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domingo, 11 de setembro de 2011

Hollywood sob medida

Nunca houve tanta oferta de filmes e ao mesmo tempo foi tão difícil assistir bons. Depois que as Lojas Americanas acabaram com a experiência de ir à Blockbuster, ao transformarem estes pontos num pardieiro de chocolates, eletrônicos e brinquedos, ou seja, tudo menos filmes; isso quando as locadoras de bairro já haviam virado história -- ou sucumbido à pirataria; passei a alugar cada vez menos filme em casa.

Houve época em que chegava a pegar 10 fitas (sim, aquelas VHS) para um feriado prolongado. Mas, por mais paradoxal que pareça, a enorme oferta existente hoje me faz ter cada vez menos vontade de encarar uma locadora, seja virtual ou real. Isso sem entrar no mérito de que a seleção dos filmes exibidos pela TV a cabo parece a pior possível. Pensei que, ao mudar de Telecine para HBO, isso fosse melhorar, mas pouca diferença fez.

É por essas e outras que celebro adventos como a Apple TV e Netflix (este, por sinal, está com serviço gratuito ao longo do mês de setembro para marcar sua chegada ao Brasil). Já que o prazer de ir às lojas físicas está mesmo extinto, então viva a modernidade e praticidade de ter acesso a todo tipo de filme, a qualquer hora, via streaming.

Além da comodidade, estes serviços oferecem hoje mais variedade do que qualquer outra locadora, pelo simples fato de que seu armazenamento é ilimitado e, portanto, não precisam se restringir apenas aos títulos com mais apelo. Sim, é possível encontrar documentários que sequer saíram em DVD, ou aquela sitcom americana que fazia sucesso na década de 1980. Também acha-se produções de Bollywood e outros tantos sucessos de Sundance que jamais entraram em circuito. E, claro, todos os outros blockbusters do momento.

domingo, 7 de março de 2010

Kindle, Oscar e outras notícias do front

Se Steve Jobs achava que o concorrente Jeff Bezos ia sucumbir sem luta ao iPad, ele estava enganado. Na mesma semana em que a Apple finalmente marcou o lançamento do portátil para dia 3 de abril, nos EUA, recebo um e-mail da Amazon me convidando para participar de uma pesquisa de mercado sobre a experiência com o Kindle. Ao que tudo indica, a varejista está querendo ouvir os leitores para, quem sabe, fazer ajustes no e-reader. Há quem diga que ainda este ano, a equipe de Bezos anunciará uma nova versão do Kindle. A ver.

E como o papo é guerra, a noite mais esperada do cinema, a premiação do Oscar que acontece hoje, na Califórnia, está vestida para combate. As grandes apostas dos críticos (e até do público), Avatar e Guerra ao Terror, falam sobre batalhas. O primeiro, em um futuro distante, de uma sociedade imaginária contra o capitalismo humano; já o segundo, da tão mais contemporânea guerra do Iraque. Bastardos Inglórios, meu favorito, também não fica atrás, já que retrata o combate ao Nazismo.

Termino com uma dica. Avisei no Facebook, mas, para os que não acessam, o Grupo Pão de Açúcar está recolhendo livros para doar à instituições de ensino do Brasil. Você pode levar aqueles livros que já não têm mais espaço na estante a qualquer loja do grupo (Pão de Açúcar, Extra, Sendas, Compre Bem) até dia 14 desse mês.

Para todas as mulheres, parabéns pelo dia de amanhã. E que venham os vencedores do Oscar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

pout-pourri

como falta tempo para escrever o quanto eu gostaria, vou passar por alguns dos pontos que ganharam estrelas no meu Google Reader essa semana.

1) O portal NYTimes anunciou que vai lançar o site The Local East Village em parceria com a New York University. Prevista para entrar no ar no outono deles, a página terá o conteúdo desenvolvido por alunos da universidade, dando continuidade ao projeto de notícias locais que já inclui o The Local Brooklyn . A ideia do jornal é ampliar a rede de colaboradores e, para isso, investem em disseminadores de opinião, ou seja: quem melhor para falar de uma região do que aqueles que lá vivem?

Para alguns, esse é o futuro do jornalismo - colaborativo e regionalizado. Será?

2) Em maio do ano passado, quando ninguém ainda falava em iPad, contei para vocês que a Amazon tinha acabado de lançar o Kindle DX, uma nova versão do leitor digital cujo principal objetivo era atender às demandas de estudantes universitários. Agora, começam a surgir os primeiros resultados dos projetos piloto com as faculdades de Princeton, Case Western Reserve University e Darden School of Business. No geral, os professores acharam que os alunos ainda não consideram a ferramenta para anotações satisfatória e a dificuldade de visualizar várias páginas ao mesmo tempo (lembre da cena: aluno na biblioteca com cinco livros abertos) também pesou. Alguns se adaptaram com mais facilidade e reconheceram a importância do aparelho para o meio ambiente, em contrapartida ao uso excessivo de papel. Mas a maioria aproveitou mais o Kindle para leituras de lazer.

Uma surpresa para os que previam que os e-readers seriam adotados, em primeiro lugar, para educação. Eu inclusive.

3) Esta deu no Publishnews. A Veja criou um aplicativo, o Veja Meus Livros, que já pode ser usado via Orkut e estará disponível, em breve, também para o Facebook. É uma ferramenta que permite aos internautas compartilhar com outros usuários que livros que estão lendo, organizar suas leituras, fazer comentários sobre os livros e ainda ler as resenhas da Veja. Segundo o portal, em apenas 15 dias a novidade conquistou 17 mil adeptos. A iniciativa tem apoio da Livraria Cultura, que permite também a compra dos livros escolhidos, para quem quiser.

A favor, eles têm o fato de não quererem "competir" com outras redes sociais, como já fez o Skoob e O Livreiro, ambos sem muito sucesso. Ao contrário, a Veja está se unindo aos gigantes Orkut e Fb para atrair o público. Acho que o caminho é mesmo esse.

E, para finalizar, já que isto é um pout-pourri agradeço profundamente a paciência e colaboração da Carla Vorsatz, minha revisora, professora e consultora para assuntos diversos, aka, "Mom".

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ônibus high-tech

deu no NY Times. no Arizona, EUA, o governo encontrou um jeito de acalmar as feras. quem já esteve em um ônibus escolar, sabe a verdadeira baderna que costuma acontecer. mas, neste ônibus, os alunos agora vivem quietinhos. é que foi instalado um sistema de wi-fi gratuito. assim, os adolescentes e seus hormônios alucinados, aproveitam a viagem para a escola em seus laptops, devidamente conectados ao mundo.

é o famoso se não pode vencê-los, junte-se a eles.

aqui no Brasil sei que a Azul, companhia aérea, oferece este serviço nos ônibus que transportam os passageiros até o aeroporto de Campinas, Sp, de onde saem seus voos. foi uma forma que a empresa encontrou de incentivar os novos clientes a enfrentarem o trânsito por uma passagem mais barata.

se vamos começar a ler mais em laptops, e-reader e iPads, iniciativas deste tipo serão importantes para os leitores digitais. isso porque, à exceção do Kindle, todos os outros aparelhos precisam de uma conexão com a internet para baixar e-books.

Eu apoio.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

casa de livros

ontem, dia 8, o Governo do Estado inaugurou a Biblioteca São Paulo, no Parque da Juventude, onde funcionava o presídio Carandirú. A trabalho, participei da cerimônia de abertura, e sai impressionada.

A Biblioteca mais tem cara de Saraiva do que aquelas antigas - e o objetivo era exatamente esse. O espaço que um dia foi conhecido pela superlotação e seus massacres violentos, se transformou em um ambiente de cultura moderno e gratuito. O acervo começa com 30.000 livros e 8.000 CDs e DVDs, além de jornais e revistas do mundo todo. A estrutura é toda dividida por faixa etária, desde crianças, até adultos, e tem um espaço dedicado para deficientes físicos e audiovisuais. Apesar de ser possível emprestar qualquer livro do acervo, todo o ambiente é feito para que as pessoas de fato queiram ficar por lá.

Que atire a primeira pedra quem achou que as bibliotecas estariam, a essa altura, fechando as portas. Mas lá estavam, além de toda a trupe política, nomes como Pedro Moreira Salles, Arthur Nestrovski e Ignácio de Loyola Brandão para mostrar que cultura ainda está na moda. Se a proposta é atrair os jovens, não poderiam faltar, claro, computadores. E não faltam. Também estão lá os best-sellers do momento, de vampiros a Dan Browns.

Discussões políticas a parte, o fato de se oferecer em São Paulo um espaço como este é aplaudível. Enquanto os grandes brigam por uma fatia do mercado de e-books, aqui no Brasil ainda precisamos criar o hábito da leitura, independente da plataforma. Uma iniciativa muito bacana.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a batalha começou

semana passada, o todo-poderoso Steve Jobs anunciou o tão esperado tablet da Apple. batizado de iPad, o aparelho é, claro, lindo de morrer. segundo Jobs, vem para complementar a lacuna deixada pelos netbooks e seria um terceiro aparelho para quem já tem laptop e smartphone, mas quer um objeto prático, leve e que reúna internet, e-mail, etc.

capa da The Economist

tal como na ocasião de lançamento do iPod e depois do iPhone, Jobs foi aplaudido, criticado, elogiado, repreendido em jornais, sites, twitters, televisões e mesas de bar do mundo todo. o que em um primeiro momento passou quase despercebido, começa agora a vir à tona. muito mais do que um lançamento do mercado eletrônico, o iPad veio para abalar as estruturas do já remexido mercado editorial.


sim, além de andar, falar e abanar o rabo, o novo brinquedinho da Apple também é leitor de e-books. E que leitor. A iBookstore já começa com títulos de cinco grandes editoras - Penguin, Harper Collins, Macmillan, Hachette Book Group e Simon & Schuster - e um grande diferencial. Ao contrário do Kindle (para quem ainda não tinha percebido, trata-se de um ataque direto ao atual líder de mercado dos e-readers), os livros digitais ali comprados funcionam em outros aparelhos, como por exemplo o Sony Reader, ou o Nook, da Barnes & Noble. Em outras palavras: a Apple acaba de fazer pelos livros o que fez pela música com o iTunes.




como a Apple conseguiu, de cara, atrair estas grandes editoras? simples. prometendo 70% do faturamento sob a venda dos livros - e a precificação de acordo com as editoras. Assim, a Penguin, por exemplo, poderá determinar o valor de seu e-book e embolsará a maior fatia destas vendas. A consequencia pode agradar os editores, mas certamente não os clientes. Enquanto os lançamentos para Kindle custam U$ 9,99, na iBookstore o preço médio será entre U$12,99 e 14,99.

a briga é de cachorro grande. Em resposta à adesão da Macmillan, a Amazon suspendeu a venda de livros desta editora em seu site, tanto os impressos, quanto e-books. A atitude ganhou as páginas de jornais e divide especialistas. Uns acham que as condições da Apple beneficiam as editoras e, portanto, estimulam a concorrência e possibilitam a manutenção da qualidade. Outros acham que a Amazon está(va) usando e abusando de seu poder de barganha para impor suas próprias regras e que preços tão baixos poderiam "matar" o livro impresso.

esta é a apenas a primeira batalha de uma longa guerra. Espera-se que ainda este ano o Google também anuncie sua loja de e-books e a disputa só deve acirrar. Se, por um lado, vai ser difícil para a Apple bater o completíssimo acervo da Amazon, por outro, o iPad promete muito mais do que o Kindle. Ele é colorido; ele tem todas as funções de um computador; ele tem os aplicativos de iPhone; ele é touchscreen; ele tem e-mail; e, sim, ele custa mais caro (U$ 499). Mas ele é um Mac.


em dois meses, as primeiras versões começam a ser vendidas. Vocês vão ter que esperar um pouquinho até que eu tenha a oportunidade de testá-lo. Enquanto isso, o que acham? A Apple vencerá essa guerra com a mesma facilidade que venceu a eterna Mac vs PC?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Moleskines

Os amantes do Moleskine - e me incluo neste grupo - que se preparem. Corre pelos blogs literários mundo afora uma nova febre, os Whitelines.

O Moleskine, originalmente de capa preta, foi testemunho da criação de grandes artistas como Van Gogh, Picasso e Hemingway, para depois conquistar autores, jornalistas e até executivos do século XXI. Capa mole, dura, em formato agenda ou de bolso, os cadernos mais charmosos já criados representam cultura, viagem, memória e, principalmente, literatura. Em plena era digital, muitos - e aí me incluo mais uma vez - ainda não dispensam a boa e velha dupla papel e caneta.

Mas a hegemonia do cultuado Moleskine está agora ameaçada pelos branquíssimos Whitelines. A empresa sueca surgiu em 2006 com a proposta de melhorar aquilo que parecia imutável. A ideia é que, como a tinta da caneta muitas vezes pode se confundir com as pesadas linhas escuras dos cadernos comuns, no Whiteline, adivinhe: as linhas são brancas. Assim, com o contraste, os rabiscos se destacam ainda mais, facilitando a leitura.


Veja a comparação:



Ainda há muita tradição para ser derrubada, mas o fato é que os novos caderninhos albinos já estão conquistando uma legião de fãs. Preciso experimentar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

dia das crianças antecipado

Na véspera do anúncio mais esperado da literatura, uma boa notícia aos leitores do mundo inteiro. É que amanhã a organização do Prêmio Nobel divulga o vencedor da categoria Literatura de 2009. Entre os mais cotados estão o israelense Amós Oz, a argelina Assia Djebar e os americanos Joyce Carol Oates e Philip Roth.


Mas quem fez o grande anúncio hoje foi Jeff Bezos, diretor executivo da Amazon. A pontocom mais famosa do planeta lançou a tão esperada versão internacional do Kindle. O leitor eletrônico, até então vendido apenas nos Estados Unidos, passa a estar disponível para mais de 100 países, incluindo o Brasil.


Se antes podia-se comprar o aparelho lá fora, sua função mais bacana não funcionaria aqui - o download de conteúdo (livros, revistas e jornais) através de uma rede sem fio. Agora isso será possível também para nós. A Kindle Store, loja do conteúdo digital, já tem mais de 290 mil títulos em inglês. E quem não perdeu tempo foi O Globo, pois o jornal saiu na frente e será um dos veículos internacionais disponíveis para leitura no Kindle.


A aposta em outros países faz todo sentido. Segundo Bezos, atualmente o Amazon vende 48 títulos digitais para cada 100 livros físicos. Nada mal para quem não botava fé nos e-books.


Esta versão do Kindle já está à venda por U$ 279 plus taxes, claro. Pronto. Escolhi meu presente de Dia das Crianças.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Oprah's book club


Entre em qualquer blog sobre o mercado editorial, ou no Twitter, Amazon, Facebook e o assunto de hoje será um só: a Oprah escolheu o próximo título de seu clube do livro.


E...? E que o Oprah's Book Club tem nada menos do que 2 milhões de leitores. O que significa dizer que, ao escolher um título, Oprah garante à editora a venda dos exemplares na casa dos milhões. Uma verdadeira máquina instantânea de fazer best-seller - e o mercado agradece.


Leve-se em conta que a ordem de grandeza nos EUA e Europa ainda é outra. Há dois dias, o estremecido mercado editorial recebeu de braços abertos The Lost Symbol, novo livro de Dan Brown, autor de Código Da Vinci. O livro vendeu 1 milhão de exemplares em seu primeiro dia, nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Achou muito? Nada perto de Harry Potter e as relíquias da morte, último livro da série do bruxinho, que vendeu 8 milhões de cópias em um único dia.


Mas, ainda assim, ser selecionado pela Oprah é um golaço de marketing. A revista Business Week avalia o clube da apresentadora como até vinte vezes mais influente nas vendas do que o Pulitzer Prize e o National Book Award - juntos. Os títulos eleitos chegam à marca de 500.000 exemplares vendidos por mês e, em seus 13 anos de existência, o book club de Oprah chegou ao ponto de alterar as listas dos mais vendidos em um par de dias. Por isso, quando a Oprah diz que vai anunciar o próximo título, todo mundo para para ouvir.


Então anote aí: Diga que você é um deles, de Uwem Akpan, uma coletânea, é o novo livro-do-momento nos Estados Unidos.


E como tudo o que Oprah Winfrey toca vira ouro, que ela continue sendo uma entusiasta dos livros. São meus votos...

domingo, 26 de julho de 2009

Academic Earth

O Academic Earth é uma organização criada em janeiro deste ano com o objetivo de levar educação de qualidade a todos.

Lá estão reunidas palestras, aulas e cursos completos de faculdades como Harvard, Berkeley, Princenton, Yale, MIT, Standford... g r a t u i t a m e n t e.

O portal já recebeu mais de 1 milhão de visitantes, sendo mais da metade deste público de fora dos EUA. A ideia é reunir o melhor conteúdo que algumas das maiores universidades já disponibilizam em seus websites, para criar um ambiente educativo virtual - e acessível. As áreas acadêmicas vão de Astronomia a História passando por Filosofia, Ciências Políticas e, claro, Literatura.

Estou fazendo um curso do departamento de English de Yale que chama-se The American Novel Since 1945. Uma câmera instalada na sala, permite que você acompanhe todas as 26 aulas deste curso, tendo acesso inclusive à bibliografia indicada, que inclui autores do período como Richard Wright, Flannery O'Connor, Vladimir Nabokov, Philip Roth, e outros tantos.

A professora, Amy Hungerford, propõe a discussão de questões como o relacionamento entre escritor e autor, as condições de publicação da época, inovações no formato do romance, o engajamento da ficção com a história e o contexto da literatura na cultura norte-americana. Tudo isso direto de Yale, com direito a perguntas de alunos e outros tantos desdobramentos possíveis.

and God bless the internet!

domingo, 19 de julho de 2009

Cuide de você

até 7 de setembro, o SESC Pompeia (SP), recebe a mostra cuide de você, da artista francesa Sophie Calle.
Sophie, escritora, fotógrafa e artista conceitual, cujos trabalhos são marcados pelos limites entre vida pública e privada, frequentemente gera polêmicas e críticas acerca de suas propostas. Certa vez, pediu que a mãe contratasse um detetive para seguí-la pelas ruas de Paris e, a partir daí, explorar sua própria interioridade através da forma como ela se comportava em público. Em outro trabalho, usou uma caderneta de endereços que encontrou no chão para compor o perfil de um perfeito desconhecido: ligou para todas as pessoas que ali estavam e conversou sobre o dono da agenda, de quem também tirou fotos (e que mais tarde a processou por tudo isso).
Mas seu mais recente trabalho teve origem a partir de uma carta de rompimento. Misturando sua vida pessoal com a atividade profissional, uma das marcas mais fortes de sua produção artística, Sophie convocou uma centena de mulheres, das mais diferentes profissões, a analisar a carta que acabara de receber de seu então namorado, na qual ele terminava o relacionamento. Às mulheres, pediu que tratassem a carta por um ponto de vista profissional, pois queria fazer uso dos vocabulários técnicos próprio a cada uma, em vez do sentimentalismo feminino.
Com a palavra, Sophie Calle:
Recebi uma carta de rompimento.
E não soube respondê-la.
Era como se ela não me fosse destinada.
Ela terminava com as seguintes palavras: "Cuide de você".
Levei essa recomendação ao pé da letra.
Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.
Entendê-la em meu lugar. Responder por mim.
Era uma maneira de ganhar tempo antes de romper.
Uma maneira de cuidar de mim.
E foi exatamente isso que as personagens dessa exposição fizeram: esgotaram a carta. Foram análises gramaticais, jurídicas, diplomáticas, artísticas, simbólicas e sintáticas. Uma das maiores forças da exposição é sem dúvida esse múltiplo desdobramento e plurisignificação que o texto adquire diante de nossos olhos. Ali, nas paredes, junto com as "respostas", estão belíssimas fotos dessas leitoras intervencionistas. O barato é curtir esse impacto visual e essa riqueza de olhares, porque é difícil conseguir ler e apreciar as 107 cartas-respostas na própria galeria. Pensando nisso, a organização disponibiliza um arquivo com esses textos, que é possível acessar via internet.
De todo modo, Sophie Calle consegue, neste trabalho essencialmente literário, expor algumas das nossas fragilidades como mulheres e como profissionais e contar uma história - a sua história - de término, que não se esgota com o fim.
Penso nela como uma contadora de histórias.
O que é interessante é que sua vida e sua arte são a mesma coisa.
Ela faz isso para se manter viva, para criar uma realidade para si mesma.
É uma combinação rara.
Paul Auster

terça-feira, 14 de julho de 2009

Made in China

A Amazon que se cuide, porque a China parece também querer uma fatia do mercado dos leitores de e-book.

Em uma feira de Digital Publishing, em Tokio, a empresa Peking University Founder revelou um protótipo do que será seu novo aparelho, comercializado a partir do final do ano.

Qualquer semelhança é mera coincidência, garantem os porta-vozes da Peking, que dizem não haver relação entre o Kindle 2, da Amazon, e seu e-reader. Se o lançamento vai abalar as vendas do maior site de varejo do mundo, é cedo para dizer. O fato é que o e-reader chinês promete trazer também conexão de celular, através de um SIM card, coisa que o todo-poderoso Kindle ainda não faz. E é também verdade que a Amazon resolveu baixar o preço de seu e-reader para U$ 299, bem quando o modelo chinês foi anunciado com a promessa de custar algo em torno de U$ 210...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sala de Leitura

Recebi de uma amiga esta dica super bacana, que resolvi compartilhar.
Neste mês os interneteiros amantes da literatura ganharam mais uma casa, esta 100% brasileira. O Sala de Leitura é uma comunidade literária colaborativa, ou seja, daqueles sites em que todos podem contribuir com o conteúdo. Um espaço que promove o encontro entre leitores e autores - amadores ou profissionais -, onde é possível publicar textos, sugestões de eventos, links interessantes, participar dos fórums de debate, tudo o que se tem direito.
Para participar ativamente, é só se cadastrar (apenas com nome, e-mail e senha) e começar a publicar e comentar. Quem não quiser, também pode passar de "visita" e dar uma espiadinha nos textos - alguns bem interessantes - que vão de poesia a ensaios, passando por crônicas, fábulas, artigos e épicos.
À todos os autores é uma chance enorme de se relacionar com seus leitores e de conquistar novos adeptos. E à nós, leitores curiosos e incansáveis, mais um estímulo à produção literária no Brasil.

domingo, 7 de junho de 2009

Livros-tesouro


Mais um golaço da era digital. A Universidade de Cambridge, na Inglaterra, anunciou que, graças a uma doação de 300.000 libras, vai digitalizar seu catálogo completo de livros medievais. A preciosidade inclui mais de 4.500 títulos publicados até 1501, ou seja, pré-impressão. Tratam-se de verdadeiros trabalhos manuais realizados à época, além de os primeiros registros do que nos séculos seguintes se consolidaria como a impressão de livros tal como hoje conhecemos.
Para os especialistas da área, esta iniciativa significa a ampliação de ínumeros campos de estudo acadêmico, que passarão a ter possibilidade de consultas sem os obstáculos físicas, impostos pela qualidade e degradação do material.
O projeto, que inclui livros como a Bíblia de Gutenberg, tradução em latim da Bíblia feita no século XV, tem duracão prevista para os próximos cinco anos.

A Bíblia de Gutenberg, publicada em 1455, marca o início da produção

em massa de livros no Ocidente


segunda-feira, 25 de maio de 2009

textos na rede

Se com a internet todos nos tornamos um pouco autores, como estabelecer um padrão de qualidade? O portal Cronópios oferece uma proposta interessante. Os responsáveis pelo site, Pipol e Edson Cruz acreditam que curadoria inteligente, moderação mínima e edição compartilhada por pessoas capacitadas garantem rica produção colaborativa de textos literários. Assim, os editores recebem mais de 4 mil e-mails por mês, com textos inéditos de todo o país. Destes, apenas 60 são publicados (dois por dia), após cuidadosa seleção.

“Não publicamos qualquer texto automaticamente porque editar é uma função humana, não deve existir um ranking gerado por computador”, disse Pipol ao Estadão. “Sentimos que, no meio literário, publicar no Cronópios é um sinal de prestígio para o escritor iniciante e independente.”

O portal abarca uma série de projetos que vão desde Stand-Up de Literatura, uma espécie de sarau com autores lendo livros que escreveram, até uma parceria com a livraria Martins Fontes, que permite que qualquer escritor possa vender seus livros na internet diretamente a livraria, eliminando a barreira da distribuição convencional.

A iniciativa vai ao encontro de tendências mundiais como self-publishing e print on demand, que mesmo ainda representando uma parcela pequena da indústria, têm crescido muito nos Estados Unidos aproveitando-se do fenômeno tecnológico. Uma pesquisa divulgada pela Bowker, agência americana responsável pelo cadastro do ISBN, diz que desde 2002, a impressão de livros sob demanda cresceu 774%, enquanto a tradicional teve um incremento de apenas 126%.
Universidades, por exemplo, são das grandes beneficiadas pois estão descobrindo o recurso como alternativa para manter um catálogo de títulos acadêmicos cada vez mais amplo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Títulos

Todo autor que se preze sofre para escolher o título de seu livro. Se não sofre, bem... deveria. Como justificar em poucas palavras a publicação de todas aquelas outras? Ou ainda: como atrair um leitor desaparecebido, fuxicando as prateleiras de uma livraria, a, pelo menos, ler a quarta capa?

Gary Dexter, jornalista especializado em literatura do Reino Unido, resolveu ir atrás de como vários títulos foram, finalmente, escolhidos. Por meio de um trabalho de pesquisa cuidadoso suportado por anos de experiência no universo literário, Dexter alimenta diariamente seu blog How books got their titles com deliciosas revelações.

Para definir quais livros serão analisados, o jornalista-blogueiro-autor criou três regras explicadas no próprio site:
1 - o título não deve ser facilmente explicável através de uma leitura do texto.
2 - os títulos devem ser de livros publicados na íntegra e não de poemas ou contos que integrem uma coletânea, por exemplo.
3 - o título não pode ser uma citação.

O livro de hoje é Alice´s Adventures in Wonderland (Alice no País das Maravilhas).

Visit, read, and enjoy!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Kindle DX

Parece que a Amazon está mesmo disposta a fazer com a leitura o que o iPod fez com a música: desconstruir o formato como a concebemos.

Os investimentos em seu e-reader, leitor digital, não param - e olha que ele continua só disponível nos EUA. Menos de três meses depois de lançar o Kindle 2, versão melhorada do aparelho, a Amazon anunciou hoje um terceiro modelo. O principal diferencial do Kindle DX é o suporte a livros didáticos e a documentos (inclui leitor de PDF). A tela também ganhou um upgrade de tamanho: de 15 para 24 cm, 250% a mais, tudo para tornar a leitura mais confortável.

Com o lançamento a Amazon espera incentivar estudantes a usarem o Kindle. Para isso, já conseguiu parceria com três grandes editoras de livros didáticos - Cengage, Pearson, John Wiley - que se comprometeram a disponbilizar seu conteúdo em versão eletrônica. Universidades como Arizona State, Princeton, Reed College e University of Virginia estão desenvolvendo programas experimentais que inclui a distribuição dos aparelhos para alguns alunos do próximo período letivo.

O Kindle DX começa a ser vendido em junho pela bagatela de U$ 489. Se cuida, Jeff Bezos - com esse preço vai ficar difícil popularizar o leitor digital...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

madame online

Mais uma vez ela, a Madame de nosso século, a Web 2.0, nos surpreende. É que um grupo da Universidade de Rouen, liderado pelo professor Yvan Leclerc, mobilizou centenas pessoas com um convite lançado na internet. A proposta era participar de um projeto para publicar online as mais de 4.500 páginas dos manuscritos originais de Madame Bovary, romance de estréia de Gustave Flaubert. Os voluntários que ajudaram na transcrição tem idades que vão de 16 a 76 anos, de mais de 17 países. Estima-se que mais de 600 pessoas tenham participado do projeto, que durou dois anos. E ainda dizem que os livros estão chegando ao fim diante da era digital? I don´t think so...

O brilhante resultado está disponível aqui para quem quiser se deleitar. As tais transcrições foram necessárias por causa de corrosões e manchas acumuladas nos originais ao longo do tempo. Agora, além de poder navegar à vontade pelas páginas do romance, o leitor-internauta pode também visualizar simultaneamente a versão manuscrita. Assim, é possível ler a obra inteira, de cabo a rabo, exatamente como Flaubert a concebeu.

Madame Bovary (1857) foi o mais célebre livro de Gustave Flaubert. Nele, o autor francês deprecia afiadamente os costumes burgueses no segundo império francês. Por seu caráter cínico, a obra foi acusada de ser uma ofensa à moral e à religião. Flaubert foi levado aos tribunais, onde, para defender-se, disse que Emma Bovary era, na verdade, seu alter-ego. Madame Bovary é uma obra fundamental na literatura de seu tempo, o chamado século de ouro do romance (XIX), e considerado por muitos o ápice da narrativa longa.

Mais de 150 anos depois de seu lançamento, assistimos a dezenas de gerações juntando-se para adequar este grande clássico ao nosso tempo. Para mim, as novas tecnologias cada vez mais caminham para consolidar - e difundir - os maiores trabalhos da humanidade. Standing on the shoulders of giants.

sábado, 18 de abril de 2009

Kindle 2, test-reading

Finalmente consegui um Kindle 2 - aquele leitor de livros digitais da Amazon - para brincar. Quer dizer, testar...

Ele é lindinho e, assim, à primeira vista, é capaz de conquistar a atenção de qualquer e-lover. É também absolutamente supreendente, mas ainda tem alguns pontos a melhorar.
Por partes.


A favor:

O Kindle 2 tem um design super bacaninha. É branco na frente e prata fosco atrás, quase como um dos primeiros iPods videos. Além disso é consideravelmente leve (290g) e muito, muito fino, tanto quanto revistas;

A leitura na tela é muito agradável. O fundo cinza em cima do qual as letras são aplicadas (em vez do branco como no computador convencional) facilita a visualização, aproximando mais a qualidade a de um papel impresso. A tela também não emite luz, por isso não cansa a vista em leituras longas. A semelhança com uma página de livro é impressionante - chegamos a ver as ranhuras da fonte;

O feature de dicionário é muito bom. Para qualquer palavra que você clique, imediatamente aparece a definição do The New Oxford American Dictionary no rodapé;

É possível fazer anotações e grifos ao longo do texto;

O Kindle 2 também armazena música, para quem gosta de ler com trilha sonora ao fundo;

O mais bacana é que a cada e-book comprado, a Amazon faz um backup da sua biblioteca para você (que inclui as suas marcações no texto). Por isso, caso um dia perca o Kindle, é só fazer o download de todos os títulos.


Contra:

A tela ainda poderia ser um pouco maior, principalmente considerando o tamanho dele. Há muito espaço sub-aproveitado (com as teclas);

O tamanho dele não é dos mais confortáveis para muito tempo. Não é nem grande o bastante para segurar com as duas mãos, nem pequeno o suficiente para uma só;

O joystick para navegar no menu e a tecla de virar páginas já são um pouco ultrapassadas. Talvez, com a tecnologia touchscreen fosse mais rápido operar e ainda permitiria aumentar o tamanho da tela;

As imagens são em preto e branco, o que prejudica certos livros - com caderno de fotos, ou livros de arte, por exemplo;

E não que o Kindle seja difícil de mexer, mas também não é dos aparelhos mais user friendly do mercado.


Muitos vão dizer que a experiência de ler um livro é muito física e pessoal para ser digitalizada. Preferências à parte, os amantes da leitura devem lembrar que, com um único Kindle você consegue carregar para onde quiser mais de 4.000 livros diferentes.


Mas o principal é que os features que diferenciam o Kindle 2 de outros e-readers não estão disponíveis fora dos EUA: compra de livros direto do site da Amazon, em qualquer lugar, sem depender de internet, em menos de 60 segundos; acesso aos grandes jornais e revistas.


Além disso, mesmo que seja possível comprar os livros eletrônicos no site da Amazon e fazer a transferência usando um cabo usb, a loja do Kindle só aceita cartões de créditos emitidos nos EUA, portanto, para nós, nada feito. Temos mesmo que esperar. E torcer para que, até chegar ao Brasil, o Steve Jobs já tenha resolvido fazer um iKindle...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

twitters & publishers

Parece que o Twitter é a bola da vez - celebridades usam para ganhar atenção do público, a mídia entra no jogo e publica notícias sobre o que os famosos andam fazendo por lá e... claro, o mundo dos negócios discute como aproveitar a tendência para potencializar suas ações de marketing. Como todas as ferramentas da Web 2.0, o Twitter é muito criticado por alguns, que dizem não passar de uma bobagem, e superestimado por outros, que apostam todas suas fichas na novidade.

Para os perdidos, funciona assim: as pessoas criam um perfil simplificado e podem postar updates curtos (até 140 caracteres) que são recebidos por seus "seguidores". Usuários podem "seguir" quantas pessoas quiserem e passam a acompanhar todas as atualizações (twitters) publicadas. Na prática, é como uma versão mais simplificada e rápida de um blog. Aliás, blogueiros podem associar seu site ao Twitter, fazendo um intercâmbio de postagens. (estou curiosíssima para testar, mas um problema técnico de peopleware me impede) Aos descrentes, um alerta: o Twitter, que em 2008 estava em 22 lugar entre as redes sociais, alcançou a 3a posição em fevereiro deste ano, com 6 milhões de usuários, ficando apenas atrás de Facebook e MySpace. Outra pesquisa recente aponta que 40% dos executivos prefere o Twitter para comunicação de negócios, deixando o LinkedIn em segundo lugar.

As editoras parecem determinadas a aproveitar a oportunidade. Algumas como Penguin Books (Reino Unido), Thomas Nelson e Macmillan (EUA), não só tem uma conta em nome da própria empresa que é atualizada com notícias sobre seus lançamentos, autores da casa e eventos, mas apostam além: segundo eles, os editores não devem ter medo de associar-se pessoalmente ao Twitter e, em vez de fazer parecer mais uma frente de marketing, mostrar ao público o que os motiva no mundo dos livros. Como as atualizações são rápidas - podem ser feitas a partir de smarphones com tanta facilidade quanto mandar um SMS - e curtas, a ideia é que os funcionários de editoras compartilhem seu dia-a-dia com os leitores, acrescentando seu toque pessoal, mas, claro, sobre assuntos que possam interessá-los.

Por sua essência colaborativa, o Twitter também funciona como uma janela de feedback do mercado para as editoras. É possível testar a receptividade de títulos, marcas e produtos em geral. Claro que ainda é um momento de experimentação, mas na indústria de publishing é sempre necessário estar atento às novidades e, muitas vezes, testar mesmo. Certamente o objetivo primário não deve ser aumento direto de vendas. É preciso primeiro investir em uma relação primeiro - mesmo que ela seja virtual - antes de cobrar retorno...