sexta-feira, 31 de julho de 2009

mais vendidos

Basta qualquer rápida passada de olhos pela lista dos livros mais vendidos aqui do Brasil - aquelas publicadas semanalmente nos principais jornais e revistas - para perceber que literatura estrangeira faz sucesso.
Na lista de ficção, por exemplo, durante muito tempo o único brasileiro foi Augusto Cury e seu bestseller O vendedor de sonhos, cujo segundo volume, acaba de entrar nos dez+ também. Neste ano, Cury passou a ser acompanhado por Chico Buarque, o que dispensa esclarecimentos. O curioso é que Augusto Cury também está entre os mais vendidos de autoajuda, reforçando o fenômeno das "ficções de autoajuda", no estilo de A cabana. Será essa a nova tendência dos leitores brasileiros? Se isso significar mais valorização à literatura nacional, so be it.
Aproveito o ensejo para dar uma olhadinha nos 10+ do Amazon e entender o que eles estão lendo afinal. Estão lá nomes já conhecidos pelas nossas listas como Stieg Larsson e o segundo volume de sua trilogia, The Girl Who Played With Fire (A menina que brincava com fogo), e também Dan Brown, o autor de Código da Vinci, que voltou a ser badalado com o lançamento do filme Anjos e Demônios, baseado em seu livro. Por falar em autoajuda ficcionada ou seja lá que nome leve, está lá, claro, The Shack (A cabana). Mas o best-dos-bests ainda não chegou por aqui. Chama-se The Time Traveler's Wife, de Audrey Niffenegger. Sei pouco do livro, além de que mistura ficção científica com romance, o que já basta para tirar minha vontade de ler. Resta então a pergunta: se somos conhecidos por seguir os passos da cultura norte-americana, será ficção científica o próximo hit brasileiro?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

prizes

O Man Booker Prize, um dos prêmios literários mais importantes do mundo, anunciou o que eles chamam de longlist. São os primeiros 13 selecionados, que passam à segunda fase das avaliações.
O presidente do júri disse que “esta é uma das listas mais fortes dos últimos anos, com uma variedade enorme de estilos e temas que faz desta lista uma mistura riquíssima de ficção.” A lista inclui o Nobel de Literatura de 2003 J. M. Coetzee, com Summertime, William Trevor, Sarah Waters e Colm Troibin. Os finalistas serão conhecidos em setembro.
Mas, aqui no Brasil, os tambores estão rufando para a segunda edição do Prêmio São Paulo de Literatura, cujo vencedor será anunciado em cerimônia no Museu da Língua Portuguesa na próxima segunda-feira, dia 3. Revejam a lista dos finalistas e façam suas apostas!

domingo, 26 de julho de 2009

Academic Earth

O Academic Earth é uma organização criada em janeiro deste ano com o objetivo de levar educação de qualidade a todos.

Lá estão reunidas palestras, aulas e cursos completos de faculdades como Harvard, Berkeley, Princenton, Yale, MIT, Standford... g r a t u i t a m e n t e.

O portal já recebeu mais de 1 milhão de visitantes, sendo mais da metade deste público de fora dos EUA. A ideia é reunir o melhor conteúdo que algumas das maiores universidades já disponibilizam em seus websites, para criar um ambiente educativo virtual - e acessível. As áreas acadêmicas vão de Astronomia a História passando por Filosofia, Ciências Políticas e, claro, Literatura.

Estou fazendo um curso do departamento de English de Yale que chama-se The American Novel Since 1945. Uma câmera instalada na sala, permite que você acompanhe todas as 26 aulas deste curso, tendo acesso inclusive à bibliografia indicada, que inclui autores do período como Richard Wright, Flannery O'Connor, Vladimir Nabokov, Philip Roth, e outros tantos.

A professora, Amy Hungerford, propõe a discussão de questões como o relacionamento entre escritor e autor, as condições de publicação da época, inovações no formato do romance, o engajamento da ficção com a história e o contexto da literatura na cultura norte-americana. Tudo isso direto de Yale, com direito a perguntas de alunos e outros tantos desdobramentos possíveis.

and God bless the internet!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

divergências literárias

Navegando em blog muito bacana de alguns amigos, o Sete Doses, deparei com esse post sobre um (dos muitos possíveis) roteiro de leitura.


Tem ótimas sugestões e a lista é super organizada, por região, por época e por movimento literário, o que facilita. Mas fiquei pasma sentindo falta de alguns nomes que para mim são fundamentais, como Kafka, Faulkner, Paul Auster, e, mais recentemente, meu querido Talese.


A partir disso, fiquei pensando como seria se cada um de nós fizesse seu próprio "roteiro de leitura". Sem dúvida apareceriam os mais diversos autores e títulos - e seria bárbaro!

Se você fizesse um roteiro de leitura, quais são os três nomes que jamais poderiam ficar de fora?


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Agente, para que te quero?

Em muitos aspectos, o mercado editorial brasileiro copia o americano. Claro que perto das grandes publishing houses dos EUA, ainda estamos engatinhando, mas, de todo modo, a dinâmica tende a ser replicada. Exceto em um caso – o papel do agente literário.

Se lá fora não é possível imaginar um autor, por mais desconhecido que seja, que não tenha um agente o representando, aqui no Brasil a prática ainda é pouco comum. Em primeiro lugar, há poucos escritórios que desempenham este papel com segurança como os de Lucia Riff e Alessandra Pires; e, ainda estes, costumam ser utilizados como um suporte burocrático, seja para o autor que tem livros publicados por diversas editoras e precisa de ajuda com seus contratos, ou porque alcançou certo nível de reconhecimento que não o permite gerenciar toda sua obra.

Essa é a outra questão. Enquanto aqui os poucos agentes ocupam-se dos 'peixões' da literatura brasileira, nos Estados Unidos eles funcionam muito como os primeiros avaliadores de autores estreantes. Ou seja: o autor procura um agente literário e submete seu manuscrito, o qual é avaliado e, caso seja considerado apostável, ele passa a ser um cliente da agência, que negociará com editoras daquele perfil a publicação do livro. Em muitos casos, o agente inclusive sugere mudanças que adéquem o texto a um perfil mais comercial, um pouco como alguns bons editores o fazem.

Sobretudo, ter um agente literário lhe representando, pode ser muito interessante para a venda de direitos ao exterior. Hoje, no Brasil, isso ainda é feito de maneira muito tímida, cabendo a algumas poucas editoras esse papel. Já nas grandes casas, o autor vê a atenção do departamento editorial ser dividida entre outras centenas de escritores e, assim, muitas vezes, seu trabalho nunca tem a chance de ser levado a outros países. Estamos falando, portanto, de uma área desse mercado ainda não explorada, o que pode significar oportunidades para ambos os lados – agentes e autores – crescerem. Cabe a nós aproveitar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

mais Colombo, mais Talese

Certamente vocês se lembram da capa da revista The New Yorker do desenhista Jorge Colombo, feita a partir de um programa de iPhone, que também nos permitia assistir ao processo de criação da imagem. Pois bem. Colombo - e os editores da New Yorker - tomaram gosto pela coisa, e desde lá, a revista vem publicando semanalmente novos desenhos produzidos com a mesma técnica em seu blog, veja aqui. Em todos, o artista retrata uma cena tipicamente novaiorquina como a frente do Apollo Theatre, motoristas de limosine, ou uma janela do Starbucks.
E por falar em mais, hoje à noite tem mais Gay Talese. O jornalista-autor, ou escritor-repórter, é o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura, às 22h10. Talese falará sobre detalhes de sua carreira e os desafios da profissão no século XXI, sob apresentação de Paulo Markun.

domingo, 19 de julho de 2009

Cuide de você

até 7 de setembro, o SESC Pompeia (SP), recebe a mostra cuide de você, da artista francesa Sophie Calle.
Sophie, escritora, fotógrafa e artista conceitual, cujos trabalhos são marcados pelos limites entre vida pública e privada, frequentemente gera polêmicas e críticas acerca de suas propostas. Certa vez, pediu que a mãe contratasse um detetive para seguí-la pelas ruas de Paris e, a partir daí, explorar sua própria interioridade através da forma como ela se comportava em público. Em outro trabalho, usou uma caderneta de endereços que encontrou no chão para compor o perfil de um perfeito desconhecido: ligou para todas as pessoas que ali estavam e conversou sobre o dono da agenda, de quem também tirou fotos (e que mais tarde a processou por tudo isso).
Mas seu mais recente trabalho teve origem a partir de uma carta de rompimento. Misturando sua vida pessoal com a atividade profissional, uma das marcas mais fortes de sua produção artística, Sophie convocou uma centena de mulheres, das mais diferentes profissões, a analisar a carta que acabara de receber de seu então namorado, na qual ele terminava o relacionamento. Às mulheres, pediu que tratassem a carta por um ponto de vista profissional, pois queria fazer uso dos vocabulários técnicos próprio a cada uma, em vez do sentimentalismo feminino.
Com a palavra, Sophie Calle:
Recebi uma carta de rompimento.
E não soube respondê-la.
Era como se ela não me fosse destinada.
Ela terminava com as seguintes palavras: "Cuide de você".
Levei essa recomendação ao pé da letra.
Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.
Entendê-la em meu lugar. Responder por mim.
Era uma maneira de ganhar tempo antes de romper.
Uma maneira de cuidar de mim.
E foi exatamente isso que as personagens dessa exposição fizeram: esgotaram a carta. Foram análises gramaticais, jurídicas, diplomáticas, artísticas, simbólicas e sintáticas. Uma das maiores forças da exposição é sem dúvida esse múltiplo desdobramento e plurisignificação que o texto adquire diante de nossos olhos. Ali, nas paredes, junto com as "respostas", estão belíssimas fotos dessas leitoras intervencionistas. O barato é curtir esse impacto visual e essa riqueza de olhares, porque é difícil conseguir ler e apreciar as 107 cartas-respostas na própria galeria. Pensando nisso, a organização disponibiliza um arquivo com esses textos, que é possível acessar via internet.
De todo modo, Sophie Calle consegue, neste trabalho essencialmente literário, expor algumas das nossas fragilidades como mulheres e como profissionais e contar uma história - a sua história - de término, que não se esgota com o fim.
Penso nela como uma contadora de histórias.
O que é interessante é que sua vida e sua arte são a mesma coisa.
Ela faz isso para se manter viva, para criar uma realidade para si mesma.
É uma combinação rara.
Paul Auster

sábado, 18 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe


Estreou nesta semana o sexto e penúltimo filme da saga de maior sucesso da literatura contemporânea. Harry Potter e o Enigma do Príncipe é baseado no livro homônimo, o melhor de J.K. Rowling.

Lançado em 2005, o livro é também o mais sombrio, e funciona como uma prévia do último volume, que juntos, formam uma sólida unidade narrativa. A profundidade dos personagens - cujas angústias amorosas são retratadas - é mais um sintoma da evolução de Rowling como autora. O que começou como um livro infanto-juvenil com Harry Potter e a Pedra Filosofal, ganhou corpo em enredos mais bem construídos, enriquecidos por um maior número de personagens, e conquistou os mais diversos públicos.

Sentados nas poltronas do Kinoplex Itaim, na noite da última quinta-feira, estavam crianças, adultos, casais, famílias, adolescentes e pessoas mais velhas. O filme em nada decepciona os fãs do livro. Pelo contrário: com a qualidade técnica que marcou os cinco anteriores, Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um filme para comover gente grande. Tanto os encontros amorosos quanto o mais trágico dos finais são abordados com a mesma delicadeza que a autora imprime a sua prosa.

Considerando que a maior parte dos filmes que assistimos hoje são adaptações, e que muitas vezes o leitor sai frustrado de uma sala de cinema, a saga Harry Potter se consolida como um exemplo de bom roteiro, boa direção, bom elenco e excelente pós-produção.

Imperdível.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Made in China

A Amazon que se cuide, porque a China parece também querer uma fatia do mercado dos leitores de e-book.

Em uma feira de Digital Publishing, em Tokio, a empresa Peking University Founder revelou um protótipo do que será seu novo aparelho, comercializado a partir do final do ano.

Qualquer semelhança é mera coincidência, garantem os porta-vozes da Peking, que dizem não haver relação entre o Kindle 2, da Amazon, e seu e-reader. Se o lançamento vai abalar as vendas do maior site de varejo do mundo, é cedo para dizer. O fato é que o e-reader chinês promete trazer também conexão de celular, através de um SIM card, coisa que o todo-poderoso Kindle ainda não faz. E é também verdade que a Amazon resolveu baixar o preço de seu e-reader para U$ 299, bem quando o modelo chinês foi anunciado com a promessa de custar algo em torno de U$ 210...

domingo, 12 de julho de 2009

Mr. Ferguson

Por conta do lançamento da Editora Planeta, A ascenção do dinheiro, de Niall Ferguson, estive muito em contato com este professor britânico, que hoje divide a maior parte do seu tempo entre os EUA e sua terra natal e é a maior referência em história econômica.
O livro, que já é um sucesso de vendas tanto no Reino Unido quanto na América do Norte, foi publicado em novembro do ano passado pela Penguin, bem no olho do furacão da crise financeira que acometeu tanto os americanos quanto o resto do mundo, e trouxe consigo muitas explicações para o fenômeno. Segundo Mr. Ferguson, esta seria a terceira grande crise global que vivemos, contabilizando-se a famosa dos anos 1930, e uma anterior, no final do século XIX. E parece que, em todo esse tempo, não aprendemos a mais importante lição de todas - toda bolha que alimentamos, uma hora ou outra, se rompe e estoura.
Niall Ferguson nasceu em Glasgow, em 1964. Professor da Harvard Business School e de Oxford, é especialista em história econômica e financeira, bem como na história do Império Britânico. Conhecido fora da academia por sua visão do imperialismo e colonialismo, publicou quatro livros de sucesso, incluindo este último, que chega ao Brasil em julho, mas já é o livro mais vendido do selo de não-ficção da Penguin, além de ter sido adaptado a um documentário exibido no Channel 4 (UK) e atualmente no ar pela PBS (USA).
Mr. Ferguson, um dos mais requisitados acadêmicos do momento, é também extremamente acessível e bem-humorado. Com aquele típico humor inglês, é capaz de dar entrevistas em táxis, trens, ou qualquer outro meio de transporte ao longo de suas jornadas pela Europa, mas também de impor, com toda delicadeza, seu limite de tempo. Em nossa última entrevista, me disse que precisaria parar às 19h30, horário local, pois estava dando um jantar de aniversário para sua mãe em casa. De bom grado, responde e-mails no meio da madrugada e lhe oferece sua visão acerca de alguns dos mais polêmicos temas do momento: crédito, bancos, inflação. Ao final de cada conversa, você tem a sensação de que está quase - quase - entendendo o funcionamento do complexo sistema financeiro global. Tudo isso porque ele tem a habilidade narrativa, tanto escrita quanto oral, de facilitar para o mais leigo dos leigos, assuntos tão abstratos quanto a história da moeda no mundo.
A mim, que nada me interesso pelo assunto, já interessou ler A ascensão do dinheiro. Se por nada mais, pelo tom, nada condescendente com que Mr. Ferguson consegue nos explicar o que a maior parte dos jornalistas não pôde.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Balanço Flip 2009 – dia 2

Ufa! Depois de muita correria, voltei para contar sobre meu último dia de Paraty.

O domingo começou cedo e com algum sol iluminando o clima nostálgico do final da Flip. Fomos direto para a Tenda dos Autores assistir a mesa do historiador Simon Schama, autor do livro O futuro da América, sobre as eleições primárias norte-americanas de 2008. Fui surpreendida por um auditório lotado, com pessoas sentadas nos corredores, todos sentados esperando Lilia Schawarcz, que faria uma apresentação um tanto longa da carreira de Schama. Se os EUA habitam o imaginário dos brasileiros, sofremos também quando eles caem?

De início, Simon Schama mostrou que aquela não seria uma mesa como outra qualquer – levantou-se, microfone sem fio preso ao ouvido, e começou o que seria uma palestra-show, sem interrupções ou hesitações, exceto uma. Enquanto defendia explicitamente seu apoio a Barack Obama, uma mariposa intrusa pousou em seu ombro, ao que todos reagiram e ele, calmamente espantou o inseto e disse "Well, George Bush probably sent that".

Schama disse que o passado e o presente são arbitrários, na medida em que dependem do referencial. E também disse que, com tudo o que possa ser dito, os Estados Unidos são um país onde duas opiniões opostas podem se confrontar livremente. A mesma nação que é referência do mundo globalizado, até os dias de hoje guia sua política com se os fundadores, "the founding fathers" – os líderes da independência, Lincon, Adams, Franklin, Jefferson – ainda estivessem bem vivos no Capitólio.

Sobre como o Brasil e os EUA lidam com a questão racial, Schama disse que enquanto eles têm um discurso baseado no "Who do you think you are?", que remete à igualdade, nós partimos da postura "você sabe com quem está falando?", apelando sempre à hierarquia social.

Outro tema da mesa – e também do livro de Schama – a religião, ele resumiu ao citar Thomas Jefferson que indagava "does it break my bones or picks my pockets, if a man has one God, three Gods, twenty Gods, or no Gods?"

Em linhas gerais, Simon Schama, como o visitante anterior Gay Talese, quis dizer que a história é escrita no cotidiano, pelas múltiplas vozes que formam o conjunto social. E, sobre sua narrativa clara, explicou que deve-se escrever história não para acadêmicos ou seminários, mas usando todos os discursos disponíveis.

Depois de lá, muitas pessoas já estavam pegando a estrada. Nós ainda nos demos o direito de almoçar uma pizza e dar mais uma volta na cidade, até que também chegou nossa hora e viemos, de volta a São Paulo, onde o que me esperava era mais Gay Talese, terça-feira, no MASP.

A Flip é muitas coisas. É cult, é pop. É contemporânea e é antiga. É literária e é musical. É artística, conceitual, única. A Flip se não é, deveria ser um de nossos maiores orgulhos. Não há autor que não se sinta em casa – inclusive os estrangeiros. E não há leitor que não saia de lá com algum título anotado em seu caderninho. Mal posso esperar pela edição de 2010. E da próxima vez, quero ver mais, ler mais e ouvir mais.

Até!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Balanço Flip 2009 - dia 1

Chegou ao fim ontem a 7a edição da Feira Literária Internacional de Paraty. Muito já se disse sobre o que aconteceu por lá. Inclusive, com ajuda da tecnologia, o público twittava durante as mesas, comentava matérias de blogs nas ruas, e mandava para os jornais fotos e registros pessoais dessa verdadeira festa.
Para mim, que presenciei pela primeira vez o evento, fica apenas o pouco de muito que consegui aproveitar.
A primeira ótima supresa foi que a cidade não estava tão insuportavelmente cheia quanto achei que fosse ficar. Era um movimento constante, alegre e disperso. O sol não apareceu, mas a chuva também não atrapalhou. Nada além de um esparso chuvisco no começo da noite de sábado.
Cheguei no começo da tarde do próprio sábado e, após alguns percalços, seguimos para um almoço com direito a filé de truta e cerveja. De lá, voltamos para a Tenda dos Autores, onde às 17h veria o Gay Talese ser entrevistado por Mario Sérgio Conti.
Talese, com seu inglês firme, eloquente e claro, discorreu sobre sua história. Começou contando sobre a época em que entreouvia sua mãe "entrevistar" as clientes que frequentavam a loja de seus pais, para aprender o que significava ser americana. Segundo ele, a pessoa que mais o influenciou na vida foi a própria mãe, nascida no Brooklyn e descendente de italianos. Toda sua narrativa oral, assim como a escrita, foi guiada por datas, nomes e fatos. E ele explica que sempre quis falar sobre personagens menores, tal como os que sua mãe sabatinava nos provadores:
"The story I wanted to write was the simple stories of simple people. (...) those people who don't make the news, but reflect it."
Para o autor, o importante era escrever sobre estas pessoas que, caso contrário, nunca estariam nos noticiários. Um dos mais importantes jornalistas americanos de todos os tempos, Talese considera que para ser um bom repórter (e escritor) é necessária a combinação de curiosidade; paciência; e perseverança. Paciência esta que deve ser dedicada a ouvir e a passar tempo com outras pessoas. "Ordinary people can be extraordinary", ele explica.
O artigo que o consagrou, publicado na revista Esquire, Frank Sinatra has a cold, foi escrito sem que o jornalista tivesse conseguido falar com Sinatra, pois ele não queria recebê-lo. "I didn't really wanted to talk to him either", brinca Talese, que partiu para conversar com a entourage que cerca qualquer artista e, a partir destes personagens, construiu o perfil que inaugurou o New Journalism.
Neste clima irônico, Talese conduziu mais do que deixou ser conduzido pela entrevista de Mario Sérgio, editor da revista Piauí, até que foi surpreendido por uma pergunta desconcertante, sobre seu próximo livro. Acontece que Gay Talese está agora escrevendo sobre seu casamento de 50 anos com uma grande editora americana, e Conti lhe perguntou sobre o possível constrangimento que poderia causar, já que haviam boatos que o livro falaria sobre casos extra-conjugais de ambas as partes. A pergunta não agradou mais ao autor do que à plateia, mas Talese saiu-se tão elegante quanto suas roupas dignas do filho de um alfaiate, e respondeu, indiretamente, dizendo que acreditava ser possível combinar não-ficção com intimidade, sempre com respeito "and that's all I have to say about that", encerrou. Nancy, da primeira fila, sussurrou "very good" ao companheiro, e assim, com uma pequena saia-justa, terminou uma das mesas mais esperadas da Flip de 2009.
Quando saimos da tenda, a noite já era oficial, e o momento era de encontrar conhecidos, reconhecer queridos, e conhecer desconhecidos no entorno do café. Alguns seguiram para a mesa seguinte, do Lobo Antunes, enquanto outros, como eu, foram passear. Na Tenda do Telão, estava a Livraria da Vila, a revista Piauí, e outros expositores aos olhares curiosos. Foi passando por lá, que, novamente, cruzei com Talese, que se dirigia a uma entrevista. Não tive dúvidas e o abordei, dizendo que era sua fã, e uma jornalista apaixonada por livros, assim como ele. Ele me agradeceu, se apresentou e apertou minha mão, eu disse que estava gostando muito de seu mais recente livro, ao que ele respondeu com um sorriso cordial. Depois, ele me perguntou se eu ficaria ou seguiria com ele, ao que eu achei melhor não me estender, e fiquei observando aquele senhor de cabeça branca, esguio, de terno, colete e chapéu cinzas, caminhar para longe.
Entendi que minha noite tinha sido ganha, e segui para um aperitivo nos bares de mesa nas calçadas.

domingo, 5 de julho de 2009

Simon Schama

O último dia de Flip não poderia ter sido mais animado. Simon Schama, que dividiu a mesa com Lili Schwarcz, revelou-se um verdadeiro showman.

A palestra durou 1h30 e teve até participação de um inseto não convidado.

O final teve direito a merecidos aplausos de pé da plateia, que emocionou o britanico.

Agora, sigo para os momentos finais.

sábado, 4 de julho de 2009

Gay Talese

Há algumas horas, encerrou-se a mesa na qual Mário Sergio Conti enttrevistou Gay Talese. O jornalista norte-americano saiu-se muitíssimo bem, inclusive frente a última (e muito desconfortável) pergunta feita pelo mediador brasileiro.

Apesar de Talese não ter recebido perguntas do público, consegui encontrá-lo nas acolhedoras ruas de Paraty. Me apresentei, lhe disse o que achava de seu mais recente livro, e da importancia do Jornalismo Literário para a minha carreira.

Felicíssima, estou agora curtindo a noite da Flip!

Amanhã, notícias da mesa do Simon Schama, e, no final, detalhes sobre tudo que estou acompanhando.

Até!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

o show vai começar

Chegou o grande dia - começa hoje a 7a Flip! E essa edição promete...

Tem cantor que virou escritor; jornalista; crítico de música; historiador; físico; tem poeta e tem contista.

Tem Flipinha e FlipZona; tem lançamento de novo portal literário; tem cobertura no Twitter; tem autor que substituiu outro; tem show de abertura e tem homenagem a Manuel Bandeira.

Mas o que mais tem é gente. Cariocas, paulistanos, argentinos, mineiros e nordestinos. Terá de tudo nesta que já é uma das feiras de mais prestígio do globo.

Aos que já foram, aproveitem. Sábado nos vemos. E para quem ficou na vontade, uma ótima notícia: assista ao vivo aqui tudo que está rolando em Paraty.

Um viva à tecnologia e que comece a festa!