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sábado, 19 de janeiro de 2013

sábado na Vila Madá


para nós, cariocas, é difícil admitir. mas a verdade é que existe vida aos finais de semana para além da praia. o sábado amanheceu ensolarado e pedia um belo passeio ao ar livre. mas dessa vez - em parte obrigada por uma crise de laringite - troquei o exercício físico do parque e das ciclofaixas por um programa diferente: uma tarde cultural na Vila Madalena.

a ideia começou para participar de um tour a pé pelas artes de rua e galerias da Vila, o PasseiÔ Conexão, projeto super bacana da minha amiga, Manu Colombo. guiados por ela, percorremos pontos da cidade que são coloridos pelo grafite, conhecemos galerias e lojas de decoração - sim, na última não resisti e levei um poster pro meu quarto. e lá se foram os planos de renovar as plantas da casa...








depois, um almoço bem paulista no Bar do Betinho - feijoada no boteco. é um hábito da cidade comer feijoada aos sábados (ou, como eles gostam de dizer, de sábado). como estamos em janeiro e, afinal, é verão em Sp, o dia terminou chuvoso. mas não antes de um último passeio pelas lojas do bairro, que são deliciosas e convidativas, de guarda-chuva e tudo - me lembro de ter mencionado que este é um item essencial para a vida em Sp. 



e aqui fica um desejo de mais sábados diferentes em 2013. enquanto isso, um bom domingo a todos!

domingo, 25 de novembro de 2012

Rio de sol, Rio de chuva

dessa vez, foi quase uma epopeia chegar ao Rio. entre voo perdido e ficar presa para fora de casa, quase desisti. mas atravessando a Delfim Moreira sob o sol de sábado, sobrava certeza que tudo tinha valido a pena. o sábado foi perfeitamente carioca: amigos na praia, mate gelado, chope no Bar Lagoa e a chuva só apareceu depois das 6 da tarde. em dias como esse, minha alma canta - e eu sei que não preferia estar em nenhum outro lugar do mundo. no papo da praia, uma amiga contava dos planos iminentes de se mudar para a Europa, atrás de uma proposta de trabalho. com toda a excitação da novidade, uma voz no fundo dizia "você só pode estar louca de pensar em deixar isso aqui pra trás". aí uma voz muito mais consciente me lembra: quem é você pra dizer isso. não há nada mais perfeito do que um sábado carioca. 



mas a mesma chuva que chegou na hora certa, não parou, e o domingo amanheceu cinzento, daqueles dias perfeitos para ficar em casa. só que a minha casa, hoje, está lá do outro lado da ponte-aérea. então parei para me perguntar o que se faz mesmo quando chove no Rio? preguiça na cama? um filme na TV? almoço no fim da tarde? parece que ausência de sol muda a vida da cidade. as fotos orgulhosas somem do Instagram e as pessoas somem das ruas. quase que como num ato de protesto contra São Pedro, claro, por ter aprontado uma dessas em pleno domingo. definitivamente, cariocas não gostam de dias nublados. 


domingo, 11 de novembro de 2012

sábado paulistano

no topo da lista de dificuldades no processo de adaptação dos cariocas a são paulo, diria que está o final de semana. durante a semana, os dias passam rápido, ocupados pela correria do trabalho e outros afazeres - academia, cursos, etc - e terminam quase sempre fora de casa. das primeiras coisas que me impressionou nessa cidade foi o fato de chegar em um bar ou restaurante em plena terça-feira e encontrá-lo cheio. isto se torna, inclusive, um parâmetro de qualidade dos lugares: se o novo-restaurante-do-momento não tiver, no mínimo cheio, pode ir embora. o serviço não presta, a comida é fraca ou os pratos estão overpriced.

mas é no final de semana que o carioca sofre. se chove, é porque "no Rio com certeza está sol"e se faz sol, "ah, como eu queria estar no Posto 12...". os paulistas, por sua vez, não conseguem entender essa nossa obsessão com a praia - "e você ia todo final de semana?", perguntam. na verdade, ia quase todo, mas a questão não é bem essa. a praia tem uma função social e psicológica na vida do carioca. você precisa saber que ela está lá, a alguns minutos de carro, bicicleta, ônibus, ou, para os mais sortudos, a pé. ir à praia não exige grandes planejamentos, nem grana, e pode perfeitamente ser o único programa do final de semana.

na ausência da praia, Sp exige um esforço e uma série de escolhas. onde vamos comer, com que grupo de amigos, em que região. vamos gastar um pouco mais e tomar uma garrafa de vinho rosé no almoço seguido de comprinhas no bairro? ou vamos comer um lanche (paulistês para sanduíche) na Frutaria, depois de um passeio de bike no Ibirapuera? para mim, é uma combinação dessa brincadeira de personagens diferentes na cidade com chances para escapar - uma praia perto, a serra, o Rio. nunca valorizei tanto a praia como depois que ela passou a estar a 2 horas de distância.

além do mais, é uma chance de fazer todas as outras coisas que não envolvem sentar no sol e bater papo a tarde inteira (ô delícia). como a minha brincadeira de casinha começou aqui, não sei dizer como deve ser a vida de gente grande no Rio. quando as pessoas vão ao supermercado, estudam para a prova da pós, passam na tok&stok para comprar uma coisa pra casa ou arrumam aquela gaveta que vive um caos? talvez seja durante a semana, nas noites farreadas de Sp. ou talvez todo carioca já tenha torcido, secretamente, por um sábado de garoa para pôr a vida em dia...

Escolhas e mais escolhas: cardápio de sobremesas argentinas do Bárbaro, no Itaim.