você sofre desse mal? bem-vindo ao clube. oi, meu nome é Anaik e eu sou uma viciada.
ontem, o canal GNT reprisou o programa no qual Marilia Gabriela entrevista Mônica Waldvogel, exibido em maio do ano passado. ambas jornalistas de televisão (Mônica apresenta o Saia Justa, também do GNT, e o Entre Aspas, da Globo News), ambas pra lá dos cinquenta. e ambas portadoras confessas da síndrome da informação. não preciso dizer o quanto me identifiquei com a doença.
essa é aquela angústia que nos acomete quando ficamos muito tempo "desconectados", acompanhada da sensação de que nunca conseguimos acompanhar tudo - e é verdade. o terremoto do Chile aconteceu aproximadamente às 3h30 da madrugada de sábado, dia 27/2. eu soube lá pelas 10 da manhã por outra pessoa! inaceitável. a essa altura, muitos chilenos ainda não tinham a real dimensão do que havia acontecido, mas eu imediatamente me senti o mais desiformado dos seres por não ter sabido antes. já comentei que é uma síndrome, certo?
ao que tudo indica, o agente desse vírus é a internet. se o mesmo terremoto tivesse acontecido há 15 anos, ninguém esperaria que você soubesse do fato 7 horas depois e, talvez, nem você mesmo. mas os nossos Facebooks, Twitters, blogs, sites e
streams do Google Reader não nos deixam esquecer do que está acontecendo mundo afora. naquela mesma manhã, minha página do Facebook estava repleta de comentários sobre o Chile, mensagens de solidariedade, demonstrações de preocupação, pedidos de ajuda. houve até quem recebesse notícias de entes queridos via Facebook ou e-mail, porque, apesar de a rede telefônica estar fora do ar, muitos conseguiam acesso à internet.
para dar nome, ou melhor, número aos bois, uma pesquisa feita nos EUA aponta que 3/4 dos americanos hoje se mantém atualizados via e-mail ou redes sociais e 61% usa a internet como fonte de notícias. bastante impressionante, considerando que o levantamento foi feito com adultos, ou seja, as gerações que não cresceram conectadas. não é difícil imaginar como será em 20 anos.
o fato é que estamos lendo notícias em cada vez mais canais. minha atualização diária inclui a
Folha de S. Paulo (em casa) e
O Globo (no escritório);
sites e
blogs que acompanho via Google Reader (no computador); posts do
Facebook e do
Twitter (no celular); rádio
CBN (no carro);
Bom Dia Brasil, da TV Globo (na academia); e revistas (assinamos
Exame e
Piauí, leio ainda
Veja e
Época). Ufa.
tá certo que este é o meu trabalho. presumo que, nos jornalistas, os sintomas da síndrome da informação se manifestem com mais intensidade. mas o fato é que há uma sobrecarga geral. não é à toa que, todos os anos, temos a sensação de que este está passando mais depressa. com esse excesso de informação, é como se vivessemos três vezes cada ano, cada vida.