quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

número 1


Em seu blog oficial, a organização da Flip acaba de anunciar o primeiro nome confirmado para a edição de 2010. O irlandês de 45 anos, Colum McCann, tem oito livros publicados, mas foi com Let the Great World Spin que ganhou o National Book Award - e reconhecimento internacional.


Neste romance, McCann traça um paralelo entre a história do equilibrista que atravessou as Torres Gêmeas e o ataque terrorista que as derrubou 27 anos depois, para retratar Manhattan e os novaiorquinos. Segundo o blog, o livro sairá no primeiro semestre desse ano pela Record. Mas, para os apressadinhos, a edição em inglês está à venda no site da Amazon e também disponível para Kindle pela bagatela de U$ 8,75 (cerca de R$ 16,00). Como o preço da Record definitivamente não será mais competitivo e, como também é sempre mais gostoso ler no original, acho que já vou começar os preparativos para a feira deste ano.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

em revista


Não sei vocês, mas aqui em casa as revistas disputam bastante espaço na sala. Além das duas assinaturas que temos - Piauí e Exame - a quantidade de exemplares comprados por mês deve girar em torno de cinco ou seis. Ainda há os suplementos que acompanham o jornal - outra assinatura, a da Folha de S. Paulo -, os anuários, especiais e guias da cidade. Em suma, chego ao ponto de ter muito mais páginas de revistas do que horas livres para lê-las.

2009 não foi o ano das revistas. Os números do primeiro semestre indicam que, enquanto a receita publicitária da internet cresceu 25%, a das revistas caiu quase 10%. A necessidade de suprir essa migração fica evidente em veículos como a Veja, por exemplo, cujo conteúdo editorial começa em torno da página 30 (as primeiras são apenas de anúncios).

Verdade que muito do conteúdo pode ser acessado via web, o que faz cada vez menos pessoas assinarem e comprarem as revistas, e, por consequência, leva os anunciantes a seguí-las para a web. Mas também é um fato que vivemos a superinformação e nos falta tempo para acompanhar, simples assim. Lá no escritório, assinamos quase todos os principais veículos da chamada Grande Imprensa. Jornais diários de Sp e Rio, revistas semanais, mensais, de negócios, cultura, femininas e variedades. Os assuntos "quentes", como chamamos no jornalismo as notícias mais recentes, se repetem e são raríssimos os casos de ângulos inovadores ou abordagem criativa de um mesmo tema. As reportagens ficaram triviais. Já os assuntos "frios" são requentados sempre que sobra espaço para suprir. Nos jornais, são os buracos da cidade e caos no trânsito, nas revistas, pautas sobre carreira, saúde, amor e sexo. Não necessariamente nessa ordem.

Buscamos, na internet, um panorama geral dos acontecimentos. Factuais, matérias curtas, que nos deixem a par do que se passa no mundo entre uma reunião e outra. Sendo assim, até então, recorríamos às revistas para análises mais profundas, reportagens bem elaboradas. Mas se a internet ainda não conseguiu roubar de vez nosso foco de atenção, o caminho é curto. Sempre me sinto mais atraída a ler uma matéria impressa, folheando as páginas da revista. E isso, como sabemos, é uma questão de tempo. Se a mídia ainda não encontrou a forma ideal de rentabilizar o acesso ao conteúdo, esse é um futuro que está sendo inaugurado por gigantes americanos, como foi o caso do NY Times na semana que passou.

Nossas assinaturas migrarão de físicas para online, como tantas outras coisas já fizeram, e nos habituaremos a ler nas telas de laptops, celulares e Kindles que virão. Por ora, só posso dizer que os banquinhos da sala de estar agradecem.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

novos tempos

nessa semana, mais uma vez, são paulo sucumbiu à força das chuvas. a cidade mais rica da américa latina parece indefesa perto da força da natureza. as cenas de pessoas ilhadas, cercadas por um mar de carros ou de água, se repetem na televisão. os recordes se superam. a primeira década do terceiro milênio foi também a mais quente. este janeiro já é o mais chuvoso dos últimos 60 anos.
sinal dos tempos. das heranças que deixamos para as próximas gerações depois de anos e anos de exploração ambiental.
segundo especialistas, as previsões econômicas são melhores do que as climáticas. a china deve chegar à condição de segunda economia mais forte do mundo ainda este ano. o brasil, por sua vez, pode chegar ao quinto lugar nos próximos.
sinal dos tempos. países outrora subdesenvolvidos são a grande esperança de uma economia globalizada. olhos que há poucas décadas não viam nada em nosso país que não fossem bananas, ou carmem miranda, hoje brilham diante do inegável.
e, para completar, o ny times, jornal mais influente do mundo, anunciou que passará a cobrar por seu conteúdo online - até então gratuito - a partir de 2011. cada usuário terá acesso grátis a um certo número de artigos, a partir de quando passará a pagar. o modelo misto de cobrança tem como objetivo se adequar às previsões pessimistas para o mercado ao mesmo tempo que não assusta os internautas mais cautelosos.
estamos mesmo vivendo novos tempos. e, como todos os anteriores, será um tempo de muitas dores, mas também muitas delícias.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Moleskines

Os amantes do Moleskine - e me incluo neste grupo - que se preparem. Corre pelos blogs literários mundo afora uma nova febre, os Whitelines.

O Moleskine, originalmente de capa preta, foi testemunho da criação de grandes artistas como Van Gogh, Picasso e Hemingway, para depois conquistar autores, jornalistas e até executivos do século XXI. Capa mole, dura, em formato agenda ou de bolso, os cadernos mais charmosos já criados representam cultura, viagem, memória e, principalmente, literatura. Em plena era digital, muitos - e aí me incluo mais uma vez - ainda não dispensam a boa e velha dupla papel e caneta.

Mas a hegemonia do cultuado Moleskine está agora ameaçada pelos branquíssimos Whitelines. A empresa sueca surgiu em 2006 com a proposta de melhorar aquilo que parecia imutável. A ideia é que, como a tinta da caneta muitas vezes pode se confundir com as pesadas linhas escuras dos cadernos comuns, no Whiteline, adivinhe: as linhas são brancas. Assim, com o contraste, os rabiscos se destacam ainda mais, facilitando a leitura.


Veja a comparação:



Ainda há muita tradição para ser derrubada, mas o fato é que os novos caderninhos albinos já estão conquistando uma legião de fãs. Preciso experimentar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

o sobrevivente

Não é à toa que gostamos de ler. Esta foi apenas a segunda semana do ano e a sensação é de total desamparo. Caos no Haiti, tragédia em Angra, censura na China. Miséria, desgraça, violência, corrupção por todos os lados. Ler o jornal de manhã exige um estômago bem forte. Hoje, acompanhando o relato do repórter da Folha que está em Porto Príncipe, foi difícil terminar o café. Na televisão, as coisas não são muito melhores. Os canais de notícias exibem, em looping, imagens de tristeza e falta de esperança. Entretenimento também não se salva. Entre o Big Brother de número 4.395 ou a novela das oito fico, muito obrigada, com meu livro.
O vendedor de armas é o romance de estreia do Hugh Laurie, mais conhecido como o Dr. House da série de TV. Deliciosamente sarcástico e surpreendentemente contemporâneo, essas páginas são exatamente o que eu - e o mundo - precisamos agora. Porque, afinal de contas, é para isso que lemos. Com exceção de leituras acadêmicas ou profissionais, não existe nenhuma outra razão que me faça pegar um livro - ou meu Kindle - no final do dia senão para meu próprio deleite. São histórias que te fazem imaginar outra realidade, como a vida no século XV, ou sentimentos improváveis, como o desejo, inexplicável de assassinar uma velhinha. Personagens que não se contentam em ficar na mesinha de cabeceira e te acompanham ao longo do dia. Autores que, com uma simples frase, conseguem dizer muito.
Claro que há leituras e leituras. Não podemos comparar uma obra-prima da literatura com um livro para entreter, nem seria cabível. Mas, de uma forma ou de outra, o que importa é que o livro é o maior sobrevivente que a humanidade já conheceu. É o único capaz de resistir a terremotos, enchentes, tiroteios e até a guerras. Está aí o Diário de Anne Frank que não nos deixa mentir.
In memoriam: Miep Gies, a mulher que protegeu Anne Frank e imortalizou o Holocausto.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

amazon


Se o Google é o rei da internet, a Amazon certamente é sua rainha. A maior varejista virtual dos Estados Unidos começou em 1997 com a venda de livros, mas de lá para cá, diversificou seus produtos que hoje incluem CDs, DVDs, video games, eletrônicos, brinquedos e até móveis.


Mas, para muitos, Amazon é sinônimo de livros. No meu caso, por exemplo, é uma excelente ferramenta de consulta. Qualquer pesquisa que eu faça sobre literatura estrangeira começa pelo site da Amazon. Além de conseguir dimensionar o tamanho da obra de um autor ou a percepção crítica de tal livro, o mais importante é que ela me dá uma noção da relevância daquele título. Afinal, não existir na Amazon, é como não existir por completo.


Pode ser que hoje eles vendam de tudo, mas a Amazon não nega sua origem. Maior prova disso foi o lançamento do Kindle, em 2007, que já ganhou a segunda versão, depois a DX e, finalmente, a internacional, no ano passado. Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, declarou mais de uma vez que o objetivo do Kindle é ser para o mercado editorial o que o iPod foi para a indústria fonográfica. O sonho parece muito mais palpável. No último Natal, pela primeira vez, a Amazon vendeu mais livros eletrônicos do que livros físicos.


O sucesso não deve parar por aí. Nos últimos dias, o Kindle DX (com tela maior e outras funções) também ganhou uma versão internacional e passará a ser comercializado para outros países. Este na verdade foi um dos poucos passos em falso que a Amazon deu na relação com clientes. Famosa por investir em satisfação do consumidor, frustrou a muitos com esta manobra fajuta de tentar forçar os donos de Kindle a trocá-lo por um modelo superior. Mas nada grave para os fãs da 'livraria' virtual.


E podem apostar. Este será o ano dos e-books.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Shakespeare and Company

Resolvi começar o ano contando que tive a alegria de conhecer a livraria mais charmosa do mundo. Num cantinho de Paris, a alguns passos do Sena, lá está a Shakespeare and Company. Fundada em 1951 por um jovem americano que chegara à capital francesa durante a Segunda Guerra, a livraria oferece apenas títulos em inglês. Dos clássicos aos modernos, ali estão reunidos os melhores livros da língua inglesa.

Pequena e acolhedora, a livraria é muito movimentada. Difícil andar sem se esbarrar nos estreitos corredores ou disputar um espaço em frente às prateleiras. No primeiro andar, Post its e pedaços de papel escrito à máquina registram impressões famosas ou anônimas de alguns dos livros expostos. São breves resenhas, tão despretensiosas quanto poderiam ser. Logo na frente da loja está a caixa, operada por moças e rapazes que também só falam em inglês com os fregueses.

Mas a verdadeira delícia está no segundo andar. Lá, com exceção de algumas revistas literárias, nada está à venda. O espaço funciona como uma biblioteca pública, sem nenhuma burocracia ou qualquer semelhança com as tradicionais. Basta pegar qualquer um dos livros da estante e sentar-se para curtir. Um velho piano e uma máquina de escrever também ficam por ali, entre os leitores, inteiramente disponíveis para quem quiser se aventurar nas teclas.

Situada no Quartier Latin, o bairro que durante muito tempo foi reduto dos intelectuais e centro da criatividade parisiense, a Shakespeare and Company tornou-se reduto de aspirantes a escritores, jovens curiosos ou simplesmente dos apaixonados pela literatura inglesa.


Imperdível.