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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

número 1


Em seu blog oficial, a organização da Flip acaba de anunciar o primeiro nome confirmado para a edição de 2010. O irlandês de 45 anos, Colum McCann, tem oito livros publicados, mas foi com Let the Great World Spin que ganhou o National Book Award - e reconhecimento internacional.


Neste romance, McCann traça um paralelo entre a história do equilibrista que atravessou as Torres Gêmeas e o ataque terrorista que as derrubou 27 anos depois, para retratar Manhattan e os novaiorquinos. Segundo o blog, o livro sairá no primeiro semestre desse ano pela Record. Mas, para os apressadinhos, a edição em inglês está à venda no site da Amazon e também disponível para Kindle pela bagatela de U$ 8,75 (cerca de R$ 16,00). Como o preço da Record definitivamente não será mais competitivo e, como também é sempre mais gostoso ler no original, acho que já vou começar os preparativos para a feira deste ano.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

calendário 2010


Em pleno dezembro, não dá para evitar, ficamos todos monotemáticos. E a pauta é uma só: o próximo ano. De repente, como que contaminados por uma epidemia, nos cansamos de 2009 e queremos nos livrar dele o quanto antes. É quase como a última semana no emprego antigo ou os dias derradeiros de um relacionamento desgastado.


Então, se o clima é este, vamos falar de 2010. Os dois maiores - apesar de completamente diferentes - eventos literários do país já têm data marcada.

A Festa Literária Internacional de Paraty, mudou de mês para se adequar à Copa do Mundo, pois afinal, podemos gostar de literatura, mas somos todos brasileiros. A oitava edição da Flip acontece de 4 a 8 de agosto e vai homenagear o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre. Os autores convidados ainda não foram anunciados pela organização, por isso nem adianta ir dormir na fila do ingresso.

Saindo da bucólica Paraty para uma agitada São Paulo, de 12 a 22 de agosto é a vez da capital paulista receber a Bienal do Livro. As edições cariocas da Bienal ainda dão um banho, mas quem sabe este não é o ano dos paulistanos mostrarem seu potencial?




Aproveite o recesso de fim de ano para por a leitura em dia e curtir o lado literário deste novo ano. Feliz livro novo!


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Balanço Flip 2009 - dia 1

Chegou ao fim ontem a 7a edição da Feira Literária Internacional de Paraty. Muito já se disse sobre o que aconteceu por lá. Inclusive, com ajuda da tecnologia, o público twittava durante as mesas, comentava matérias de blogs nas ruas, e mandava para os jornais fotos e registros pessoais dessa verdadeira festa.
Para mim, que presenciei pela primeira vez o evento, fica apenas o pouco de muito que consegui aproveitar.
A primeira ótima supresa foi que a cidade não estava tão insuportavelmente cheia quanto achei que fosse ficar. Era um movimento constante, alegre e disperso. O sol não apareceu, mas a chuva também não atrapalhou. Nada além de um esparso chuvisco no começo da noite de sábado.
Cheguei no começo da tarde do próprio sábado e, após alguns percalços, seguimos para um almoço com direito a filé de truta e cerveja. De lá, voltamos para a Tenda dos Autores, onde às 17h veria o Gay Talese ser entrevistado por Mario Sérgio Conti.
Talese, com seu inglês firme, eloquente e claro, discorreu sobre sua história. Começou contando sobre a época em que entreouvia sua mãe "entrevistar" as clientes que frequentavam a loja de seus pais, para aprender o que significava ser americana. Segundo ele, a pessoa que mais o influenciou na vida foi a própria mãe, nascida no Brooklyn e descendente de italianos. Toda sua narrativa oral, assim como a escrita, foi guiada por datas, nomes e fatos. E ele explica que sempre quis falar sobre personagens menores, tal como os que sua mãe sabatinava nos provadores:
"The story I wanted to write was the simple stories of simple people. (...) those people who don't make the news, but reflect it."
Para o autor, o importante era escrever sobre estas pessoas que, caso contrário, nunca estariam nos noticiários. Um dos mais importantes jornalistas americanos de todos os tempos, Talese considera que para ser um bom repórter (e escritor) é necessária a combinação de curiosidade; paciência; e perseverança. Paciência esta que deve ser dedicada a ouvir e a passar tempo com outras pessoas. "Ordinary people can be extraordinary", ele explica.
O artigo que o consagrou, publicado na revista Esquire, Frank Sinatra has a cold, foi escrito sem que o jornalista tivesse conseguido falar com Sinatra, pois ele não queria recebê-lo. "I didn't really wanted to talk to him either", brinca Talese, que partiu para conversar com a entourage que cerca qualquer artista e, a partir destes personagens, construiu o perfil que inaugurou o New Journalism.
Neste clima irônico, Talese conduziu mais do que deixou ser conduzido pela entrevista de Mario Sérgio, editor da revista Piauí, até que foi surpreendido por uma pergunta desconcertante, sobre seu próximo livro. Acontece que Gay Talese está agora escrevendo sobre seu casamento de 50 anos com uma grande editora americana, e Conti lhe perguntou sobre o possível constrangimento que poderia causar, já que haviam boatos que o livro falaria sobre casos extra-conjugais de ambas as partes. A pergunta não agradou mais ao autor do que à plateia, mas Talese saiu-se tão elegante quanto suas roupas dignas do filho de um alfaiate, e respondeu, indiretamente, dizendo que acreditava ser possível combinar não-ficção com intimidade, sempre com respeito "and that's all I have to say about that", encerrou. Nancy, da primeira fila, sussurrou "very good" ao companheiro, e assim, com uma pequena saia-justa, terminou uma das mesas mais esperadas da Flip de 2009.
Quando saimos da tenda, a noite já era oficial, e o momento era de encontrar conhecidos, reconhecer queridos, e conhecer desconhecidos no entorno do café. Alguns seguiram para a mesa seguinte, do Lobo Antunes, enquanto outros, como eu, foram passear. Na Tenda do Telão, estava a Livraria da Vila, a revista Piauí, e outros expositores aos olhares curiosos. Foi passando por lá, que, novamente, cruzei com Talese, que se dirigia a uma entrevista. Não tive dúvidas e o abordei, dizendo que era sua fã, e uma jornalista apaixonada por livros, assim como ele. Ele me agradeceu, se apresentou e apertou minha mão, eu disse que estava gostando muito de seu mais recente livro, ao que ele respondeu com um sorriso cordial. Depois, ele me perguntou se eu ficaria ou seguiria com ele, ao que eu achei melhor não me estender, e fiquei observando aquele senhor de cabeça branca, esguio, de terno, colete e chapéu cinzas, caminhar para longe.
Entendi que minha noite tinha sido ganha, e segui para um aperitivo nos bares de mesa nas calçadas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

o show vai começar

Chegou o grande dia - começa hoje a 7a Flip! E essa edição promete...

Tem cantor que virou escritor; jornalista; crítico de música; historiador; físico; tem poeta e tem contista.

Tem Flipinha e FlipZona; tem lançamento de novo portal literário; tem cobertura no Twitter; tem autor que substituiu outro; tem show de abertura e tem homenagem a Manuel Bandeira.

Mas o que mais tem é gente. Cariocas, paulistanos, argentinos, mineiros e nordestinos. Terá de tudo nesta que já é uma das feiras de mais prestígio do globo.

Aos que já foram, aproveitem. Sábado nos vemos. E para quem ficou na vontade, uma ótima notícia: assista ao vivo aqui tudo que está rolando em Paraty.

Um viva à tecnologia e que comece a festa!

terça-feira, 2 de junho de 2009

FLIP 2009

Os 10.000 ingressos para a 7ª edição da FLIP começaram a ser vendidos ontem, às 10 horas da manhã, e em menos de quatro horas, todos já estavam esgotados. Frustração para alguns, alegria para outros. Se ainda havia dúvidas quanto ao potencial do mercado editorial brasileiro - apesar da entrada de grandes grupos estrangeiros provar o contrário - está aí uma amostra do crescente interesse nacional na literatura. Grandes nomes como Chico Buarque e Milton Hatoum com certeza contribuíram com o sucesso de público, mas para leitores apaixonados como eu, foi uma satisfação às avessas ter esperado mais de 1 hora ao telefone para conseguir comprar ingressos. Afinal, apenas uma coisa é melhor do que saber que seus interesses são compartilhados por outros: saber que nosso país cada vez mais .

Como só consigo ir no final de semana, estas são as mesas para as quais já garanti meu lugar:

No sábado, dia 4 de julho, vou juntar o melhor de dois mundos - jornalismo e literatura - e assistir ao Mario Sergio Conti entrevistando Guy Talease. O novo livro de Talease, Vida de escritor, inclusive já é o próximo da minha fila (jornalista que se preze tem que chegar preparada).

E no domingo é a vez de ouvir o historiador inglês Simon Schama falar sobre a história recente dos Estados Unidos a partir de temas como temas guerra, religião, e fartura. Isso é que é timing.

Em função da grande demanda, a organização da FLIP ampliou a tenda do telão e disponibilizou mais 200 ingressos à venda hoje. E aos twitteiros de plantão: sigam a FLIP e a mim até Paraty.

E vocês, vão?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

jornalismo literário


Para aqueles cujos corações oscilam entre o jornalismo e a literatura, o novo livro de Gay Talese é imperdível.

Do norte-americano que é considerado precursor do New Journalism e um dos maiores jornalistas de todos os tempos, Vida de escritor fala sobre fracasso.

Talese parte de reportagens que falharam em se tornarem livros e traça um paralelo sobre suas desventuras no ofício da escrita. O drama das personagens eleitas - a jogadora de futebol chinesa que perdeu o pênalti decisivo na Copa do Mundo; a mulher que, em um surto de fúria, cortou o pênis do marido - traduz a frustração de Talese como autor, que não consegue concluir estas histórias com as quais obsecou. É uma auto-reflexão sobre seu trabalho que nos oferece um olhar interno deste gênero que fascina as últimas gerações.

Gay Talese é o assunto do momento, pois estará no Brasil em julho, como convidado da FLIP.

Fica a dica para o final de semana.

domingo, 5 de abril de 2009

para agitar a festa

O time de autores estrangeiros confirmados para a próxima edição da Flip está cada vez mais forte: Alex Ross (1968) é um dos mais respeitados críticos musicais americanos e escreve ótimas resenhas na New Yorker. Em 2007, publicou o livro The rest is noise (O resto é ruído), amplo ensaio que propõe uma análise do papel da música erudita no século XX.

Por falar em críticos, a francesa Catherine Millet (1948) também vem para a festa. Catherine é crítica de arte, curadora, fundadora e editora da revista de arte moderna Art Press. Autora de importantes livros da área como Arte Contemporânea na França e Arte Contemporânea: História e Geografia, tornou-se conhecida internacionalmente em 2001 com o lançamento do polêmico A Vida Sexual de Catherine M., considerado um dos mais ousados livros de autoria feminina sobre sexo. O livro de memórias reconstroi seu histórico sexual percorrendo desde as primeiras experiências de masturbação até o casamento aberto que mantém com o marido, Jacques Henric. Acaba de ser lançado no Brasil Dia de Sofrimento, uma espécie de sequência em que retoma os relatos da relação conjugal para falar sobre a questão do ciúme.

O jornalista Gay Talese (1932) é considerado o criador do "new journalism", gênero literário de não-ficção que aproveita as técnicas do jornalismo para a narrativa. É autor de 11 livros incluindo alguns best-sellers. Trabalhou como repórter do New York Times por dez anos e escreveu para as revistas Newsweek e The New Yorker, entre outras publicações. Referência fundamental para qualquer jornalista atuante.

A mais recente confirmação é de Richard Dawkins (1941), autor de vários clássicos contemporâneos nas áreas de ciências e filosofia como O gene egoísta, A escalada do monte improvável e Deus, um delírio, entre outros.

Mais alguém está morrendo de vontade de ir? Corra, porque as vagas em hotéis e pousadas já estão acabando...

quinta-feira, 26 de março de 2009

FLIP em tirinhas

Criada em 2003, a FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - tornou-se uma das principais feiras literárias internacionais, reconhecida pela qualidade dos autores que convida e pela amistosidade da cidade anfitriã. Em pouco tempo, já passaram por lá alguns dos grandes nomes da literatura internacional como Salman Rushdie, Ian McEwan, Paul Auster, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk e J. M. Coetzee, além de talentos nossos como Ariano Suassuna, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Luiz Alfredo e Livia Garcia-Roza, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles.

Agora, a sétima edição da FLIP tem data marcada para acontecer, autor homenageado definido e uma novidade. A Festa começa no dia 1º de julho, quarta-feira, e vai até domingo, 5 de julho. Em 2009 o homenageado será Manuel Bandeira (1886-1968), escritor pernambucano.

E para esquentar o mercado editorial brasileiro, a FLIP terá uma mesa formada exclusivamente por autores brasileiros de histórias em quadrinhos. São eles: Rafael Coutinho, filho de Laerte, Rafael Grampá, Fábio Moon e Gabriel Bá, que receberam em 2008 o prêmio Eisner, uma espécie de “Oscar dos quadrinhos”. O nome do prêmio é referência ao americano Will Eisner (1917-2005), uma das maiores influências do gênero e criador da série The Spirit, que se destacou por seus enquadramentos cinematográficos. A mediação será do escritor, editor e designer gráfico Joca Reiners Terron. Torçamos para que a iniciativa abra espaço para que nossos HQs cresçam e alcancem a juventude, hoje tão distante desse universo encantador.