bom. Para qualquer palavra que você clique, imediatamente aparece a definição do The New Oxford American Dictionary no rodapé;

É possível fazer anotações e grifos ao longo do texto;

O Kindle 2 também armazena música, para quem gosta de ler com trilha sonora ao fundo;

O mais bacana é que a cada e-book comprado, a Amazon faz um backup da sua biblioteca para você (que inclui as suas marcações no texto). Por isso, caso um dia perca o Kindle, é só fazer o download de todos os títulos.


Contra:

A tela ainda poderia ser um pouco maior, principalmente considerando o tamanho dele. Há muito espaço sub-aproveitado (com as teclas);

O tamanho dele não é dos mais confortáveis para muito tempo. Não é nem grande o bastante para segurar com as duas mãos, nem pequeno o suficiente para uma só;

O joystick para navegar no menu e a tecla de virar páginas já são um pouco ultrapassadas. Talvez, com a tecnologia touchscreen fosse mais rápido operar e ainda permitiria aumentar o tamanho da tela;

As imagens são em preto e branco, o que prejudica certos livros - com caderno de fotos, ou livros de arte, por exemplo;

E não que o Kindle seja difícil de mexer, mas também não é dos aparelhos mais user friendly do mercado.


Muitos vão dizer que a experiência de ler um livro é muito física e pessoal para ser digitalizada. Preferências à parte, os amantes da leitura devem lembrar que, com um único Kindle você consegue carregar para onde quiser mais de 4.000 livros diferentes.


Mas o principal é que os features que diferenciam o Kindle 2 de outros e-readers não estão disponíveis fora dos EUA: compra de livros direto do site da Amazon, em qualquer lugar, sem depender de internet, em menos de 60 segundos; acesso aos grandes jornais e revistas.


Além disso, mesmo que seja possível comprar os livros eletrônicos no site da Amazon e fazer a transferência usando um cabo usb, a loja do Kindle só aceita cartões de créditos emitidos nos EUA, portanto, para nós, nada feito. Temos mesmo que esperar. E torcer para que, até chegar ao Brasil, o Steve Jobs já tenha resolvido fazer um iKindle...

quarta-feira, 4 de março de 2009

iBook?

Revirando o mercado pela segunda vez este ano, a Amazon vai começar a vender seus e-books para os popularíssimos aparelhos da Apple, iPhone e iPod Touch. A partir desta semana, os usuários podem baixar o software Kindle para iPhone e iPod Touch no site da Apple e passarão a ter acesso aos mais de 240.000 títulos eletrônicos à venda, incluindo alguns best-sellers.

Quando questionada sobre o que a nova oferta faria com as vendas de seu leitor de livros digitais, o Kindle, a Amazon justificou que enxerga o iPhone como um produto complementar, e que os smartphones serão utilizados apenas para leituras rápidas, como em filas de supermercado. Segundo eles, para longas leituras as pessoas preferem os aparelhos próprios, com mais duração de bateria e tela confortável. Para Ian Freed, vice-presidente da Amazon, o iPhone pode funcionar como plataforma de impulso para as vendas de e-books em geral e, consequentemente, do próprio Kindle.

A iniciativa promete mesmo aumentar o número de leitores de e-books, já que hoje existem pelo menos 15 milhões de iPhones no mundo. Ao menos servirá como experimentação, enquanto nos acostumamos com a possiblidade da leitura digital.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Amazon x Authors Guild

Depois da esperneada que o Authors Guild deu sobre a nova função do Kindle 2 - de reproduzir o texto em áudio -, a Amazon decidiu recuar. Na sexta-feira, a criadora do Kindle anunciou que os detentores de direito passam a poder decidir, título por título, se suas obras com versões digitais vem com tal função. Assim, fica a critério das editoras e autores optarem como preferem proceder diante desta nova ferramenta. Justo, não?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

De volta ao Kindle

Dia 9 de fevereiro a Amazon anunciou o Kindle 2. Para quem ainda não conhece, o Kindle é um aparelho leitor de e-books. Ou seja, um eletrônico mais ou menos do tamanho de um palm-top que armazena versões digitais de livros e permite que o usuário leia quando e onde quiser. Por enquanto, o bichinho só está à venda nos Estados Unidos – até porque é preciso ter um sistema sem fio para baixar os livros – mas o lançamento na Europa está previsto para este ano, o que significa que não deve demorar a chegar à América Latina.

Apesar de preferir ler impresso, gostaria muito de experimentar o Kindle. Mais do que isso, aplaudo a iniciativa, que não só moderniza como estimula a literatura, já que estamos lidando com gerações criadas na era digital. Aí voltamos a tal versão 2. A maior parte das novidades fica a cargo das evoluções tecnológicas que qualquer aparelho sofre: ficou mais leve, mais prático, mais friendly, mais tudo. E ficou mais ousado também. O Kindle 2 vem com uma função que reproduz o texto em áudio, ou seja, a máquina lê o livro para você. Muito bacana se considerarmos os ganhos para deficientes visuais, mas a organização norte-americana The Authors Guild levantou uma bola que não pode ser desprezada. A leitura do texto transforma o e-book (livro digital) em áudio-book, aquele cujo avô era em fita cassete, e cujas vendas representaram nada menos que U$ 1 bilhão em 2007. A questão esbarra nos direitos autorais, constante “estraga-prazeres” da indústria tecnológica. Segundo eles, os autores devem se precaver ao vender direitos de e-books daqui pra frente e contemplar essa possibilidade, que deve significar mudanças no contrato. A discussão sobre e-books x áudio books ainda vai longe. De qualquer forma, sabemos que aqui no Brasil as coisas chegam depressa, vale o alerta para autores e editoras: não dá para ignorar o Kindle, mas pode ser possível usá-lo a seu favor.