segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a batalha começou

semana passada, o todo-poderoso Steve Jobs anunciou o tão esperado tablet da Apple. batizado de iPad, o aparelho é, claro, lindo de morrer. segundo Jobs, vem para complementar a lacuna deixada pelos netbooks e seria um terceiro aparelho para quem já tem laptop e smartphone, mas quer um objeto prático, leve e que reúna internet, e-mail, etc.

capa da The Economist

tal como na ocasião de lançamento do iPod e depois do iPhone, Jobs foi aplaudido, criticado, elogiado, repreendido em jornais, sites, twitters, televisões e mesas de bar do mundo todo. o que em um primeiro momento passou quase despercebido, começa agora a vir à tona. muito mais do que um lançamento do mercado eletrônico, o iPad veio para abalar as estruturas do já remexido mercado editorial.


sim, além de andar, falar e abanar o rabo, o novo brinquedinho da Apple também é leitor de e-books. E que leitor. A iBookstore já começa com títulos de cinco grandes editoras - Penguin, Harper Collins, Macmillan, Hachette Book Group e Simon & Schuster - e um grande diferencial. Ao contrário do Kindle (para quem ainda não tinha percebido, trata-se de um ataque direto ao atual líder de mercado dos e-readers), os livros digitais ali comprados funcionam em outros aparelhos, como por exemplo o Sony Reader, ou o Nook, da Barnes & Noble. Em outras palavras: a Apple acaba de fazer pelos livros o que fez pela música com o iTunes.




como a Apple conseguiu, de cara, atrair estas grandes editoras? simples. prometendo 70% do faturamento sob a venda dos livros - e a precificação de acordo com as editoras. Assim, a Penguin, por exemplo, poderá determinar o valor de seu e-book e embolsará a maior fatia destas vendas. A consequencia pode agradar os editores, mas certamente não os clientes. Enquanto os lançamentos para Kindle custam U$ 9,99, na iBookstore o preço médio será entre U$12,99 e 14,99.

a briga é de cachorro grande. Em resposta à adesão da Macmillan, a Amazon suspendeu a venda de livros desta editora em seu site, tanto os impressos, quanto e-books. A atitude ganhou as páginas de jornais e divide especialistas. Uns acham que as condições da Apple beneficiam as editoras e, portanto, estimulam a concorrência e possibilitam a manutenção da qualidade. Outros acham que a Amazon está(va) usando e abusando de seu poder de barganha para impor suas próprias regras e que preços tão baixos poderiam "matar" o livro impresso.

esta é a apenas a primeira batalha de uma longa guerra. Espera-se que ainda este ano o Google também anuncie sua loja de e-books e a disputa só deve acirrar. Se, por um lado, vai ser difícil para a Apple bater o completíssimo acervo da Amazon, por outro, o iPad promete muito mais do que o Kindle. Ele é colorido; ele tem todas as funções de um computador; ele tem os aplicativos de iPhone; ele é touchscreen; ele tem e-mail; e, sim, ele custa mais caro (U$ 499). Mas ele é um Mac.


em dois meses, as primeiras versões começam a ser vendidas. Vocês vão ter que esperar um pouquinho até que eu tenha a oportunidade de testá-lo. Enquanto isso, o que acham? A Apple vencerá essa guerra com a mesma facilidade que venceu a eterna Mac vs PC?

3 comentários:

  1. Parabéns pelos 5001 acessos! Não é para qualquer um... Um tento!
    Beijos
    Imbassahy.

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  2. Adorei! Um orgulho!
    Bj,
    Val

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