terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

pout-pourri

como falta tempo para escrever o quanto eu gostaria, vou passar por alguns dos pontos que ganharam estrelas no meu Google Reader essa semana.

1) O portal NYTimes anunciou que vai lançar o site The Local East Village em parceria com a New York University. Prevista para entrar no ar no outono deles, a página terá o conteúdo desenvolvido por alunos da universidade, dando continuidade ao projeto de notícias locais que já inclui o The Local Brooklyn . A ideia do jornal é ampliar a rede de colaboradores e, para isso, investem em disseminadores de opinião, ou seja: quem melhor para falar de uma região do que aqueles que lá vivem?

Para alguns, esse é o futuro do jornalismo - colaborativo e regionalizado. Será?

2) Em maio do ano passado, quando ninguém ainda falava em iPad, contei para vocês que a Amazon tinha acabado de lançar o Kindle DX, uma nova versão do leitor digital cujo principal objetivo era atender às demandas de estudantes universitários. Agora, começam a surgir os primeiros resultados dos projetos piloto com as faculdades de Princeton, Case Western Reserve University e Darden School of Business. No geral, os professores acharam que os alunos ainda não consideram a ferramenta para anotações satisfatória e a dificuldade de visualizar várias páginas ao mesmo tempo (lembre da cena: aluno na biblioteca com cinco livros abertos) também pesou. Alguns se adaptaram com mais facilidade e reconheceram a importância do aparelho para o meio ambiente, em contrapartida ao uso excessivo de papel. Mas a maioria aproveitou mais o Kindle para leituras de lazer.

Uma surpresa para os que previam que os e-readers seriam adotados, em primeiro lugar, para educação. Eu inclusive.

3) Esta deu no Publishnews. A Veja criou um aplicativo, o Veja Meus Livros, que já pode ser usado via Orkut e estará disponível, em breve, também para o Facebook. É uma ferramenta que permite aos internautas compartilhar com outros usuários que livros que estão lendo, organizar suas leituras, fazer comentários sobre os livros e ainda ler as resenhas da Veja. Segundo o portal, em apenas 15 dias a novidade conquistou 17 mil adeptos. A iniciativa tem apoio da Livraria Cultura, que permite também a compra dos livros escolhidos, para quem quiser.

A favor, eles têm o fato de não quererem "competir" com outras redes sociais, como já fez o Skoob e O Livreiro, ambos sem muito sucesso. Ao contrário, a Veja está se unindo aos gigantes Orkut e Fb para atrair o público. Acho que o caminho é mesmo esse.

E, para finalizar, já que isto é um pout-pourri agradeço profundamente a paciência e colaboração da Carla Vorsatz, minha revisora, professora e consultora para assuntos diversos, aka, "Mom".

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

capas românticas

fãs da The New Yorker, como eu, normalmente também são apaixonados pelas capas incríveis. apesar de a revista ser uma publicação semanal, eles parecem nunca perder a mão.

em homenagem ao Valentine´s Day, celebrado no último domingo em todo o mundo - menos no Brasil, claro -, o site reuniu 13 das capas mais "românticas" já publicadas. Veja aqui.

a minha eleita é a de 1960, com os engravatados todos procurando pelo mesmo chocolate para as respectivas mulheres. presentes tão criativos quanto o vestuário...

enjoy!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

primeiro ano


hoje, quarta-feira de cinzas, dia em que o ano começa para o Brasil, completo meu primeiro bloguersário. a ideia de ter um blog começou alguns anos antes, mas, depois de muito incentivo, finalmente tirei o projeto do papel e inaugurei o Melhores Palavras em fevereiro de 2009.

exatamente aquilo que faz do blog uma coisa tão simples e prazerosa, também é a maior dificuldade. vale tudo? não, mas vale quase tudo. isto não é um diário, nem tampouco uma revista importante. é apenas um espaço onde junto alguns pensamentos, comento coisas que acontecem no mercado editorial e da comunicação que possam vir a interessar outras pessoas. nada mais do que um recorte, um olhar - o meu olhar - desta nossa realidade.

e assim, devagarzinho, fui conquistando o meu espaço nesse mundo virtual. em 1 ano, recebi mais de 5.000 visitas. para alguns, pouco, para mim, todas especialíssimas. posso não ter milhões de leitores, mas tenho alguns cativos, que estão sempre por aqui, procurando alguma coisa que os interesse. à vocês, meu obrigada pelo apoio e pela presença. cada post, cada assunto sobre o qual escrevo é pensando em fazer dos minutos que vocês dedicam ao blog, um momento que acrescente mais uma gota à enxurrada de informações que recebemos.

espero que continuem acompanhando o Melhores Palavras neste próximo ano. a partir de semana que vem, teremos algumas novidades. todos os comentários são lidos com muita atenção e eles são importantíssimos para discutir algumas das questões que falamos aqui. por isso, não se acanhem. se aprendi a "blogar", foi apenas pelo prazer da troca com vocês.

parabéns a nós!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ônibus high-tech

deu no NY Times. no Arizona, EUA, o governo encontrou um jeito de acalmar as feras. quem já esteve em um ônibus escolar, sabe a verdadeira baderna que costuma acontecer. mas, neste ônibus, os alunos agora vivem quietinhos. é que foi instalado um sistema de wi-fi gratuito. assim, os adolescentes e seus hormônios alucinados, aproveitam a viagem para a escola em seus laptops, devidamente conectados ao mundo.

é o famoso se não pode vencê-los, junte-se a eles.

aqui no Brasil sei que a Azul, companhia aérea, oferece este serviço nos ônibus que transportam os passageiros até o aeroporto de Campinas, Sp, de onde saem seus voos. foi uma forma que a empresa encontrou de incentivar os novos clientes a enfrentarem o trânsito por uma passagem mais barata.

se vamos começar a ler mais em laptops, e-reader e iPads, iniciativas deste tipo serão importantes para os leitores digitais. isso porque, à exceção do Kindle, todos os outros aparelhos precisam de uma conexão com a internet para baixar e-books.

Eu apoio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

questão de hábito

nosso querido Zuenir Ventura, jornalista e autor, escreveu hoje sobre o problema da leitura no Brasil. para tentar justificar os 70 milhões de brasileiros que (ainda) não leem, Zuzu levantou um ponto importante: a lista antiquada e nada atraente dos livros paradidáticos impostos pelas escolas. Ou seja, exatamente no momento de apresentar a leitura para o jovem e estimular o incipiente hábito, os professores acabam por afungentá-los de vez, direto para as telas dos computadores e consoles de videogames. Veja o artigo na íntegra aqui.


enquanto isso, nos EUA (para não dizer que falamos de Europa), nada menos do que três quartos dos adultos elegeram o livro em primeiro lugar, quando perguntados sobre o que os seduzia a gastar mais dinheiro. com apenas 11% dos votos, jantar fora veio em segundo lugar, seguido por compras (7%) e viagens (4%). empolgante. não é à toa que lá, as discussões em torno dos livros digitais já estão em pleno vapor. é como se as populações norte-americana e europeia estivessem em um segundo patamar. o hábito da leitura fora consolidado, agora é uma questão de forma.


por aqui, se de um lado vemos atitudes na contra-mão, como o caso dos livros eleitos pelos professores apontado por Zuenir, de outro, iniciativas como a Biblioteca de São Paulo, que citei no post de ontem, seguem no caminho certo. sim, o Brasil está crescendo e, claro se modernizando. sem dúvida precisamos acompanhar as tendências mundiais. afinal, já são mais de 30 milhões de internautas. mas precisamos fazer o feijão-com-arroz. apostar em projetos que incentivem não apenas a leitura, mas o acesso à cultura de uma forma mais ampla. que nossos jovens naveguem, mas que enxerguem na imensidão da web, novas oportunidades. a Biblioteca Britânica, por exemplo, que já disponibiliza títulos de seu acervo em seu site, anunciou que vai oferecer 65 mil livros para downloads gratuitos. entre eles, clássicos como Charles Dickens e James Joyce.


se você não é pai, nem mãe, muito menos professor de ensino fundamental, lembre-se que este é um ano de eleição. vamos conhecer melhor as ideias dos políticos para fomento à leitura e apostar na cultura e educação como ferramentas de crescimento para o nosso país.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

casa de livros

ontem, dia 8, o Governo do Estado inaugurou a Biblioteca São Paulo, no Parque da Juventude, onde funcionava o presídio Carandirú. A trabalho, participei da cerimônia de abertura, e sai impressionada.

A Biblioteca mais tem cara de Saraiva do que aquelas antigas - e o objetivo era exatamente esse. O espaço que um dia foi conhecido pela superlotação e seus massacres violentos, se transformou em um ambiente de cultura moderno e gratuito. O acervo começa com 30.000 livros e 8.000 CDs e DVDs, além de jornais e revistas do mundo todo. A estrutura é toda dividida por faixa etária, desde crianças, até adultos, e tem um espaço dedicado para deficientes físicos e audiovisuais. Apesar de ser possível emprestar qualquer livro do acervo, todo o ambiente é feito para que as pessoas de fato queiram ficar por lá.

Que atire a primeira pedra quem achou que as bibliotecas estariam, a essa altura, fechando as portas. Mas lá estavam, além de toda a trupe política, nomes como Pedro Moreira Salles, Arthur Nestrovski e Ignácio de Loyola Brandão para mostrar que cultura ainda está na moda. Se a proposta é atrair os jovens, não poderiam faltar, claro, computadores. E não faltam. Também estão lá os best-sellers do momento, de vampiros a Dan Browns.

Discussões políticas a parte, o fato de se oferecer em São Paulo um espaço como este é aplaudível. Enquanto os grandes brigam por uma fatia do mercado de e-books, aqui no Brasil ainda precisamos criar o hábito da leitura, independente da plataforma. Uma iniciativa muito bacana.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

o turco


novo encantamento literário: o turco Orhan Pamuk. E que turco. Pamuk tem na estante e no bolso nada menos do que um Prêmio Nobel (2006) e o Dublin Literary Award (2003). A Academia Sueca justificou os méritos do autor com a seguinte frase: "Em busca da alma melancólica da sua cidade natal, Pamuk encontrou novos símbolos para retratar o choque e o cruzamento de culturas".


Parece que ele tem alguns belos títulos como O livro negro, O meu nome é vermelho e o best-seller Neve. Resolvi começar por Istambul - cidade e memória e estou sendo positivamente supreendida. Meu lado jornalista adora a combinação de fantasia e realidade que alguns autores fazem tão bem. Além disso, o livro permite uma verdadeira viagem à Turquia, um dos países que gostaria muito de conhecer.


E vocês, caros amigos, já leram algum romance do Pamuk?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a batalha começou

semana passada, o todo-poderoso Steve Jobs anunciou o tão esperado tablet da Apple. batizado de iPad, o aparelho é, claro, lindo de morrer. segundo Jobs, vem para complementar a lacuna deixada pelos netbooks e seria um terceiro aparelho para quem já tem laptop e smartphone, mas quer um objeto prático, leve e que reúna internet, e-mail, etc.

capa da The Economist

tal como na ocasião de lançamento do iPod e depois do iPhone, Jobs foi aplaudido, criticado, elogiado, repreendido em jornais, sites, twitters, televisões e mesas de bar do mundo todo. o que em um primeiro momento passou quase despercebido, começa agora a vir à tona. muito mais do que um lançamento do mercado eletrônico, o iPad veio para abalar as estruturas do já remexido mercado editorial.


sim, além de andar, falar e abanar o rabo, o novo brinquedinho da Apple também é leitor de e-books. E que leitor. A iBookstore já começa com títulos de cinco grandes editoras - Penguin, Harper Collins, Macmillan, Hachette Book Group e Simon & Schuster - e um grande diferencial. Ao contrário do Kindle (para quem ainda não tinha percebido, trata-se de um ataque direto ao atual líder de mercado dos e-readers), os livros digitais ali comprados funcionam em outros aparelhos, como por exemplo o Sony Reader, ou o Nook, da Barnes & Noble. Em outras palavras: a Apple acaba de fazer pelos livros o que fez pela música com o iTunes.




como a Apple conseguiu, de cara, atrair estas grandes editoras? simples. prometendo 70% do faturamento sob a venda dos livros - e a precificação de acordo com as editoras. Assim, a Penguin, por exemplo, poderá determinar o valor de seu e-book e embolsará a maior fatia destas vendas. A consequencia pode agradar os editores, mas certamente não os clientes. Enquanto os lançamentos para Kindle custam U$ 9,99, na iBookstore o preço médio será entre U$12,99 e 14,99.

a briga é de cachorro grande. Em resposta à adesão da Macmillan, a Amazon suspendeu a venda de livros desta editora em seu site, tanto os impressos, quanto e-books. A atitude ganhou as páginas de jornais e divide especialistas. Uns acham que as condições da Apple beneficiam as editoras e, portanto, estimulam a concorrência e possibilitam a manutenção da qualidade. Outros acham que a Amazon está(va) usando e abusando de seu poder de barganha para impor suas próprias regras e que preços tão baixos poderiam "matar" o livro impresso.

esta é a apenas a primeira batalha de uma longa guerra. Espera-se que ainda este ano o Google também anuncie sua loja de e-books e a disputa só deve acirrar. Se, por um lado, vai ser difícil para a Apple bater o completíssimo acervo da Amazon, por outro, o iPad promete muito mais do que o Kindle. Ele é colorido; ele tem todas as funções de um computador; ele tem os aplicativos de iPhone; ele é touchscreen; ele tem e-mail; e, sim, ele custa mais caro (U$ 499). Mas ele é um Mac.


em dois meses, as primeiras versões começam a ser vendidas. Vocês vão ter que esperar um pouquinho até que eu tenha a oportunidade de testá-lo. Enquanto isso, o que acham? A Apple vencerá essa guerra com a mesma facilidade que venceu a eterna Mac vs PC?