domingo, 31 de maio de 2009

Prêmio São Paulo de Literatura 2009

Em sua segunda edição, o mais bem pago prêmio literário brasileiro anunciou ontem a lista de finalistas deste ano. Criado em 2008 pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o prêmio segue os moldes do Booker Prize (Inglaterra); e pagará R$ 200 mil ao vencedor em cada uma das duas categorias: Melhor Livro do Ano e Melhor Livro de Autor Estreante. Foram dez finalistas escolhidos por um júri composto por professores, escritores, críticos literários, livreiros e leitores. Dia 3 de agosto, em cerimônia no Museu da Língua Portuguesa (São Paulo), serão anunciados os vencedores.

Vejam a lista dos finalistas.

Melhor Livro do Ano (lançado em 2008)
Carola Saavedra, Flores azuis
João Gilberto Noll, Acenos e afagos
José Saramago, A viagem do elefante
Livia Garcia-Roza, Milamor
Maria Esther Maciel, O livro dos nomes
Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado
Moacyr Scliar, Manual da paixão solitária
Ronaldo Correia de Brito, Galiléia
Silviano Santiago, Heranças
Walther Moreira Santos, O ciclista

Melhor Livro do Ano - Autor Estreante (lançado em 2008)
Altair Martins, A parede no escuro
Contardo Calligaris, O conto do amor
Estevão Azevedo, Nunca o nome do menino
Francisco Azevedo, O arroz de palma
Javier Arancibia Contreras, Imóbile
Marcus Vinicius de Freitas, Peixe morto
Maria Cecília Gomes dos Reis, O mundo segundo Laura Ni
Rinaldo Fernandes, Rita no pomar
Sérgio Guimarães, Zé, Mizé, camarada André
Vanessa Barbara e Emilio Fraia, O verão do Chibo

Quais são suas apostas?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Coração das trevas

Na primeira parte de Coração das trevas, ainda não se tem muita certeza sobre a proposta do livro. Será um romance anticolonialista? A novela de Joseph Conrad dificilmente pode ser restringida a um único tema, mas sem dúvida trata a desumanização imposta aos colonos africanos, neste caso, no Congo, com muita ginga.

Para recriar a senação de navegar o rio africano - onde o próprio autor esteve no final do século XIX -, Conrad recorre à narrativa reflexiva de seu alterego, o capitão Marlow, cuja principal missão é resgatar o comerciante Kurtz - ele que no texto representa a própria Europa (metáfora explícita inclusive na relação que mantém com o "alemão"). Na medida em que o enredo se desenrola, somos conduzidos nós mesmos às profundezas das trevas, às profundezas das almas dos personagens: Marlow diz e repete que aquele lugar suscita uma viagem interior. E é através desse caminho solitário percorrido por ele, Marlow, que testemunhamos, nós, o processo histórico - uma crítica intensa e sutil à colonização belga, vista como muito inferior à inglesa. O encontro derradeiro de Marlow com a "prometida" de Kurtz representa a absolvição, a humanização, o perdão branco deste símbolo da exploração europeia.

Coração das trevas foi publicado em 1902, no entanto, é tão atual quanto se tivesse sido escrita ano passado. Tal contemporaneidade de Conrad inspirou o cineasta Francis Ford Coppola a filmar Apocalypse now, em 1979, que ganhou versão sua mais ampla no novo milênio, Apocalypse now redux. As questões humanas e humanitárias, políticas e literárias que a novela abarca, tornaram-na grande referência da modernidade, até hoje amplamente estudada. E talvez tenha sido mesto esta a única proposta de Conrad.

A ficção é história, história humana, ou não é nada. Mas também é mais que isso: ela se apóia em chão mais firme, baseando-se na realidade das formas e na observação dos fenômenos sociais, enquanto a história é baseada em documentos e na leitura de impressos e de manuscritos - em conhecimento de segunda mão. Assim, a ficção está mais próxima da verdade. Mas deixemos isso de lado. Um historiador também pode ser artista, e um novelista é um historiador, o preservador, o detentor, o expositor, da experiência humana.
Joseph Conrad


Citação lembrada por Luiz Felipe de Alencastro,
no posfácio da edição de bolso da Companhia das Letras, 2008

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Paixão

No universo literário, o nome do dia foi Alice Munro. A contista canadense de 77 anos ganhou o prestigiado Man Booker International Prize pelo conjunto de sua obra. Além do reconhecimento - deixou para trás finalistas como V. S. Naipaul e Mario Vargas Llosa - o prêmio é também uma bela recompensa de nada menos que 95 mil dólares.

Conhecida por uma prosa regional, ambientada majoritariamente na província de Ontario, no Canadá, Alice Munro é contribuidora de longa data da The New Yorker (sempre ela) - sua estreia na revista foi em 1977. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre seu estilo, leia aqui Passion, conto publicado há cinco anos na revista, no qual Munro trabalha menos as situações e aprofunda mais a consistência dos personagens do que muito bom romance por aí.

Àqueles menos ecológicos, mas que ainda não se acostumaram a ler textos longos na tela, como eu, recomendo imprimir para aproveitá-lo.

Boa leitura.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Processo de criação

A capa da edição desta semana da The New Yorker foi desenhada digitalmente. O ilustrador Jorge Colombo criou a imagem usando o Brushes, programa de iPhone, sentado em frente ao museu de cera Madame Tussaud, na Times Square. Em uma hora a capa estava pronta e enviou, por e-mail para a redação.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

textos na rede

Se com a internet todos nos tornamos um pouco autores, como estabelecer um padrão de qualidade? O portal Cronópios oferece uma proposta interessante. Os responsáveis pelo site, Pipol e Edson Cruz acreditam que curadoria inteligente, moderação mínima e edição compartilhada por pessoas capacitadas garantem rica produção colaborativa de textos literários. Assim, os editores recebem mais de 4 mil e-mails por mês, com textos inéditos de todo o país. Destes, apenas 60 são publicados (dois por dia), após cuidadosa seleção.

“Não publicamos qualquer texto automaticamente porque editar é uma função humana, não deve existir um ranking gerado por computador”, disse Pipol ao Estadão. “Sentimos que, no meio literário, publicar no Cronópios é um sinal de prestígio para o escritor iniciante e independente.”

O portal abarca uma série de projetos que vão desde Stand-Up de Literatura, uma espécie de sarau com autores lendo livros que escreveram, até uma parceria com a livraria Martins Fontes, que permite que qualquer escritor possa vender seus livros na internet diretamente a livraria, eliminando a barreira da distribuição convencional.

A iniciativa vai ao encontro de tendências mundiais como self-publishing e print on demand, que mesmo ainda representando uma parcela pequena da indústria, têm crescido muito nos Estados Unidos aproveitando-se do fenômeno tecnológico. Uma pesquisa divulgada pela Bowker, agência americana responsável pelo cadastro do ISBN, diz que desde 2002, a impressão de livros sob demanda cresceu 774%, enquanto a tradicional teve um incremento de apenas 126%.
Universidades, por exemplo, são das grandes beneficiadas pois estão descobrindo o recurso como alternativa para manter um catálogo de títulos acadêmicos cada vez mais amplo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Entre mulheres

Uma mulher iraniana de 32 anos, a primeira serial-killer do país, parece ter ido buscar dicas do crime perfeito nas páginas escritas por Agatha Christie.

Mahin é acusada de ter assassinado pelo menos seis mulheres, todas de meia-idade. A tática era oferecer uma carona às senhoras que saiam da igreja e durante o percurso dopá-las com suco de fruta "batizado". Mahin então sufocava a vítima e lhe roubava todos os pertences, desepejando depois o corpo em lugares inóspitos. A polícia não tinha pistas para o assassino, a não ser a suspeita de que se tratasse de uma mulher por causa de pegadas encontradas próximo a um dos corpos.

Segundo a própria - que está alegando problemas emocionais em decorrência do abandono materno -, os livros de Agatha Christie serviram de suporte para ajudá-la a se antecipar nas investigações e driblar a polícia. Ela acabou sendo pega quando retida por causa de uma simples... multa de trânsito. Será que por isso dizem que mulher no volante é um perigo?


Agatha Christie (1890 - 1976) foi uma escritora britânica que publicou nada menos que 80 romances policiais. Considerada pelo Guinness a autora com o maior recorde de livros vendidos de todos os tempos, é também um dos principais nomes da literatura deste gênero.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Papo no SESC

Paulistanos e paulistados: uma dica de programa para a noite desta quinta-feira.
Livia Garcia-Roza participa do Sempre um Papo, no SESC Vila Mariana, para falar sobre seu novo livro de contos, Era outra vez.


Livia estreou na literatura em 1995 com seu primeiro romance, Quarto de menina. De lá pra cá publicou mais sete romances pela editora Record, três livros de contos pela Companhia das Letras e um infantil, A casa que vendia elefante, também da Record.

No mais recente, Era outra vez, recria e atualiza histórias infantis consagradas. Entre as narrativas reinventadas estão clássicos do repertório do conto de fadas, como Branca de Neve e os sete anões, fábulas universais como A cigarra e a formiga, além de uma obra-prima da literatura universal, As mil e uma noites, e uma das mais conhecidas obras da literatura infanto-juvenil brasileira, Pluft, o fantasminha, de Maria Clara Machado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Títulos

Todo autor que se preze sofre para escolher o título de seu livro. Se não sofre, bem... deveria. Como justificar em poucas palavras a publicação de todas aquelas outras? Ou ainda: como atrair um leitor desaparecebido, fuxicando as prateleiras de uma livraria, a, pelo menos, ler a quarta capa?

Gary Dexter, jornalista especializado em literatura do Reino Unido, resolveu ir atrás de como vários títulos foram, finalmente, escolhidos. Por meio de um trabalho de pesquisa cuidadoso suportado por anos de experiência no universo literário, Dexter alimenta diariamente seu blog How books got their titles com deliciosas revelações.

Para definir quais livros serão analisados, o jornalista-blogueiro-autor criou três regras explicadas no próprio site:
1 - o título não deve ser facilmente explicável através de uma leitura do texto.
2 - os títulos devem ser de livros publicados na íntegra e não de poemas ou contos que integrem uma coletânea, por exemplo.
3 - o título não pode ser uma citação.

O livro de hoje é Alice´s Adventures in Wonderland (Alice no País das Maravilhas).

Visit, read, and enjoy!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Conde Drácula


Em 18 de maio de 1897, foi publicado o hoje famoso Drácula, do irlandês Bram Stoker. Um dos mais conhecidos vampiros da cultura ocidental, Drácula caiu em domínio público e desde então habita filmes, revistas, desenhos e tantas outras narrativas populares.

Conde Drácula (cujo primeiro nome nunca é revelado no livro) é um vampiro centenário e um nobre da Transilvânia, com direito a castelo. Ao contrário dos vampiros folclóricos da Europa Ocidental, Drácula não é uma figura repulsiva - ostenta um charme digno dos nobres, o que apenas disfarça sua maldade.

O romance foi atribuído a muitos gêneros literários incluindo literatura de vampiros, ficção de terror e novela gótica. Na verdade trata-se de um romance epistolar, cuja narrativa é toda contada através de registros em um diário e cartas escritos por diferentes narradores que são, também, os personagens principais.

Ainda que Drácula seja um personagem fictício, ele mantém vínculo com algumas referências históricas. Tais referências são motivo de muitos debates acerca do quanto Stoker de fato conhecia os supostos fatos. O romance foi adaptado inúmeras vezes, principalmente para o cinema e teatro.

Com a palavra, o dentuço:

"Welcome to my house! Enter freely. Go safely, and leave something of the happiness you bring! ... I am Dracula; and I bid you welcome"

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Homenagem

à minha querida avó, Livia Garcia-Roza, mestre na arte de sofrer, de torcer, e de esperar; fã do idioma italiano:

Dalla sua pace la mia dipende,
quel che a lei piace vita mi rende,
quel che le incresce morte mi dà.
S´ella sospira, sospiro anch´io,
è mia quell´ira, quel pianto è mio
e non ho bene s´ella non l´ha.

Da sua paz a minha depende,
tudo que a ela agrada me alenta,
tudo que a aflige me faz padecer.
Se ela suspira, suspiro eu também,
sua ira, seu pranto, são os meus também
e nada me alegra se está a sofrer.

Mozart, Don Giovanni (1787)


quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

A escola de Harry Potter

A editora norte-americana Simon & Schuster lançou hoje o 10º e último volume da série infanto-juvenil Pendragon Adventure. Os livros contam a história de Bobby Pendragon, um menino de 14 anos, popular na escola, que acaba de engatar um namoro com a menina mais incrível da escola, quando, ao atender a um pedido de ajuda do tio, embarca em uma aventura dessas para jogo de RPG nenhum botar defeito. A missão que os leva em uma viagem através do tempo e do espaço é proteger o povo de Halla de um vilão demoníaco (literalmente) que quer destruir a humanidade. Bobby se vê sem outra opção que não embarcar nessa batalha, quando na verdade, preferia mesmo estar em casa jogando basquete.

Impressionante é que a imaginação do autor, D.J. MacHale - também diretor e produtor executivo de várias séries de TV - parece mesmo vingar. Afinal, são nada mais nada menos do que dez volumes completos que totalizam mais de 4 milhões de cópias.
Eu li apenas o primeiro capítulo, que é uma carta do menino a um amigo. Vejam um trecho:

I hope you´re reading this, Mark.

Heck, I hope anybody´s reading this because the only thing that´s keeping me from going totally off my nut right now is getting this all down on paper so that someday, when it´s all over, it´ll help prove that I´m not a total whack job. You see, two things happened yesterday that changed my life forever.

The first was that I finally kissed Courtney Chetwynde. Yes, the Courtney Chetwynde of the bites-her-lower-lip-when-she´s-thinking, stares-right-into-your-heart-with-her-deep-gray-eyes, looks-unbelievable-in-her-volleyball-uniform, and always-smells-a-little-like-roses-fame. Yeah, I kissed her. It was a long time coming and it finally happened. Woo-hoo!

The second thing was that I was launched through a wormhole called a "flume" and got jacked across the universe to a medieval planet called "Denduron" that´s in the middle of a violent civil war.

But back to Courtney.

Parte das estratégias de marketing da série, o primeiro livro, The Merchant of Death, está disponível para download no site da Simon & Schuster até dia 24 de maio.
Bom para quem curte, já que a saga ainda não foi publicada no Brasil.

domingo, 10 de maio de 2009

Mães

Neste dia de homenagens, ilustro a minha com um poema de Edgar Allan Poe, cujo bicentenário de nascimento comemora-se este ano.

TO MY MOTHER
Because I feel that, in the heavens above,
The angels, whispering to one another,
Can find, among their burnings terms of love,
None so devotional as that of "Mother,"
Therefore by that dear name I long have called you,
You who are more than mother to me,
And fill my heart of hearts, where Death installed you,
In setting my Virginia´s spirit free.
My mother - my own mother, who died early,
Was but the mother of myself; but you
Are mother to the one I loved so dearly,
And thus are dearer than the mother I knew
By that infinity with which my wife
Was dearer to my soul than its soul-life

À todas as mães - parabéns (e obrigada).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

jornalismo literário


Para aqueles cujos corações oscilam entre o jornalismo e a literatura, o novo livro de Gay Talese é imperdível.

Do norte-americano que é considerado precursor do New Journalism e um dos maiores jornalistas de todos os tempos, Vida de escritor fala sobre fracasso.

Talese parte de reportagens que falharam em se tornarem livros e traça um paralelo sobre suas desventuras no ofício da escrita. O drama das personagens eleitas - a jogadora de futebol chinesa que perdeu o pênalti decisivo na Copa do Mundo; a mulher que, em um surto de fúria, cortou o pênis do marido - traduz a frustração de Talese como autor, que não consegue concluir estas histórias com as quais obsecou. É uma auto-reflexão sobre seu trabalho que nos oferece um olhar interno deste gênero que fascina as últimas gerações.

Gay Talese é o assunto do momento, pois estará no Brasil em julho, como convidado da FLIP.

Fica a dica para o final de semana.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Kindle DX

Parece que a Amazon está mesmo disposta a fazer com a leitura o que o iPod fez com a música: desconstruir o formato como a concebemos.

Os investimentos em seu e-reader, leitor digital, não param - e olha que ele continua só disponível nos EUA. Menos de três meses depois de lançar o Kindle 2, versão melhorada do aparelho, a Amazon anunciou hoje um terceiro modelo. O principal diferencial do Kindle DX é o suporte a livros didáticos e a documentos (inclui leitor de PDF). A tela também ganhou um upgrade de tamanho: de 15 para 24 cm, 250% a mais, tudo para tornar a leitura mais confortável.

Com o lançamento a Amazon espera incentivar estudantes a usarem o Kindle. Para isso, já conseguiu parceria com três grandes editoras de livros didáticos - Cengage, Pearson, John Wiley - que se comprometeram a disponbilizar seu conteúdo em versão eletrônica. Universidades como Arizona State, Princeton, Reed College e University of Virginia estão desenvolvendo programas experimentais que inclui a distribuição dos aparelhos para alguns alunos do próximo período letivo.

O Kindle DX começa a ser vendido em junho pela bagatela de U$ 489. Se cuida, Jeff Bezos - com esse preço vai ficar difícil popularizar o leitor digital...

domingo, 3 de maio de 2009

Top 10

Enumerar os títulos mais vendidos de todos os tempos é sempre uma tarefa difícil e contraditória. Existem muitas listas com este propósito nas quais há um empurra-empurra entre certos livros. No entanto, uma das mais bem aceitas - e curiosas - é a que publico aqui. Entre parênteses, o número total de cópias registrado no início de 2009:

1 - Bíblia Sagrada (5,6 bilhões)
2 - Citações do comandante Mao Tsé-Tung - O livro vermelho (900 milhões)
3 - Corão (800 milhões)
4 - Dicionário Xinhua Zidian (400 milhões)
5 - O senhor dos anéis - volume único - J.R.R. Tolkien (150 milhões)
6 - Livro de Mórmon (120 milhões)
7 - Harry Potter e a pedra filosofal - J.K. Rowling (110 milhões)
8 - O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie (108 milhões)
9 - Dicionário Webster da Língua Inglesa - Noah Webster (100 milhões)
10 - Livro Guiness dos Recordes (95 milhões)

Agora, edito uma lista mais "enxuta" apenas de ficção, na qual incluo também outros títulos campeões de vendas*:

1 - O senhor dos anéis - volume único - J.R.R. Tolkien (150 milhões)
2 - Harry Potter e a pedra filosofal - J.K. Rowling (110 milhões)
3 - O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie (108 milhões)
4 - Harry Potter e a câmara secreta - J.K. Rowling (77 milhões)
5 - Harry Potter e o enigma do príncipe - J.K. Rowling (65 milhões)
6 - O Alquimista - Paulo Coelho (64 milhões)
7 - O Código Da Vinci - Dan Brown (60,5 milhões)
8 - Harry Potter e o cálice de fogo - J.K. Rowling (60 milhões)
9 - Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban - J.K. Rowling (58 milhões)
10 - Harry Potter e a ordem da fênix - J.K. Rowling (56 milhões)

*algumas listas incluem Don Quixote, de Miguel de Cervantes, no entanto, não há dados precisos para classificá-lo.

Exceto O caso dos dez negrinhos, de 1939, e O senhor dos anéis, lançado em meados dos anos 1950, todos os outros títulos de ficção mais bem vendidos são dos últimos vinte anos. Se isso nos sugere apenas um efeito colateral da globalização; se é mais um sintoma da cultura de massa; ou se apenas significa real aumento do interesse por livros, é difícil pontuar. Mas, sem dúvida, abre uma brecha para que autores contemporâneos estejam entre os maiores - se não melhores - de todos os tempos.

sábado, 2 de maio de 2009

O processo


"Alguém devia estar caluniando Joseph K., pois sem ter feito nada errado ele foi preso em uma manhã."


O erro capital de Joseph K. - através do qual Kafka quer provar a tendência humana a submissão a qualquer forma de autoridade -, é a aceitação que ele tem do processo. Em nenhum momento do romance, nem personagem, nem leitor, ficam sabendo de quê K. está sendo acusado, e assim, entramos nós mesmos em uma espécie de submissão passiva tão forte, que ao longo das páginas esse detalhe que deveria ser ultrajante perde importância e esmaece.


Depois vem a incapacidade que Joseph demonstra de seguir as regras do jogo do tribunal. Ele sucumbe ao ambiente opressivo e unilateral, do qual nada se sabe, onde toda informação é sumáriamente destruída de tal forma que nem os advogados têm acesso aos autos e precisam elaborar as defesas às cegas. Ainda assim, K. dispensa seu advogado e todas as ajudas oferecidas por outros figurantes do tribunal, e assume a causa para si mesmo, em mais uma tentativa inútil de lidar com este estado de "preso em liberdade".


Esses erros provam-se fatais quando Joseph K. é executado no final do livro. O que acontece com o personagem entre o penúltimo capítulo - quando na catedral K. ainda está lutando para livrar-se do processo - e a entrega não-relutante à execução, fica em aberto. Terá K. desistido de vez e submetido-se a autoridade ou trata-se de um derradeiro ato de livre-escolha, para escapar completamente ao sistema?


Como o personagem Gregor Samsa, de A metamorfose, em O processo, Kafka expõe seu protagonista a situação em que ou sucumbe às circunstâncias terríveis ou tenta construir um outro ambiente a seu redor. E Joseph, como Gregor, está mais disposto a retomar o controle de sua vida, mas a sua recusa a aceitar as regras e os habitantes de seu novo mundo o levam ao isolamento total e culminam na única saída possível.