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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Paulo Coelho nas telonas

Durante muitos anos o autor brasileiro mais bem vendido - com 100 milhões de exemplares -, Paulo Coelho tem seu primeiro livro adaptado ao cinema. Veronika decide morrer estreia dia 21 em circuito nacional, assista o trailer.
Lançado em 1998, o livro foi na época apontado por trazer esboços autobiográficos, ainda que sob a máscara da ficção. A partir de sua própria experiência na juventude, Paulo Coelho fala sobre a“loucura controlada”, uma espécie de terceiro caminho entre o ousado e o convencional.

A personagem, Veronika, parece ter tudo o que desejou. É jovem, bonita, bem sucedida e frequenta lugares populares, mas, mesmo assim, não é feliz. É por isso que, em uma noite regada por whisky e Radiohead (cortesia da versão cinematográfica), Veronika decide morrer.
O romance se passa em Lubljana, capital da Eslovênia, mas o filme, em Nova Iorque. A verdade é que a maior parte da história ambienta-se em uma clínica, onde Veronika vai se recuperar da overdose para descobrir que lhe restam apenas alguns dias de vida. Essa condição médica na veradade revela-se um truque do nada convencional psiquiatra responsável pela instituição, que acha que a moça precisa saber o que é não ter mais tempo de vida para aprender a apreciá-la. Enquanto está internada, Veronika se apaixona por um jovem catatônico, que ficou assim após um acidente de carro no qual sua namorada morreu. Os dois viram um casal, que acaba fugindo da clínica para encarar o mundo exterior e ser feliz.
Ainda que banhada de clichês, e também considerando o fato de que a protagonista Sarah Michelle Gellar é dificilmente indissociável de Buffy, a caça-vampiros que viveu na TV, a trama tem uma certa coerência narrativa e alguma profundidade dos personagens. Mas é só. Um filme fluido, com certo apelo aos limites da loucura e normalidade.

sábado, 18 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe


Estreou nesta semana o sexto e penúltimo filme da saga de maior sucesso da literatura contemporânea. Harry Potter e o Enigma do Príncipe é baseado no livro homônimo, o melhor de J.K. Rowling.

Lançado em 2005, o livro é também o mais sombrio, e funciona como uma prévia do último volume, que juntos, formam uma sólida unidade narrativa. A profundidade dos personagens - cujas angústias amorosas são retratadas - é mais um sintoma da evolução de Rowling como autora. O que começou como um livro infanto-juvenil com Harry Potter e a Pedra Filosofal, ganhou corpo em enredos mais bem construídos, enriquecidos por um maior número de personagens, e conquistou os mais diversos públicos.

Sentados nas poltronas do Kinoplex Itaim, na noite da última quinta-feira, estavam crianças, adultos, casais, famílias, adolescentes e pessoas mais velhas. O filme em nada decepciona os fãs do livro. Pelo contrário: com a qualidade técnica que marcou os cinco anteriores, Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um filme para comover gente grande. Tanto os encontros amorosos quanto o mais trágico dos finais são abordados com a mesma delicadeza que a autora imprime a sua prosa.

Considerando que a maior parte dos filmes que assistimos hoje são adaptações, e que muitas vezes o leitor sai frustrado de uma sala de cinema, a saga Harry Potter se consolida como um exemplo de bom roteiro, boa direção, bom elenco e excelente pós-produção.

Imperdível.

sábado, 27 de junho de 2009

Jodi Picoult


Em sua última revista de domingo, o New York Times publicou uma ampla matéria sobre Jodi Picoult. Esta, que é a romancista norte-americana que mais vende livros atualmente, começou sua carreira na década de 1980, e, de lá para cá, publicou 15 best-sellers. Seu primeiro grande sucesso foi The pact (1998), que conta a história do aparente suicídio de uma adolescente, e em todos os seus livros encontramos temáticas espinhosas. Conhecida por abordar assuntos polêmicos como abuso sexual, bullying, violência doméstica e morte precoce, a autora acredita não se encaixar em um gênero específico, mas fazer aquilo que define como "ficção de serviço".


"Talvez o leitor comum não esteja passando pela mesma batalha de uma mãe cujo filho está morrendo de câncer, por exemplo, mas ele provavelmente teve uma discussão com seu próprio filho adolescente naquela manhã sobre alguma coisa insignificante, que o deixou frustrada e com a sensação de distanciamento entre a sua e a vida de quem está passando por tal sofrimento"disse Picoult ao Times. Ela espera que seus livros possam ser este elemento em comum.

A razão para tanto frenesi em torno de uma autora cuja carreira está relativamente consolidada, é que um de seus livros acaba de ser adaptado ao cinema, e estreia neste final de semana nos Estados Unidos. My sister's keeper é a história de uma menina que foi concebida por seus pais para servir de doadora a sua irmã mais velha, que está morrendo de leucemia. O drama mexeu com o público em Sundance e foi muito bem recebido pela crítica (veja o trailer aqui).

No Brasil, Jodi Picoult tem três livros publicados: O pacto, Uma questão de fé e O filme perfeito, todos pela Editora Planeta.

terça-feira, 31 de março de 2009

na natureza selvagem

Sei que estou atrasada, mas nunca é verdadeiramente tarde para se descobrir boas coisas –Dostoiévski na minha mesinha de cabeceira que o diga. Assisti o premiadíssimo Into the Wild (2007), roteiro e direção de Sean Penn. Ele, que esse ano levou o Oscar de melhor ator por sua atuação em Milk, fez um belíssimo trabalho nessa adaptação para o cinema de uma história tão envolvente quanto verídica. O best-seller de não-ficção no qual Penn se baseou data de 1996 e conta a saga de Christopher McCandless, um rapaz da classe média americana que, no início da década de 90, após se formar, desaparece no mundo.

O livro de Jon Krakauer surge a partir da descoberta do corpo de um rapaz de 24 anos em um ônibus abandonado no Alasca e reconstrói as aventuras de suas viagens ao longo dos dois anos em que esteve desaparecido. McCandless adotou um pseudônimo, Alexander Supertramp (isso mesmo, supertramp) e cortou qualquer contato com sua família e amigos. Durante sua jornada, conheceu pessoas que foram fundamentais na pesquisa de reconstituição do autor. Quando chega a seu destino final – Alasca – o objetivo era conseguir viver ali, em absoluta solidão, durante 100 dias. Tudo isso com apenas 5kg de arroz, sem mapa, sem bússola e na companhia de Tolstói e Robinson Jeffers – o moço era um leitor voraz. Christopher/Alexander acaba encontrando por acaso este ônibus abandonado que passa a ser seu lar durante 112 dias e, também, o lugar onde morre. Junto com o corpo acharam um diário e fotos feitas por ele próprio, que também ajudaram na reconstrução dos fatos. O rapaz, que tinha uma relação muito conturbada com a família e a sociedade, aparentemente embarcou nessa jornada com objetivo de encontrar sentido para ele mesmo. O resultado, nunca saberemos, mas em sua carta de despedida, dois dias antes de morrer, ele cita o poema Wise men in their bad hours:

Death's a fierce meadowlark: but to die having made

Something more equal to centuries

Than muscle and bone, is mostly to shed weakness.

The mountains are dead stone, the people

Admire or hate their stature, their insolent quietness,

The mountains are not softened or troubled

And a few dead men's thoughts have the same temper.


E acrescenta: "Tive uma vida feliz, graças ao senhor. Adeus e que Deus abençoe a todos!"

O livro homônimo que deu origem ao filme é mais um de Jon Krakauer, alpinista que ficou conhecido por narrar histórias de aventuras na montanha, que, como seu outro sucesso, No ar rarefeito, foi muito bem recebido pela crítica. Se é melhor, não sei, mas o livro já sai em uma grande desvantagem: falta a maravilhosa trilha sonora de Eddie Vedder, que faz do filme, imperdível.

Jon Krakauer. Na natureza selvagem. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E por falar em Oscar...


Os prêmios da academia desta vez prestigiaram os amantes de adaptações de literatura para o cinema, como eu. Quem quer ser milionário, o grande vencedor da noite, levou para casa nada menos que oito estatuetas, incluindo melhor filme e melhor direção. A história de um menino que ganha uma fortuna em um programa de televisão na Índia foi adaptada a partir do romance premiado Sua resposta vale um bilhão (2005), de Vikas Swarup. Já O curioso caso de Benjamin Button, que recebeu 13 indicações mas só levou três prêmios técnicos - não houve Brad Pitt que desse jeito - é baseado em um conto homônimo de F. Scott Fitzgeral, da década de 20.

Kate Winslet, merecidamente premiada como melhor atriz por O Leitor, estrela outra adaptação que também entrou na lista dos indicados: Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) concorria na categoria de melhor ator coadjuvante com John Givings, mas ele não teve a menor chance diante do brilhantismo de Heath Ledger.

Fica o conselho do escritor alemão Bernhard Schlink para nossos autores:
"Um autor que espera que um filme reproduza suas próprias imagens não deve vender os direitos da obra. Ele só pode esperar que um diretor capaz ache novas e adequadas imagens para a história e o tema do livro."

E rumo ao Oscar!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O Leitor

Na última semana, assisti um dos filmes fortes do Oscar deste ano: O Leitor, baseado em um romance homônimo. Não tive a oportunidade de ler o livro escrito por Bernhard Schlink, um advogado alemão que supostamente fez uma autobiografia de sua adolescência, mas Holocausto e verossimilhanças à parte, o filme é extremamente sensível e belo, muito delicado e bem feito em todos os aspectos. Ainda que o romance entre o menino e a mulher e as questões éticas da matança sobressaiam, a história do filme é, basicamente, sobre uma analfabeta que descobre com um jovem de 15 anos o prazer da leitura. Não é antes dos 60 anos que esta mulher aprende, finalmente, a ler, ao som de um gravador com a contação de histórias do rapaz. 

Não pude deixar de associar a trama à nova versão do Kindle, leitor de e-books da Amazon, que agora ganhou uma função que permite ao leitor escutar uma narração dos livros comprados. Tiremos o gap de quase 70 anos e resta a experiência semelhante. A mim nunca parece completoo ato de "ouvir" um livro. Em alguns casos, pode ser inclusive mais prazeroso - lembro de todas as vezes em que minha avó me contou histórias, algumas suas, que sempre pareciam muito mais incríveis em sua boca do que no papel. Mas quando escuto alguém contar uma história, necessariamente centenas de outras morrem na minha cabeça. Um pouco o que acontece com o cinema, quando se apropria de uma obra literária e adapta para um roteiro, o que torna imediatamente inviável assistir primeiro ao filme para depois ler o livro. O rosto do personagem, as expressões com as quais ele reage, as cores dos cenários, os cheiros das ruas... Todas essas criações são menos do autor e mais nossas, dos leitores, que assim como no filme podem ser melhores ou piores um do que o outro na função. Talvez se tivesse sido outra pessoa a ler A Odisséia para a ex-soldada nazista, ela jamáis quisesse aprender a ler. Porque, ao meu ver, mais do que o que lemos, é como e quando lemos que faz uma grande história.   

Kate Winslet, que já provou sua força em filmes como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Titanic, é uma fortíssima candidata ao prêmio máximo da academia concorrendo com Maryl Streep e Angelina Jolie. Meus votos vão para ela, que também foi muito elogiada por sua performance em outra adaptação da literatura para as telonas em cartaz: Foi Apenas um Sonho, dirigido por seu marido.

Fã assumida que sou de adaptações de romances ao cinema, já estou esperando minha cópia via correio para ler o livro de Richard Yates, que promete ser maravilhoso. Depois conto minhas impressões...