domingo, 31 de julho de 2011

de bar em bar

Fazia tempo que não lia um bom policial. e a vantagem dos romances policiais é que, mesmo quando não são tão bons assim, são ótimos. é como um filme de suspense daqueles bem clichês numa noite tediosa em casa: sob medida.

o curioso deste gênero é que menos importa o plot e muito mais o ambience. um pode pensar que quanto mais misteriosa e mais bem construída a trama, melhor a história, mas ledo engano. para mim, o que faz um bom policial mesmo é a combinação perfeita entre dois fatores, um detetive politicamente incorreto e igualmente genial e a cidade certa. não por acaso, vários deles se passam em Nova York, como este meu último. Quando nosso boteco fecha as portas faz parte daquela coleção ótima da Companhia das Letras cujas capas são fotografias em preto e branco com a lombada colorida, e foi o primeiro que li do Lawrence Block.

a história se passa na Manhattan da década de 1970 e, diz o editor, ainda que não seja a primeira, é a melhor introdução ao personagem Scudder. o livro não é brilhante, no entanto, propõe um agradável passeio pelas ruas da minha ilha favorita em uma época quando o Meatpacking District ainda era lugar de açougueiros e o Giuliani não havia resgatado a cidade do crime. de bar em bar (aliás, como bebia-se naqueles dias), o autor nos conduz por um imbróglio de três histórias paralelas aparentemente desconexas vividas por um grupo de bon vivants. engraçado é o quase irrelevante papel do "detetive" Scudder, que nada mais é além de um policial aposentado fazendo favores aos amigos de bar. ainda assim, as investigações embriagadas e relaxadas que conduz, são de alguma maneira interessantes. eu apenas descartaria a última página do livro, que mais parece uma espécie de redenção religiosa a um bom e velho final de história.

overall, posso dizer que gostei de me sentar à mesa com o Matt Scudder.

domingo, 24 de julho de 2011

a minha Amy


não posso dizer que fui surpreendida pelo anúncio da morte de Amy Winehouse neste sábado. Mas não por isso fiquei menos abalada.

lembro bem quando ela entrou na minha vida. O ano era 2008 e estava de mudança para São Paulo. Eu, que sempre gostei de jazz, mantinha na minha playlist artistas como Ray Charles, Diana Krall, Chet Baker e Ella Fitzgerald. Eis que, de repente, essa moça apenas um ano mais velha do que eu estava ganhando todas as disputas do iPod. Amy já lançara seu segundo CD e fazia sucesso na Europa e nos Estados Unidos, mas para mim era a grande novidade. A beleza de descobrir um artista tardiamente é que já existe uma obra a ser explorada. Talvez por isso sempre tenham me agradado os antigos...

o fato é que Amy passou a me acompanhar todos os dias na volta do trabalho, aos finais de semana em casa e nas noites com amigos. No Carnaval do ano seguinte várias moças estavam fantasiadas com suas perucas pretas de topete enorme e delineador excessivo. Ela virava, sutilmente, o ícone de uma geração - a minha.

talvez eu seja uma pessimista, ou talvez a história já tenha se repetido demais. não vi morrer Jimi Hendrix nem Janis Joplin, ainda era pequena quando foi a vez de Kurt Cobain. mas era muito óbvio que o dia 23 de julho chegava à galopes. Jurei várias vezes que não perderia uma oportunidade de ir a um show da Amy, afinal, poderia ser única. Perdi. E foi única.

O sucesso foi breve e meteórico, mas são muitas as músicas que vão ficar. Para encerrar o domingo e este capítulo da história, deixo com vocês a minha favorita, ao vivo, como gostaria de ter assistido.



sábado, 16 de julho de 2011

Califórnia dreams

é uma das viagens clássicas - percorrer a costa oeste dos Estados Unidos de carro. Mas como todas as outras, acredito que cada viagem é única. A Califórnia é daqueles lugares que já foram retratados em músicas, filmes e livros e, portanto, habitam o imaginário de nós todos. Garota, eu vou pra Califórnia...

San Francisco é a cidade que parou no tempo - mais especificamente na década de 1960. Ou a cidade pequena que tem status de grande. Os hippies ainda estão na moda, letreiros da Pepsi anunciam as vendinhas, veículos muito esquisitos fazem os transportes públicos e existe um bairro gay - em NYC ou Sp todos os bairros são gays. Sempre tem um vento geladinho, mesmo em pleno verão. A cidade é pequena, então diria que 4 dias são suficientes. Pegamos o Fillmore Jazz Festival, evento que fecha a rua de mesmo nome e apresenta o que prometem ser os próximos grandes nomes do gênero, tudo isso com vinho, cerveja e comida ao ar livre. Um jogo dos Giants também pode ser imperdível para quem curte esportes,
o estádio fica à beira d'água e é super moderno. Outra recomendação é o restaurante Foreign Cinema, que exibe filmes estrangeiros e independentes projetados na parede, além de ter ótima comida.

O passeio para Sausalito é delicioso. Muitos fazem de bicicleta pela Golden Gate, por circunstâncias, acabamos cruzando de carro e voltando pela balsa. Dá pra almoçar por lá mesmo e vale a pena. Mas no geral, confesso que SF me decepcionou um pouco... As expectativas eram altas e, na verdade, para mim é mais uma cidade agradável com ar de interior. Dá para ficar entediado, ao ponto de tentarmos jantar às 22h numa sexta-feira à noite e quase não haver lugares abertos, ou de caminhar em certas partes da (pequena) cidade que são absolutamente desérticas.

Napa Valley é maravilhoso. Passamos por quatro vinícolas, o hotel era uma mistura de conforto das grandes redes com hospitalidade de um B&B e a região é toda muito agrádavel. Além disso, o caminho de SF até Napa é lindo.

Carmel, c
omo bem descrito pelo marido, é Búzios encontra Itaipava. Pense na praia com um clima de região serrana, aquelas lojinhas de miudezas, pequenos grandes restaurantes e uma única rua que é a grande atração da cidade toda florida. O grego Dametra Cafe é daqueles lugares que não te convencem num primeiro olhar, mas tem comida divina e ainda palhinha dos donos que cantam e dançam ao final do almoço.

A partir daí, a viagem passa pela região chamada Big Sur, beirando o Pacífico. O caminho é simplesmente deslubrante. Em algum ponto, uma americana comentou que se parecia com o trecho da R
io-Santos e ela tem toda razão.

Depois de um trecho grande de serra (quase 100km), chegamos a San Luis Obispo. Pequena, mas charmosa, duro é tentar comer depois das 21h por lá. No dia seguinte bem cedo fizemos um cooper
para conhecer rapidamente a cidade e foi suficiente. Pé na estrada novamente.

Não muito distante dali, fica Pismo Beach, uma praia gostosa mas com muito vento. Depois de aproveitar um pouco o sol, a próxima parada era Santa Barbara. Após três dias na estrada, SB parece quase uma cidade grande. A rua principal, State St, concentra as principais grandes lojas dos EUA e mais alguns bons restaurantes. A noite também é razoavelmente movimentada, com música ao vivo, baladas e bares. A praia, apesar de bonita e agradável, é de Marina, o que espanta o mergulho. Aliás, para os desavisados, o Pacífico é MUITO gelado!

Um pouco antes de Los Angeles, a pequena cidade de Camarillo hospeda ótimos outlets. Depois, vem um dos trechos mais bonitos da estrada, pelo qual se entra em L.A passando por Malibu e Santa Monica, bárbaro.

Los Angeles, ao contrário de SF, me surpreendeu positivamente. Apesar de não ter a metade do charme de NYC e das pessoas serem, digamos, esquisitas, é também um lugar de poucos locals. Tem centenas de restaurantes e bares ótimos, compras, passeios e tudo o mais com uma vantagem: a praia. Ou seja, é como se fosse São Paulo com orla. Meu lugar favorito na cidade é sem dúvida o The Getty Center. Um complexo que combina museu com lindos jardins desenhado pelo genial Richard Meier - com quem tive o prazer de trabalhar no ano passado - aos pés do Santa Monica Mountains. Imperdível.

Seria impossível resumir 15 dias em algumas linhas. Então, como uma imagem vale mais que mil palavras, restam as fotos:

https://picasaweb.google.com/anaikw/NYCCaliforniaJul11?authuser=0&feat=directlink

terça-feira, 5 de julho de 2011

NYC Summer facts

Para quem nasceu numa cidade como o Rio de Janeiro, a mudança de estações acontece de maneira sutil. Claro que no verão faz um calor infernal com tempestades frequentes, enquanto o outono tem seus dias lindos, do mais puro céu azul. Mas diria que a dinâmica da cidade é pouco afetada pelos meses do ano. O mesmo não se aplica a Nova York. Tendo estado na mais querida das ilhas algumas vezes, esta foi minha primeira durante o verão. Eis as principais constatações:

- a Union Square é verde, muito verde mesmo. Você espera um Central Park deslumbrante e árvores por toda a cidade, mas a vida da US foi o que mais me impressionou.


- é quente e úmido. Nada insuportável para os acostumados com o calor carioca. Além do mais, o East River sopra uma brisa que torna tudo mais agradável.

- a febre nos Starbucks é o Iced Coffee. Recessão? Não na mais famosa rede de cafés da cidade. As filas pelo drink gelado são gigantescas.

- em toda esquina, barraquinhas vendem frutas frescas. Esqueça os cachorros-quentes e pretzels, pense fresh healthy food.

- as estações de metro não têm ar-condicionado. Pode parecer uma constatação óbvia, mas não menos incômoda.

- as pessoas usam seus laptops, iPads, iPhones e iTudo ao ar livre, no meio da rua. Diria que esta é minha maior das invejas: viver sem medo.

- escurece perto das 21h. O dia rende muito mais, as ruas ficam mais cheias. Por consequência, também anda-se mais e quem sofre são os pés.

- a caminhada pela Brooklyn Bridge é deliciosa. E não pense que são apenas turistas na travessia. Muitos locals aproveitam para fazer um cooper ou dar a caminhada diária na ponte que liga Manhattan ao Brooklyn.


- há mais crianças. Sei que não faz nenhum sentido, mas a sensação é que os novaiorquinos têm mais filhos no verão. Ou pelo menos os soltam.

NYC combina com inverno. Nada mais charmoso que as ruas pré-Natal. Mas o verão é feito para todos e a big apple fica ainda mais colorida sob o sol.