quarta-feira, 28 de julho de 2010

cariocas-paulistanos, paulistas-cariocas

em pouco mais de dois anos, cresceu consideravelmente o número de amigos cariocas que tenho morando em são paulo. o mais impressionante é a capacidade que a gente tem de se encontrar, é quase uma coisa magnética. eles vão surgindo de todas as partes, é o namorado da amiga, a prima do vizinho, o colega de trabalho da cunhada, e, assim, de pouco em pouco, viramos bando. um pequeno refúgio no meio da selva paulistana, que me faz lembrar aqueles bairros tipicamente italianos ou chineses em nova york.

são 45 minutos de voo, cerca de 4 horas de carro e 90 minutos no tal trem-bala que já virou lenda. mas as diferenças existem.

coisas que você deveria saber sobre um carioca:

- são marrentos, bairristas e folgados. podem brigar comigo, mas é verdade. também, como dá para não ser metido quando se teve a sorte de nascer no lugar mais bonito do brasil, que dirá, do mundo?

- você provavelmente conhece alguém que o conhece. dê cinco minutos para dois cariocas: eles vão achar um elemento em comum.

- gostam de ar livre. ficar trancado em casa, no cinema ou restaurante, não é o hábito favorito do carioca. ele precisa sair.

- têm preguiça de trânsito e distância. acredite, 10 km é muuuito longe.

- são descompromissados. o tal "vamos tomar um chope?" provavelmente significa que vocês nunca mais vão se ver, mas fique tranquilo, aquela discussão de ontem por causa do futebol também será esquecida rapidamente.

- niterói não é rio de janeiro.

e as coisas que você deve saber sobre um paulistano:

- sabe a lei do "eu posso falar mal da minha cidade, você, jamais?". se aplica neste caso.

- sobra disposição. se você sair de casa às 6h da manhã ou às 2h da madrugada, vai sempre encontrar alguém da mesma tribo. o paulistano tem tanta disposição para trabalhar quanto para se divertir.

- são exigentes, principalmente consigo mesmo. acredite: um paulistano vai te cobrar na mesma proporção que cobra dele mesmo, o que significa muito.

- fogem de são paulo a qualquer custo nos finais de semana. pode chamar, pra serra, praia, exterior ou interior - o convite será aceito.

- o carro é uma extensão do corpo. salvo raríssimas exceções, o paulistano não sabe viver sem um carro.

- não importa quanto tempo more aqui, você nunca vai conhecer todas as ruas da cidade. ponto.

impressões pessoais ou verdade?

domingo, 11 de julho de 2010

domingos

faz uma semana que não posto aqui no blog. de lá pra cá, algumas coisas aconteceram:

a Espanha acaba de se tornar, pela primeira vez, campeã mundial de futebol. começando como uma das favoritas, ao lado do Brasil, a Fúria perdeu para a Suíça, ganhou jogos por 1x0, mas levou a taça para Madrid. Do lado de cá, nós nos despedimos da primeira Copa do Mundo com Twitter - e que Copa. Nunca foi tão fácil comentar erros de arbitragem, brincar de técnico, criticar narradores. Todos encarnamos, por 30 dias, comentaristas, e é essa a beleza da Web 2.0. O que nos resta agora é imaginar o que vem pela frente em 2014. No mundo da tecnologia, 4 anos parecem 40.

vi meu primeiro filme em blu-ray. sem trailer, com imagem e som perfeitos. descobri que os dvds blu-ray não tem a questão dos conflitos de área (que variam de acordo com o país de origem), mas também que precisamos comprar um cabo hdmi para aproveitar ao máximo esses recursos. acontece que, como tantas outras coisas, esse mero cabinho custa uma fortuna no Brasil! então resta esperar mais alguns meses para importá-lo.

também vi dois filmes maravilhosos, mas nenhum deles em blu-ray. Nos cinemas, O segredo dos seus olhos, vencedor de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2010, é uma obra-prima. Melhor filme que assisti desde o último Tarantino, esse longa argentino é a adaptação de um romance policial humano, político e inesquecível. Ricardo Darín, protagonista, que já conhecíamos de O filho da noiva, brilha, mas, em vários momentos, é ofuscado por seu colega de set, que representa o amigo de seu personagem. A trama do filme começa quando um ex-funcionário público, interpretado por Darín, decide escrever um livro sobre o caso criminal que mais marcou sua carreira e, porque não, o caso de amor. Mais do que isso não pode ser dito, precisa ser visto.

O segundo filme, esse mais delicioso, foi em DVD, Simplesmente complicado. A comédia de humor inteligente e sensível conta a história de uma mulher, Meryl Streep, que em seus cinquenta e poucos anos, se vê tendo um caso com o ex-marido. Depois de um casamento de 20 anos e três filhos, o cara a havia deixado por uma mulher mais nova, com quem se casou. Algum tempo depois, eles se envolvem em um affair nada esperado. De uma maneira muito sutil, o roteiro contesta uma série de clichês vividos pelas famílias modernas sem em nenhum momento perder a mão. Recomendo.

Acabo de começar no Kindle o livro Let the great world spin, de Colum McCann. O autor, cujo livro foi publicado no Brasil pela Record, vem para a Flip desse ano. Ainda preciso avançar mais nas páginas digitais para comentar o romance, mas adianto que trata da década de 1970, uma época em que os americanos sentiam-se frágeis.

Last, but not least, a Exame acaba de publicar sua edição 2010 Melhores & Maiores. O anuário fala sobre as 1000 empresas brasileiras mais importantes para o mercado. A diferença é que, pela primeira vez, acompanha uma versão em inglês. Isso apenas evidencia como o que tem sido feito aqui por nós está atraindo, cada vez mais, atenção de investidores e empresários estrangeiros. Deixo meus parabéns pela Editora Abril por ter notado isso a tempo.

E shosholoza!

domingo, 4 de julho de 2010

expectativas

esperança, probabilidade, ou aquilo que nos assola desde a infância, levando, muitas vezes ao divã do analista na vida adulta. os meninos da seleção brasileira, de Gana e do Paraguai são exemplos de como as expectativas que nos são depositadas por outros podem se tornar insuportáveis.

sofremos com o que nossos pais, chefes, maridos, mulheres e amigos esperam de nós. na hora em que bateu uma falta de fora da área, Daniel Alves sentiu em seus ombros as expectativas de 190 milhões. isso serve para explicar porque tantos jogadores profissionais, muito depois de Roberto Baggio, ainda perdem penaltis em jogos decisivos da Copa do Mundo.

falamos de volantes não tão experientes, atacantes machucados, laterais jogando em outra posição. discutimos a importância do futebol arte, ou quando é mais importante ser eficaz. condenamos alguns esquemas táticos e propusemos outros. mas esquecemos de uma coisa fundamental: o fator emocional. quando aqueles onze jogadores entram em campo, muito importa a estabilidade de cada um. não é à toa que os dias pré-jogo chamam-se concentração.

isso ficou bem claro no caso da França. uma das grandes seleções do mundo voltou para casa porque a equipe estava, literalmente, desestruturada. como esperar foco de um time liderado por uma pessoa instável? como manter-se tranquilo quando o técnico surta na lateral do campo, em coletivas com a imprensa, e, não é difícil supor, no vestiário?

Dunga não errou no esquema tático. Talvez tenha tido seus motivos para fazer a escalação que fez e tem meu apoio ao ter defendido sua equipe de uma exposição desnecessária à imprensa. Mas ele perdeu a dignidade quando abandonou o time perdedor em campo. Deveria ter aprendido com nosso colega Diego Maradona um pouco mais sobre liderança.

E que venha 2014!