segunda-feira, 30 de novembro de 2009

igual banana

Enquanto me dedico ao "mês-digital", no qual tenho que ler tudo via Kindle, a Amazon declarou, hoje de manhã, que novembro foi o melhor mês de vendas do Kindle até então.
O e-reader continua sendo o item mais vendido pela varejista dentre todas as categorias. É que lá nos Estados Unidos, a última sexta-feira, conhecida como Black Friday, inaugurou a maior temporada de vendas do comércio norteamericano - do Thanksgiving ao Natal. A Amazon está aproveitando a brecha da Barnes & Noble, que adiou as vendas do Nook, o mais forte concorrente do Kindle, para dia 7 de dezembro.
Para nós, já usuários, o Kindle recebeu uma atualização automática do sistema (sim, automática no sentido de "não é preciso fazer nada para receber") na semana passada que inclui novos features. Agora é possível ler documentos em PDF, alterar a visualização entre os modos retrato (vertical) e paisagem (horizontal), além da vida útil da bateria, que agora passa a ser de sete dias de leitura - contra os quatro anteriores.
Tudo para terminar o ano lendo mais (e melhor).

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Humores

Todo mundo sabe que as mulheres costumam ser vítimas das oscilações de humor. Culpa dos hormônios, dizem por aí. A verdade é que não existe explicação possível para um dia de fúria. Está bem, a TPM, o chefe, o trânsito, a empregada, podem até funcionar como catalisadores. Mas o fato é que quando estamos de mau-humor, as questões externas são absolutamente insignificantes – ainda que todas pareçam caóticas.

Hoje um amigo mau-humorado por essência, mas muito perceptivo, disse no Twitter que as mulheres de mau-humor ficam engraçadas. E isso me fez pensar sobre o espectador dessas nossas confusões. Cresci com mulheres, rodeada delas, e uma coisa que você precisa saber sobre nós, é que nem nós mesmas compreendemos o mau-humor alheio. Por isso entendo que essa visão de fora seja realmente hilária. Dificilmente algum homem pode ser capaz de compreender o que tanto nos incomoda naquele bendito dia. Começa com um check-list – é fome? Cansaço? Cólica? Dor de cabeça?; passa pelo pragmatismo: você quer que eu compre o jantar? Quer sair? Eu levo o carro para consertar...; e termina na resignação – não, não há nada que você possa fazer, porque simplesmente não há nada que NÓS possamos fazer, senão esperar passar...

Que esta sexta-feira continue tão alegre para todos!

 

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Espinosa em dose dupla

Fãs, a postos: ele voltou. Espinosa, o delegado mais querido do Brasil, protagoniza o novo romance policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, Céu de origamis.
Mas para quem é tão (ou mais ainda) fã do autor, duas oportunidades imperdíveis de ouví-lo falar e pegar autógrafos. Garcia-Roza, que há anos não faz lançamentos de seus livros, participa de dois eventos nas próximas semanas, um no Rio e outro em Sampa. Tem para todo mundo.
Anote:
Terça-feira, dia 1º, Prosa nas Livrarias
Livraria da Travessa, Shopping Leblon (RJ), a partir das 19h.
Quarta-feira, dia 2, Sempre um papo
SESC Vila Mariana (SP), às 20h.
Este é o oitavo livro de Espinosa - e provavelmente o melhor deles. Meus comentários sobre o livro em breve, aqui no blog.

domingo, 22 de novembro de 2009

A menina que brincava com fogo

Na segunda parte da trilogia Millenium, Stieg Larsson marca alguns gols. Lisbeth Salander, que surgira como personagem secundária no primeiro livro da série, ganha merecido status de protagonista. A personagem é uma das mais deliciosas da literatura policial. Sua personalidade causa no leitor uma sensação que não pode ser resumida em uma única palavra. Dona de uma ética própria e muito peculiar, neste livro Larsson destrincha que experiências a fizeram como ela é.

Na medida em que nos aprofundamos na história de sua vida, ganham espaço outros tantos personagens que fazem deste volume ainda mais rico do que o primeiro. Miriam Wu, a amante, Paolo Roberto, o boxeador, o Gigante Loiro, a personificação em músculos do inimigo, são algumas das especiarias de Larsson que prendem o leitor para além da trama principal.

Diga-se de passagem, a trama desta vez é ainda mais instigante, com direito a tráfico sexual, proteção política e algumas reviravoltas empolgantes sob uma dinâmica ágil. A ideia de manter Lisbeth fora da narrativa durante todo o tempo em que se desenrolam os assassinatos dos quais ela passa a ser acusada, revela-se um recurso poderoso que nos mantém, assim como o próprio Blomkvist, em dúvida sobre sua inocência durante um tempo não muito longo - mas incômodo o suficiente.

A narrativa, porém, é menos coesa do que no primeiro livro, Os homens que não amavam as mulheres. A história parece ser dividida entre antes e depois dos assassinatos, mas a ruptura é de tal modo brusca que a sensação de se ter lido dois livros é inevitável. Não o suficiente da primeira parte, que retrata o período de Lisbeth fora da Suécia, se mostra proveitoso para o leitor. Se a intenção era construir um retrato sólido da personagem de forma que nós já a conhecessemos o suficiente quando sua inocência fosse posta em prova, há de ter sido excessivo. Larsson perde a medida quando conduz a narrativa pelos tais dilemas matemáticos, se arrasta nas passagens do furacão no Caribe e enche linguiça com o caso do implante de silicone nos seios.

Se Millenium é uma trilogia, a sensação é de que o primeiro livro funciona como introdução para o Michael assim como a primeira parte do segundo, para Lisbeth. Apenas daí em diante inaugura-se o que será o cerne do thriller, cuja continuação fica em suspenso. Mas isto me parece muito menos uma falha do autor do que escolha editorial. Resta ler o terceiro.

A menina que brincava com fogo. Larsson, Stieg. Companhia das Letras: São Paulo, 2009.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

consciente

- Amanhã é feriado.

- De novo.

- Por que mesmo?

- Zumbi.

- Zumbi, que Zumbi?

- Aquele Zumbi, o dos Palmares, que libertou os escravos.

- Entendi, é feriado dos escravos.

- Não, é Dia Nacional da Consciência Negra.

- Ah, então é feriado nacional?

- Não, só em oito estados.

- Mas não era nacional?

- É que nem todos os estados têm consciência.

- Consciência de quê?

- De que amanhã é feriado, oras.

- Amanhã é feriado! Vamos à praia?


** bom feriado a todos **

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

lançamento: fazer ou não fazer?

Ontem estive em um lançamento a trabalho - que por sinal, foi um sucesso - e não pude deixar de pensar sobre este tradicional evento do mercado editorial, que hoje me parece mais um grande dilema.
Para o autor, pode ser muito cansativo. São horas e horas autografando, cumprimentando centenas (com sorte!) de pessoas e tendo poucos minutos de atenção para cada uma delas, que afinal, estão ali por sua causa. Pode não ser o melhor dos programas para os convidados também. Frequentemente, não tem lugar para sentar, o serviço de coquetel não é dos mais caprichados e as filas são compridas. Já a editora corre o risco de montar todo o evento e não ter quórum, o que significa dinheiro desperdiçado e um autor frustrado. Combinação nada promissora.
Por outro lado, existem lançamentos como os de ontem. O autor recebe centenas de convidados que ficam alegremente na fila e depois conversando pela livraria, vende-se outras boas centenas de livros e tudo isso ainda gera bastante repercussão positiva para o livro. Editora, autor e livreiros ficam todos satisfeitos. Cenário ideal.
Mas qual a diferença entre um lançamento de sucesso e os casos perdidos? Será apenas a força da personalidade do autor? Seu mailing pessoal? Ou é um modelo falido? Porque se você parar para pensar no público, ir a um lançamento significa nada mais do que prestigiar o autor, dado que hoje é possível comprar qualquer livro do conforto de sua casa. Tampouco acredito que o que atraia tantas pessoas seja a vontade de ter um autógrafo. Ao fim e ao cabo, penso que a editora deve levar em consideração o prestígio daquele autor e sua capacidade de atrair gente - ele está em sua cidade natal, por exemplo? - enquanto o próprio autor precisa pesar as contrapartidas do esforço e cansaço, mas que, muitas vezes, podem ser revertidas em um grande sucesso de vendas. E quem não quer isso?
Bom final de semana.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ele chegou!

Depois de meses de expectativa e algumas semanas de ansiedade, ele, o Kindle, meu Kindle, chegou. Inaugurei a leitura digital com The Girl Who Played With Fire, do Larsson, e um exemplar da The Economist.
Já com o Larsson os benefícios ficaram evidentes. Estava na metade da leitura do exemplar físico da edição brasileira, que tem algo em torno de 600 páginas, e agora tenho o conteúdo todo no levíssimo Kindle, em qualquer lugar. Ponto para mobilidade.
A compra do livro é tão simples quanto a Amazon diz ser. Depois de você cadastrar no site seu método de pagamento padrão - ou seja, o número do cartão de crédito -, basta acessar a Kindle Store do próprio aparelho e comprar ali mesmo, onde estiver, o livro, a revista ou jornal que quiser. Venda efetuada: em menos de um minuto todo o conteúdo está disponível. Ponto para praticidade.
A remessa do Kindle é tão simples quanto o próprio e-reader. O pacote contém o dito cujo, um carregador que é também cabo USB e um miniguia rápido. E só. O manual está todo dentro do Kindle, podendo ser consultado a qualquer momento. Ponto para modernidade.
A leitura é realmente confortável. A tela não emite luz, o que significa que, como com um livro, você precisa de iluminação para ler. Mas também significa que não cansa a vista. Li por mais de uma hora seguida e, de fato, no harm done. Ponto para conforto.
O dicionário que já vem no Kindle permite que, a qualquer momento da leitura, você pesquise o significado de uma palavra com apenas um clique. É possível também grifar passagens, fazer anotações e marcar a página - mas nem perca seu tempo, o Kindle sempre memoriza a página em que você parou. Ah, sim: e ele fala! O recurso text-to-speech é um verdadeiro narrador eletrônico. Bom para os leitores carentes, não? Ponto para experiência.
Ele te conquista. Seu Kindle já vem com uma carta em nome do Bezos, dando às boas-vindas. As maiores revistas do mundo estão disponíveis e com um período de duas semanas grátis, para experimentar. E para quem comprou o Kindle logo no início, antes da queda de U$ 20 no preço, a Amazon simplesmente reembolsou o valor sem que eu pedisse, no questions asked. Ponto para fidelização.
Last, but not least, ele é lindo, lindo, LINDO. Fininho, moderno, e a "tela de descanso" alterna belas imagens de grandes autores ou capas de livro. Ponto para design.
Se você ainda tinha dúvidas, sim, o Kindle é incrível.

domingo, 8 de novembro de 2009

presenteando

Basta ir a qualquer shopping center ou passear pelas ruas da cidade para não ter dúvidas: o Natal chegou. Jingle Bells à parte, estes próximos dias significam compras e mais compras, pois, para alegria da economia, é chegada a hora de dar presentes. Presentear é uma arte. Algumas pessoas têm esse dom, enquanto outras ficam muito perdidas e aflitas para escolher o que comprar. Isso porque, além das pessoas queridas, acabamos tendo que comprar presentes também para outras nem tão próximas assim, seja por causa de um amigo oculto no trabalho ou de uma confraternização na casa de amigos.

Eis que, nesse momento de dúvida, muita gente recorre ao bom e velho livro para presentear – e ainda tem uns achando que o livro está com os dias contados, mas enfim, isso é papo para outro post. Dar um livro de presente pode não ser uma tarefa tão simples quanto parece. Para mim, o livro pode ser muitas vezes um presente mais íntimo do que perfumes ou roupas, na medida em que você vê como a pessoa se veste ou que tipo de fragrância usa, mas o gosto literário, bem... esse não é facilmente exposto. Portanto, antes de se aventurar pelas livrarias, algumas considerações.

A primeira e mais importante delas é também a mais óbvia: a pessoa em questão gosta de ler? Você já a viu lendo, comentando sobre certo título, autor, ou sequer carregando um livro? Em caso negativo, deixe para lá e escolha outro tipo de presente. Entenda que, normalmente quem gosta de livro, realmente gosta de livro. Ninguém vai resolver ler apenas porque ganhou um de presente de Natal. Mais provável que ele entre na próxima Saraiva e troque por um CD.

O segundo passo é escolher o gênero. Desencorajo livros técnicos ou de ensaios como presente. Não só por não ser, em absoluto, a proposta da ocasião, como você ainda corre o risco de errar feio e chutar a bola para fora do estádio. Posições profissionais podem ser como religião ou política, pise no calo do sujeito e você arranja um inimigo em dois tempos. Considero um bom romance policial a sua melhor chance de acertar. Ficção com ritmo de thriller, personagens marcantes, leitura fácil e dinâmica, costuma agradar Gregos e Troianos.

Para melhorar suas chances de sucesso, passe longe dos livros-calhamaço, de 400 páginas para cima. A chance de espantar o leitor amador é grande. Tampouco aposte em livros que façam parte de uma série. Nestes casos, ou bem o presenteado é um fã e já tem toda a coleção ou você acaba de dar uma fração de presente.

Por último, algumas dicas de lançamentos bacanas para este final de ano:

O seminarista, Rubem Fonseca (Editora Agir)

O mundo, Juan José Millás (Editora Planeta)

O leitor, Bernhard Schlink (Editora Record)

Céu de origamis, Luiz Alfredo Garcia-Roza (Companhia das Letras)

Quem tiver outras sugestões, compartilhe. Nada como um bom boca-a-boca para revelar um ótimo livro.

 

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

rapidinha

Hoje é dia da entrega do Prêmio Jabuti 2009. A categoria mais esperada, Livro do Ano, só é anunciada durante a cerimônia, bem no formato Oscar.

Já que o Nobel surpreendeu à Gregos e Troianos, quais são suas apostas para o grande vencedor da noite? Acredite se quiser, acho que vai dar Chico Buarque e seu Leite Derramado. E se for, não será nada merecido.

A ver...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

sequências

Você já viu esse filme antes. Tardiamente, descobrimos um escritor muito bacana e, para nossa alegria, ele não escreveu apenas um ótimo livro, mas uma série completa. Acontece que você, felizardo, como só descobriu a série deliciosa muito depois de todo mundo, não precisou ficar roendo as unhas esperando o próximo lançamento - todos os livros já estão devidamente traduzidos, publicados e à venda. Que sorte.


Será?


Além da questão mercadológica - fazer os fãs esperaram pelo próximo livro aumenta as vendas do título atual e todos os produtos correlatos (filmes, e-books, etc) - descobri recententemente que existe um porquê da espera. O intervalo entre um volume e outro não é mera tortura fria e calculista para conosco, leitores. Esse tempo é também o tempo de maturação da história, dos personagens. Quando você encara o segundo ou terceiro volume de uma série, o autor tem o desafio de não apenas manter seu interesse, mas de resgatar tudo aquilo que havia lhe conquistado em primeiro lugar. Isso significa que, não apenas a narrativa pode ficar um tanto repetitiva, já que é preciso recapitular certos aspectos relevantes para o contexto da história, como não teremos tido tempo de ansiar por aquele livro e devorar mais 500 páginas de um mesmo tema.


Se a relação leitor-personagem em muito lembra uma relação amorosa, precisamos, por que não, sentir saudades de um personagem. Assim, o (re)encontro será muito mais bem aproveitado e apreciado.


Recentemente incorri neste erro ao emendar o primeiro e segundo volumes da trilogia Millenium, de Stieg Larsson. Mas agora vou até o fim, porque afinal de contas, não se abandona um relacionamento no primeiro momento de crise.