quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

New York City - férias parte VI

Passado o Natal, é tempo de Ano Novo em todo o mundo. Mas o que NYC entende de Christmas, deixa a desejar no New Years. Poucas pessoas festejam o reveillon como brasileiros, e a questão não é o frio, pois ano passado estivemos em Amsterdã, onde, na virada, a temperatura era de -10 graus, e isso nada impediu que festa rolasse na rua até altas horas.

Esse é nosso terceiro ano novo em Manhattan e, como das outras vezes, não tenho a menor intenção de ir pra roubada-square (aka Times Square). A ideia de ficar horas e horas no frio, sem poder beber (já que é proibido beber na rua), sem banheiros próximos (soube que há quem vá, pasmem, de fraldas, para não perder o lugar) e no meio de uma multidão de turistas, tudo isso pra ver uma bola despencar em 10 segundos, não me agrada. Sendo assim, das outras vezes, fizemos um belo jantar e fomos comemorar a virada em um bar. Animado, mas nada que passe muito de 2am. Neste ano, estamos apostando com um casal de amigos em uma dessas festas pagas com open bar que os restaurantes/boates fazem. Nossa escolha foi o The Collective , uma das sensações do badalado Meatpacking district.

Com uma decoração descolada e eclética, o The Collective foi reinaugurado onde antes funcionava outro lugar chamado One Little West 12 (por conta do endereço). Uma mistura de restaurante e lounge, em um ambiente a meia luz e uma vibe young-beautiful-sexy no ar. O ingresso não foi absurdo, por isso resolvemos dar uma chance e arriscar!

O modelito já está escolhido. Ao contrário do Brasil, aqui as pessoas não passam o Ano Novo de branco - a maioria, aliás, usa preto. A pedida são cores fortes e brilho, com uma meia-calça bonita e casacão por cima. Agora só falta aproveitar e comemorar, muito, o ano que termina maravilhosamente bem, com a promessa de outro ainda melhor.

Para deixar meus votos de Feliz Ano Novo, compartilho o discurso do Steve Jobs na universidade de Standford, feito há cinco anos. Para os que ainda não assistiram, um pouquinho de inspiração no ano que começa:


E que venha 2011!

domingo, 26 de dezembro de 2010

New York City - férias parte V


Não há sinal mais evidente da chegada do inverno do que a neve. Para nós, acostumados ao clima tropical, as temperaturas abaixo de zero podem parecer coisa de outro mundo e um sinal para se trancar em casa, mas para os novaiorquinos - assim como qualquer residente de um país no hemisfério norte - ele faz parte do dia a dia durante ao menos 4 meses por ano.

Os adeptos de corrida de rua, por exemplo, não penduram seus tênis e encaram o frio! É preciso, como em todos os momentos, saber se vestir. Roupas muito pesadas não apenas atrapalham o exercício, como podem se tornar um problema depois que o corpo estiver aquecido. Por outro lado, a proteção é fundamental para evitar cair de cama logo no começo da estação. Esses coletes puffy são ótimos, por serem leves e barrarem o vento. Pra mim, uma das dificuldades é respiratória, por conta do ar gelado e seco. O que ajudou bastante foi aquela tira de por no nariz, que ajuda a aumentar a inspiração.


Pode parecer uma loucura correr no inverno, mas garanto que você não vai sentir muito mais frio do que em um dia comum. Foi uma delícia percorrer o Meatpacking District by foot.

Mas se a snowstorm chegar, aí sim é hora de evitar a corrida, já que as ruas ficam super escorregadias. Nesses dias, o ideal é sair de casa com um bom casaco impermeável (e que tenha capuz!) e botas com sola de borracha - há quem prefira tênis, mas eu sempre acho que molha o pé, além de comprometer o visual. Nem pense em levar guarda-chuva: o jeito é colocar o capuz e encarar a neve. Luvas são fundamentais também. Eu gosto das de couro e forradas por dentro.

Aí é só aproveitar o silêncio da rua e a beleza da paisagem coberta no primeiro dia de neve. Adoro inverno. Há um quê de mágica nos flurries caindo do céu e uma sensação de tranquilidade que a neve deixa na cidade, uma atmosfera reflexiva, calma. Cada lugar em que se entra, sejam lojas ou restaurantes, traz um alívio do calor, não apenas físico, mas humano.


Depois disso, é só lama.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

New York City - férias parte IV


Para quem adora bons restaurantes e lugares diferentes, NYC também é a cidade ideal. Keith McNally sabe bem disso. Há 30 anos no ramo, é considerado um dos mais bem sucedidos restaurateurs da cidade. Dos que conhecemos do grupo, todos estão sempre cheios, e parece que o padrão se repete: Pastis, Morandi, Balthazar, Schiller's, Pulino's.

Mas Nova York não é só dele. Como já comentei aqui, tem até loja de roupa que vira restaurante. E por mais que haja sempre os lugares de sucesso, existe um fator pessoal na história. Pra mim, por exemplo, não há pizza na cidade melhor do que a da John's Pizzeria. Estivemos na tal Pulino's, o ambiente super badaladinho, comida boa (apesar de a sobremesa ter sido o destaque da noite), mas em termos de sabor, fico com a John's. O mesmo acontece com restaurantes italianos, que são incontáveis na cidade, mas o Chelsea Ristorante, na 8th ave, junta comida deliciosa, serviço impecável e ambiente agradável sem acumular horas e horas de espera.

Aliás, a vantagem de comer uma pizza na John's é depois passear pela Bleecker st e aproveitar o West Village. Dá pra comprar queijos deliciosos no Murray's Cheese Shop - há quem prefira lugares como o Whole Foods Market ou até a Eataly. Mas supermercado de férias, tô fora, e a Eataly apesar de muito legal, fica cheia demais da conta. Subindo um pouco mais, tem a loja do Marc Jacobs - com o outlet ao lado - e, de sobremesa, o cupcake da Magnolia Bakery, supostamente o melhor de NYC. Se o passeio se estender até o começo da noite, sugiro uma passada no Fat Cat, na Christopher Street (que cruza a Bleecker). Eu ainda não conhecia o lugar, mas adorei. Por apenas 3 dólares, há sempre bandas maravilhosas num ambiente descontraído que mistura cerveja, jazz, ping-pong.


domingo, 19 de dezembro de 2010

New York City - férias parte III


Manhattan é incrível. Possivelmente a ilha mais interessante do mundo. Mas logo ali, no lado leste do rio, um bairro vem conquistando muitos que antes se recusavam a cruzar a ponte: o Brooklyn.

o passeio é rápido - da estação que fica próxima de nós, são menos de 10 minutos de metro. A boa pedida é ir no final da manhã e fazer um brunch no Bubby's, uma espécie de primo pobre do River Café, mas não menos bacana. Em vez de estar embaixo da Brooklyn Bridge, ele fica no pé da Manhattan Bridge, o que lhe dá uma visão de ambas as pontes e, claro, do East Side. Não precisa dizer que a vista do restaurante é maravilhosa, mas antes ou depois do almoço vale ir até o parque em frente para admirar com calma a paisagem. Tem um mini parquinho para quem vai com criança. Isso, aliás, é uma das coisas mais impressionantes do Brooklyn. Basta cruzar a ponte a aparecem casais com filhos pequenos aos montes. Aparentemente, as pessoas não gostam de criar seus filhos em Manhattan - vai entender...

Ali naquela região tem mais algumas coisas interessantes, como livrarias bacanas e o Dumbo Arts Center, que, infelizmente, estava fechado quando fomos. Pros apaixonados por chocolate como eu, vale dar um pulo no Jacques Torres Chocolate, na Water Street, que além do Wicked Hot Chocolate tem várias opções maravilhosas, tudo feito lá mesmo.

Dessa vez o frio não permitiu, mas quem gosta de andar pode aproveitar para voltar a pé pela Brooklyn Bridge, certamente um percurso inesquecível.

Ainda preciso explorar mais a noite do Brooklyn, mas sem dúvida é uma região muito gostosa, sobretudo porque é só pular no primeiro trem para estar de volta a Manhattan rapidinho, rapidinho.

sábado, 18 de dezembro de 2010

New York City - férias parte II

de volta a NYC! não importa quantas vezes eu venha, não me canso dessa cidade.

Apesar do frio, dezembro é uma época linda em Manhattan, sobretudo se você conseguir vir na primeira quinzena, antes da enxurrada de turistas. A verdade é que ninguém sabe fazer Natal como os novaiorquinos. Tudo iluminado, bonito e alegre, mesmo quem não tem muito espírito natalino como eu entra no clima. Em todas as lojas, a trilha sonora é temática, isso passando por os mais diversos gêneros musicais - da cantora pop do momento a música sacra. Se não for sua primeira vez em NYC então, melhor ainda. Fuja dos pontos turísticos e aproveite para bater perna e, claro, curtir as mega liquidações da temporada.

Pra começar, descubra a cidade que existe entre a 20th e 10th ruas. Nos últimos dias, estive em dois lugares que acho perfeitos para quem está no - ou próximo de - Lower Manhattan. A Union Square, que fica entre a Broadway e a Park Ave (entre a East 17th e 14th streets), tem lojas, bares e uma movimentação intensa. Mesmo para quem não consegue chegar a pé, a estação de metro homônima deixa no centro da praça, facilitando bastante a locomoção. Ali, tem o imperdível Coffee Shop, um bar/restaurante que fica aberto 23 horas por dia e é frequentado por pessoas de todos os tipos e idades: a cara de NYC. Depois dá pra dar uma passada na Barnes & Noble e na Sephora. Outra opção é o Whole Foods Market, que vende comida natural e orgânica, e dá pra comer lá mesmo. Pra quem quer aproveitar e fazer compras, lá tem Diesel, American Eagle e uma Best Buy gigante. Mas a minha preferida é a Urban Outfitters da 6th com a 14th, a apenas duas quadras de lá.

Outro lugar bacana, este no West Side, é o Chelsea Market, na 9a avenida, entre 15th e 16th. Vale uma tarde de brunch + passeio. Dá pra comprar especiarias, ótimos vinhos e até roupas bacanas. Meu restaurante favorito, aliás, o 202, fica no meio de uma loja de roupas, super descolado e a comida é maravilhosa.

Ainda no West Side, na 17th entre a 6a e 5a avenida, come-se um brunch delicioso num lugar pequeno e super charmoso chamado Petite Abeille. Nos finais de semana, costuma ficar lotado com os moradores da região, então prepare-se para a espera ou se programe para ir em outros dias. No caminho, na quadra anterior (entre a 6a e 7a), tem um brechó ótimo, o Angel Street.
Essa região toda é ótima. Circulando por aí você encontra as principais lojas sem todo aquele movimento de Mid-Town.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Washington, D.C. - férias parte I

após alguns meses de ausência forçada pelo excesso de trabalho, volto, de férias e blogando diretamente dos EUA

sete anos depois, voltei a Washington, D.C. semana passada. neste tempo, a capital americana recebeu o primeiro presidente negro da história do país, um novo museu, atravessou a pior das crises econômicas recentes, mas é como se tivesse ficado parada no tempo.

com uma população de 5.4 milhões de habitantes, D.C. é sede do governo da maior potência do mundo e recebe pessoas de todos os lugares. ainda assim, é uma cidade pacata inserida numa estrutura de metrópole. o metrô, ao contrário do novaiorquino, é limpo e organizado, mas não é nem de perto tão eficiente - ou interessante. os washingtonians parecem ter saído daqueles filmes americanos nos quais vivem a rotina casa-trabalho sem grandes emoções. a própria cidade tem não mais que 500 mil habitantes, mas esse número chega a 1 milhão durante os dias de semana, isso porque a maior parte prefere a pacata vida dos subúrbios que circundam a área. é este ritmo de vida que está impresso no dia a dia de D.C.

ainda assim, a cidade abriga alguns dos melhores museus dos Estados Unidos e mundialmente reconhecidos. até nisso, a ordem impera. se você quiser visitar os museus e monumentos não se preocupe: eles estão estrategicamente situados em torno de uma grande área verde chamada The Mall. Além dos imperdíveis National Gallery of Art e National Museum of Natural History, nesta visita tive o prazer de conhecer o Newseum, um dos mais recentes de lá. o Newseum, como o próprio
nome sugere, é sobre a notícia. as instalações são modernas e o acervo interativo e surpreendente. desde um pedaço do muro de Berlim até o primeiro helicóptero com câmera, passando por exposições como as fotos vencedoras do Pulitzer ou a cobertura jornalística do furacão Katrina.

a tímida agitação da cidade se concentra em áreas como Georgetown (M Street), onde estão as principais lojas e comércio local, Dupont Circle e Chinatown, que reúnem os melhores restaurantes e bares. esses lugares podem dar a impressão de uma grande cidade, digna de capital do mundo, mas reles 20 minutos no metro saindo da região central são suficientes para voltar ao cotidiano dos suburbs.

com toda organização, D.C. já foi considerada a capital do crime nos Estados Unidos, durante os anos 1990 pelos altos índices de assassinato. ainda hoje, é esnobada por muitos WASPs por sua população de negros ser tão significativa - cerca de 36% atualmente. outro problema para os washingtonians é o trânsito, o pior do país, talvez pelo grande número de commuters (como são chamados os que vivem nos subúrbios e trabalham na cidade). em seu favor, a cidade é muito limpa e bonita, com uma arquitetura equilibrada entre o pós Guerra Civil e o moderno. os esquilos são um charme à parte: por onde você anda, há pequenos esquilos cruzando a calçada, subindo pelas árvores e mergulhando nas lixeiras. uma graça.

D.C. está muito perto de Baltimore, cidade que tive a oportunidade de conhecer durante minha estada há muitos anos, mas não valia a pena naquela época, e duvido que isso tenha mudado. o estado de Maryland, onde está D.C., faz fronteira com a Virginia, que fica logo ali do outro lado do rio Potomac. é possível, inclusive, fazer a travessia de metro em poucos minutos. coisa de país desenvolvido.

Mas a melhor parte de D.C., sem sombra de dúvidas, é que a cidade está a 4 horas (de carro) ou 40 minutos (de avião) de Nova York e por um preço super acessível: o ônibus que sai do centro de uma para downtown da outra, custa algo como U$ 20 e é muito seguro. só que a Big Apple é outro capítulo, ou melhor, posts por vir!