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sexta-feira, 28 de junho de 2013

cinco anos depois

se alguém me dissesse, há cinco anos, que 29 de junho seria um dia marcante na minha vida, ainda não saberia bem porque. era um domingo de sol, dia seguinte ao casamento de uma das minhas primas mais queridas, e eu arrumava algumas malas e sacolas no meu carro para pegar a estrada rumo a Sp. de lá pra cá, essas "algumas malas" viraram uma casa com eletrodomésticos, móveis, louças, objetos de decoração; esse carro virou bicicleta e essa prima, a mãe de um menino lindo. naquele dia, eu achava que estava apenas mudando de cidade. cinco anos depois, eu sei que estava, na realidade, dando um dos mais significativos passos em direção a minha própria vida. 

lembro dos meus avós se despedindo na garagem, ela, em prantos, como se eu estivesse indo para a guerra - uma batalha, talvez. lembro de, ao chegar na cidade, me perder na marginal tietê, numa época em que gps e smartphones não eram tão comuns. lembro da primeira noite depois do trabalho quando a geladeira não tinha automaticamente se reabastecido. lembro de começar do zero: novas amizades, novos bares favoritos, novo dentista, nova rotina. 

conversando com uma amiga sobre esses cinco anos, ela comentou como o tempo passara rápido. para mim, a sensação é de muito tempo. acho que vivi várias vidas, nesses cinco anos. vi gente chegar e ir embora, restaurantes abrirem e fecharem, vi a cidade parar com o trânsito e até, quem diria, com a população lutando por um país melhor. 

hoje, sei que esta época, dure mais quanto durar, será sempre um capítulo fundamental da minha história. e que o dia 29 de junho nunca mais será apenas um dia qualquer: é o dia em que eu fiz uma escolha; e das boas, porque, cinco anos depois, continuo apostando nela.  


quarta-feira, 26 de junho de 2013

cariocas não gostam de dias nublados

há três dias, Sp está cinza. chove e faz frio o dia inteiro, sem parar, e, como se não bastasse, o final de semana no Rio também foi cinza. tem alguma coisa no tempo fechado, nos dias escuros, que afeta diretamente o humor de nós, cariocas. acho que tem a ver com o hábito de uma vida inteira acordando ao sábados e espiar pela janela para ver se ia dar praia. de quem não sabe o que é inverno e acha 20 graus frio, de quem tinha um par de botas, em vez de cinco, e nenhum de meia-calça. ou talvez seja só uma pirraça, um mimo de quem cresceu acostumado a uma cidade ensolarada e colorida. 

particularmente, não me importo com o frio, acho até gostoso um dia geladinho e azul, apesar do ar seco que costuma castigar Sp nos invernos. mas a combinação de frio e chuva, aquela chuva que permanece é difícil. o jeito é aproveitar as nossas companhias favoritas, abrir um vinho, um livro, tirar o atraso dos seriados e do cobertor. 

o inverno chegou. 


terça-feira, 7 de maio de 2013

apaixonando-se pela cidade

nesse tempo que moro em Sp, vi muita gente ir e vir. amigos do Rio que vieram, amigos que voltaram, amigos que fiz aqui e foram morar fora, ou voltaram para suas cidades natais. e a migração continua - nos dias de hoje tenho tido a sorte de ver até primas crescendo e experimentando a selva paulistana. agora, uma colega de trabalho e também amiga está no processo de uma possível transferência de Buenos Aires para cá. e como diria minha chefe, nossa missão é faze-la se apaixonar por Sp. 

percebi que, de um jeito ou de outro, sempre assumi esse papel com as dezenas de pessoas a quem conheci durante a adaptação. não que eu tenha me apaixonado tão facilmente assim, mas por alguma razão sempre fui mais receptiva ao novo, e foi assim também com a nova cidade. Sp me conquistou aos poucos, devagarzinho, mas atualmente me vejo morando em pouquíssimos outros lugares fora daqui. adoro ter vários debates por e-mail com minhas amigas a cada quinta-feira, quando saímos juntas, apenas para decidir o destino. são tantas opções, tantos estilos, que fica até difícil (mas delicioso) escolher. também adoro que já tenha visto esse mesmo grupo se transformar ao longo dos anos, enquanto umas iam embora, as outras sempre acolheram as que chegavam. adoro ir ao show do The Killers em um final de semana, assistir o Rei Leão (musical da Broadway) no seguinte, não conseguir ingresso para a exposição de Game of Thrones e conhecer um restaurante novo a todo momento. sobretudo, gosto da relação que você tem com a cidade, para o bem ou para o mal. ela existe, você faz parte dela e está ciente disso a todo momento. no Rio, como bem me colocaram outro dia, a sensação é de um cenário. o Rio é lindo, está lá, mas o carioca não se relaciona com a cidade - ele apenas vive nela, feliz e desapercebido, até o dia em que se muda. 

acho que Sp muda você, para sempre. muito antes de vir pra cá, lembro de uma moça que trabalhava comigo contar de sua experiência por seis anos aqui. ela era do Sul e passou uma temporada paulistana antes de ir para o Rio: foram os anos em que estive mais branca, bêbada e gorda, mas mais feliz

como toda grande cidade, Sp não é feita de um grande grupo, mas de vários pequenos nichos. é preciso encontrar o seu cantinho e se deixar... apaixonar. 



sexta-feira, 26 de abril de 2013

registros de um Outono paulistano

ao melhor estilo Game of Thrones, a reincorporação das meia-calças, lenços e botas ao guarda-roupa não deixa mentir: winter is coming. mas antes dele, vem minha estação favorita. há duas semanas, os dias amanhecem lindos em São Paulo, sol brilhando em um céu impecavelmente azul. a caminhada para o trabalho é acompanhada por uma brisa gostosa e você pode programar o dia sem medo das tempestades de verão. para melhorar, os dias terminam com um por do sol que faz todo mundo grudar no vidro do escritório e, pasmem, admirar a cidade. aí a noite mais fresquinha embala o sono debaixo das cobertas.

talvez ajude o fato de ser época do meu aniversário, talvez seja mesmo uma estação adorável. de um jeito ou de outro, resolvi compartilhar alguns momentos desse primeiro mês de outono e, quem sabe, deixar você no mesmo estado de espírito. bom final de semana!

Café da manhã outdoor no escritório

Temporada de Tulipas, minhas flores favoritas
Brunch em casa num sábado mais friozinho

Estação dos casamentos: seis! 

Pôr-do-sol


E passarinhos na janela de casa :) 

terça-feira, 26 de março de 2013

marcos e marcas

ao longo da vida, alguns acontecimentos se tornam marcos de um período específico. há os mais tradicionais - formaturas, aniversários, batizados, bodas - mas também existem pequenos momentos que nos fazem perceber a presença de uma pessoa, uma época ou uma cidade na nossa história. no ano em que completo cinco morando em Sp, várias coisas não me deixam esquecer o quanto essa meia década representa. 

no último sábado, fui ao meu terceiro casamento paulistano - e já tem mais dois em perspectiva. pode parecer um pouco óbvio - você mora em Sp, é convidada para festas aí - mas toda vez que comento com alguém que tenho um casamento para ir escuto a pergunta "ah, no Rio?". ser convidada para ocasiões como esta é a evidência mais forte de pertencer a círculos sociais locais. 

enquanto isso, em uma esfera mais burocrática, chegou a hora de renovar minha carteira de motorista. fiz a última renovação logo antes de mudar pra cá, o que é um lembrete dos cinco anos passaram-se  e, agora, preciso transferir minha habilitação de estado. até hoje, me recusei a trocar o título de eleitor (muito mais por medo de ser mesária do que por uma questão de princípios), mas já tenho passaporte e carteira de identidade made in Sao Paulo

e finalmente, talvez o marco mais importante de todos: neste final de semana, completo meu quinto (número mágico?) ficando na cidade. isto significa sem ponte-aérea, sem escapadinha para a praia, sem qualquer outra viagem. se eu fico mais porque tenho programas e compromissos como estes, ou se tenho os tais programas e compromissos porque fico mais, ainda não sei dizer. a verdade é que todo marco deve seria ser propriamente reconhecido - e comemorado.

cheers to that.


domingo, 17 de março de 2013

a pizza nossa de cada domingo

sou à favor de rituais e tradições. acho que eles nos ajudam a celebrar pequenos momentos do dia a dia, ao mesmo tempo em que criam uma expectativa saudável. as tradições não precisam ser eternas, elas podem ser reinventadas, adaptadas e, às vezes, até substituidas, dando lugar a novas. uma das tradições paulistanas que adotei é a pizza de domingo. desde a infância, domingo à noite tende a ser o momento mais deprê da semana. aquele gostinho amargo das horas livres chegando ao fim e a breve volta à rotina, a sensação de que os finais de semana deveriam durar mais do que dois dias...

por isso, nada melhor, mais aconchegante do que jantar uma boa pizza. com amigos, a dois, acompanhada por um vinho ou coca-cola, o importante é que tenha pizza. e a verdade é que Sp tem algumas das melhores pizzas do país - talvez do mundo -, de todos os preços, pra todos os bolsos. aqui, aprendi que pizza deve ser temperada com azeite, e não ketchup (talvez não exista hábito carioca que mais irrite o paulistano do que esse), exceto quando ela for muito vagabunda, aí vale tudo. em homenagem a esta pequena tradição, resolvi compartilhar minhas pizzas favoritas de Sp:

para pedir em casa...

* A Esperança - melhor Margherita da cidade, sem sombra de dúvidas

* Bráz - Funghi ou Caprese, pra mim tanto faz

* Camelo - todas fininhas, sou fã da quatro queijos

* 1900 - tradicionalíssima

...e para sair

* Veridiana - clima de bom papo, ótima adega de vinhos

* Margherita - também super tradicional, a pizza homônima é campeã

* Casa Pizza - o ambiente imita uma casa, com quarto, sala, cozinha. ótima para ir em grupo

* I Vitelloni - os azeites de vários sabores são uma atração a parte

* A Tal da Pizza - possivelmente a mais cara da cidade, mas vale a visita

* Quintal do Bráz - instalada em um casarão charmoso e arborizado

e, assim, mais um domingo acaba em pizza. boa semana a todos.

Toscana + Caprese da Esperança, a pedida da noite


quinta-feira, 7 de março de 2013

restaurante ou balada?

(disclaimer carioca: balada é o paulixtês para night, adaptação regional para o post)

uma das novas manias da noite paulistana são os restaurantes-balada, nome que eu deliberadamente atribui para este tipo de lugar. na teoria, são restaurantes, desses com hostess na porta, fila de espera - e bota fila nisso -, mesas, guardanapos de pano, cardápios e garçons. mas na prática, o clima é de balada. música alta (muitas vezes com DJ), sofás de quatro lugares comportando grupos de 10, garrafas de vodka e champagne em cima das micro-mesas, pessoas de pé que formam um verdadeiro obstáculo para chegar ao banheiro. 

o primeiro deste tipo que fui é o Brown Sugar, assim mesmo, como na música do Stones. depois veio o Brasserie des Arts, de algum lugar em Saint-Tropez - paulistanos adoram isso - e, mais recentemente, chegou por aqui o Bagatelle, que há algum tempo faz sucesso no Meatpacking District. da última vez que tentamos ir ao Bagatelle, em plena quinta-feira, às 20h, havia mais de duas horas de fila de espera, o que nos fez desistir. agora, estou planejando conhecer o Louis, filial de Miami - eu disse que paulistano gosta disso. o curioso é que, no próprio site, o lugar se define como ponto pré-balada. estranhei muito como, aqui em Sp, as pessoas saem para jantar - e beber - em um lugar badalado (leia-se caro) antes da tal balada propriamente dita. ou seja, na melhor das hipóteses, sua noite já parte de R$150/R$200. já no Rio, muitas vezes essa sequer é a conta total. se a proposta é sair pra dançar, ou ir pra night, como nós cariocas dizemos, então a pré (e não esquenta) pode até ser um barzinho, mas nada muito além disso. 

a verdade é que, possivelmente, um lugar desses não teria demanda suficiente para lotar todos os dias no Rio, que dirá varios diferentes ao mesmo tempo. não canso de me espantar com a quantidade de restaurantes, bares e boates em Sp, todos sempre ulta-movimentados, a tal ponto que criei uma regra: se chegar em um lugar com menos de 15 minutos de espera nos horários de picos, pode ir embora, certamente não é bom. e o mais impressionante é que não param de abrir novos lugares. desde que me mudei, ainda estou tentado conhecer os mais tradicionais, aí tem sempre um do momento que me pega e pronto. isso porque nem saio muito do eixo itaim-jardins. 

justiça seja feita: se nada bate um belo dia ensolarado no Rio de Janeiro, as noites paulistanas não deixam a desejar.

Moscow Mule no Brasserie - drink favorito de Sp

Brown Sugar e Rolling Stones all the way

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

verão: a estação que não combina

no verão, é mesmo mais difícil gostar de Sp. 

durante a semana, o calor é sempre sinônimo de grandes temporais que dão um nó na cidade, alagam tudo e tornam a volta para casa infernal. a última quinta-feira foi um desses dias. por volta das 6 da tarde, aniquilando os planos do nosso grupo de corrida para o parque do povo, o céu desabou. a esquina da faria lima com a rebouças, entre tantos outros lugares, ficou debaixo d'água, e bastava olhar pela janela do escritório para saber que tentar sair naquela hora seria uma péssima ideia. mais tarde, já sem chuva, voltei caminhando para casa por vários trechos ainda sem luz - nunca entendi direito porque, mas em Sp falta luz com muita frequência - e pior: na sexta-feira a história se repetiu, só com um pouco menos de intensidade. 

aí, no final de semana, você não sabe bem o que fazer com o sol. está muito quente para arriscar uma corridinha, ou até andar de bicicleta, e muito quente para ficar trancado dentro de casa. o jeito é vestir uma roupa fresquinha e tomar cerveja gelada - se for num churrasco, como nesse sábado, melhor ainda. uma brasileira que conheci desta vez em Ny, me contava como também considera a estação mais difícil da cidade. segundo ela, qualquer tentativa de amenizar o calor senegalês de manhattan em agosto é cara: paga-se 100 dólares por um dia de piscina, ou pequenas fortunas por um final de semana nos hamptons. por aqui não é muito diferente. o jeito é escapar para uma pousadinha no litoral norte e torcer para não chover. 

verão é sinônimo de biquini. de havaianas. de pé na areia. se é para estar na cidade, prefiro outras épocas do ano. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

de onde você é?



já reparou como quase ninguém que você conhece em nova york é de fato novaiorquino? a mesma dificuldade existe para encontrar um paulistano - veja bem, não paulista - em Sp. mas no rio a realidade é completamente diferente. me lembro de pouquíssimas pessoas de fora do estado no colégio, na faculdade e até nas empresas por onde passei. para nós, cariocas, essa vida em roaming não é tão comum como pode parecer. talvez por isso um episódio recente tenha me marcado tanto. semana passada, durante minha estada em ny, estava em uma loja experimentando alguma coisa quando a vendedora, estranhando o sotaque, perguntou o famoso - where are you from. 

há poucos anos, minha resposta teria sido simplesmente Brasil, mas ultimamente isso não é mais suficiente para os gringos. eles querem saber de onde neste tal país-que-está-na-moda, portanto, me acostumei a responder direto a cidade - Rio - e receber um grande sorriso de volta. só que nesse dia, compenetrada no vestido que estava prestes à provar, aleatoriamente - e para completo choque das minhas duas amigas cariocas - saiu São Paulo. antes que vocês me julguem, pensem se os moradores de ny não respondem que são... de ny. mesmo que não originalmente. pois eu moro há cinco anos em Sp, minha casa é aqui, meu trabalho é aqui, meu voo pousa em guarulhos. será mesmo que é tão estranho assim ter respondido isso? talvez não. mas que foi uma surpresa, ah, isso foi.


sábado, 19 de janeiro de 2013

sábado na Vila Madá


para nós, cariocas, é difícil admitir. mas a verdade é que existe vida aos finais de semana para além da praia. o sábado amanheceu ensolarado e pedia um belo passeio ao ar livre. mas dessa vez - em parte obrigada por uma crise de laringite - troquei o exercício físico do parque e das ciclofaixas por um programa diferente: uma tarde cultural na Vila Madalena.

a ideia começou para participar de um tour a pé pelas artes de rua e galerias da Vila, o PasseiÔ Conexão, projeto super bacana da minha amiga, Manu Colombo. guiados por ela, percorremos pontos da cidade que são coloridos pelo grafite, conhecemos galerias e lojas de decoração - sim, na última não resisti e levei um poster pro meu quarto. e lá se foram os planos de renovar as plantas da casa...








depois, um almoço bem paulista no Bar do Betinho - feijoada no boteco. é um hábito da cidade comer feijoada aos sábados (ou, como eles gostam de dizer, de sábado). como estamos em janeiro e, afinal, é verão em Sp, o dia terminou chuvoso. mas não antes de um último passeio pelas lojas do bairro, que são deliciosas e convidativas, de guarda-chuva e tudo - me lembro de ter mencionado que este é um item essencial para a vida em Sp. 



e aqui fica um desejo de mais sábados diferentes em 2013. enquanto isso, um bom domingo a todos!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

o natal dos expatriados

poucas pessoas gostam menos de natal do que eu. por inúmeras razões, a data nunca foi das minhas favoritas. mas se dizem que o natal deve ser celebrado com a família, não há melhor desculpa para reunir a família paulistana.

Com comida tradicional...

...e nem tão tradicional assim

a ideia surgiu em 2011: convocar cariocas, gaúchos, mineiros, paulistas do interior, e todo mundo que mora longe das famílias, para uma noite a que chamamos Natal dos expatriados. afinal, durante o ano, são essas pessoas que fazem companhia no jantar e também no hospital, quando preciso; frequentam sua casa, preparam uma festa surpresa no seu aniversário; só andam com GPS em Sp, mas sabem seu endereço até de madrugada, ou tem uma cópia da chave.

             


muitas, ainda não se conhecem. outras, já ouviram muito falar de algumas tantas - "ah, você que é a fulana...". a verdade é que, depois dessa noite, todos ficam um pouquinho mais próximos, e, assim, a família vai crescendo.

Co-anfitriãs

esta foi apenas a segunda edição, mas aqui fica a minha torcida para que já tenha virado uma tradição.

Feliz Natal.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

já é verão em Sp

não sei dizer se de fato as temperaturas têm andado mais altas, ou se eu já moro em Sp há tempo suficiente para ter esquecido o que é calor de verdade. o fato é que essa cidade anda tão quente que, pela primeira vez em cinco anos, estou de fato considerando comprar um ar condicionado. 

você sabe que o verão chegou em Sp quando as manhãs começam com aquela névoa branca que anuncia um dia de calor e, aos poucos vai se dissipando, dando lugar a um céu azul e uma sensação de sauna seca. aí, lá pelas quatro, cinco da tarde, como se o trânsito já não fosse confuso o suficiente, o dia vira noite e a tempestade traz temperaturas mais amenas. mas por alguma razão, este ano as noites não têm ficado mais frescas, o que me faz quase sentir, por alguns momentos, de volta no Rio. 

isso dura só o tempo suficiente de lembrar como é o verão carioca. daqueles dias em que você mal consegue andar da sua cadeira de praia até o mar sem queimar os pés, ou quando você deixa o ar ligado no quarto para conseguir se vestir depois do banho sem suar. daquelas semanas que você passa inteirinhas sem conseguir vestir uma calça jeans, ou comendo só coisas leves porque seu corpo não parece capaz de digerir nada além disso. 

e assim, um pouco mais quente do que o normal, vai começando o meu quinto verão paulistano. e há cinco coisas que aprendi sobre eles:
  • a ponte-aérea fica insuportável - e cara. com essas pancadas de chuva no final do dia, Congonhas fecha, os voos atrasam e a viagem de 45 minutos pode levar 3 horas. ah. e é bom você já ter comprado as passagens até o Carnaval se não quiser pagar preços abusivos. 
  • nunca guarde seus casacos (ou "blusas", em paulistês) lá em cima do armário. quando você menos espera, no meio de janeiro, uma frente fria é capaz de levar as temperaturas para 15 graus. 
  • assuma o lado paulistano que existe em você e desça para a praia. mas faça isso depois das 23h na sexta-feira se não quiser ficar horas no trânsito. 
  • uma chuva de 20 minutos é capaz de provocar alagamentos históricos, verdadeiras correntezas nas ladeiras e, como que em um passe de mágica, logo depois a água desaparece. até hoje não entendi onde ela vai parar.  
  • você vai começar a fazer dietas para o verão e será uma das pessoas a integrar a superpopulação que lota as academias a partir de outubro. acontece que, como no Rio todo final de semana você está na praia e usa vestidos e saias o ano inteiro, sempre achei muito esquisita essa preparação pré-estação. hoje, aderi completamente. 
um bom verão a todos!

28 graus à noite e tempestade todos os dias